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своими руками
Segunda, 03 Novembro 2014 08:05

Este é meu testemunho sobre o poder de Deus!

Como toda pessoa considerada normal eu estava levando uma vida normal mas ocupando meu tempo com o estudo de coisas ocultas. Estes assuntos relacionados a questões como, de onde viemos? Porque estamos aqui? Para onde vamos?

Acontece que esta busca, me trouxe às mãos material de estudo que continha perigoso conteúdo.Quando digo isso o digo por que oferecia acesso a um conhecimento que nem sequer podia imaginar que existe.Eu imaginava que buscando este conhecimento eu estaria me aproximado de Deus. Aprofundei-me neste estudo e quanto mais eu encontrava informação mais interessado eu ficava. Cheguei a uma etapa onde tive acesso a instruções, de como fazer testes práticos a respeito daquelas informações. Mas o estudo alertava sobre os perigos e que dependendo das escolhas feitas o praticante estaria entrando por um caminho sem volta. Resolvi então dar um tempo e pensar melhor antes de fazer um teste pratico. Mas não sei explicar se foi conhecidencia ou era relacionado com aqueles estudos, morcegos começaram a infestar nossa casa. Parei então com aquele estudo. 

Não muito tempo havia se passado eu estava dando continuidade com meu filho ao trabalho de desenvolvimento de sites que era a atividade de nossa empresa naquela ocasião.

Até que num belo dia eu estava abaixado mexendo com o tratamento da água da piscina de minha casa quando percebi que algo diferente aconteceu, senti uma dor nas costas muito forte e fiquei deitado no chão até ela passar. Tendo me recuperado da dor voltei aos afazeres do dia a dia, mas comecei a sentir um amortecimento nas pernas, no dia seguinte este amortecimento aumentou, e isso me preocupou muito. No terceiro dia expliquei a meu filho que iria levar ele junto comigo nos clientes que estávamos atendendo para que ele desse continuidade. Eu precisaria fazer um repouso, estavam ficando cada vez mais amortecidas as minhas pernas. Naquele dia então fui deitar com o firme propósito de fazer este repouso até que recobrasse a normalidade dos movimentos. Mas naquela noite mesmo, ao levantar para ir ao banheiro consegui chegar ao vaso e urinar, mas ao retornar para a cama já não consegui chegar até ela, senti uma dor terrível nas pernas e fui ao chão. Senti uma dor terrível como eu nunca havia sentido anteriormente, minhas pernas encolhiam como se fosse uma câimbra. Minha esposa acordou assustada em me ver ali no chão me contorcendo e não sabia o que fazer. Na verdade eu também não tinha ideia do que estava acontecendo e o que fazer diante da situação, sentia somente muita dor. 

Naquele momento de grande aflição o único pensamento que me veio à mente foi pedir para que minha esposa ligasse para um amigo meu, eu o conheci quando prestei serviço para sua empresa a muitos anos já passados. Ficamos amigos de toda família. Frequentemente quando tínhamos a oportunidade de nos encontrar conversava-mos por horas sobre assuntos a respeito de Deus e relacionados a Deus. Trocávamos também testemunhos a respeito do poder de Deus.  Eu apesar de minha origem ser de família católica cresci sem muito frequentar a igreja e recebia de minha mãe os ensinamentos a respeito de Deus que ela lia para nós na bíblia

Detalhes narrados na primeira parte de minha historia (conteúdo no link minha historia). 

Foi somente perto dos meus trinta anos que ouvi com mais atenção o que as pessoas me diziam sobre Jesus, meu temor e fé se direcionavam ao Pai o Deus que criou os Céus e a Terra.

Pois então, nas conversas com este amigo o assunto na maioria das vezes era relacionado com Fé, eu não encontrava na bíblia à doutrina na qual ele baseava a sua Fé, não havia referencia para esta Fé que ele desejava me passar. Percebia nele um desejo imenso que eu entendesse sua fé. Então eu me perguntava por que naquele momento de tão grande dor somente conseguia vir a minha mente o desejo, que minha esposa ligasse para este amigo. Era madrugada, perto das três ou quatro horas da madrugada.

Então minha esposa atendendo ao meu pedido, tentou ligar no celular dele. Mas tocava e ele não atendeu. No mesmo instante que minha esposa ligava para ele eu fui envolvido por uma luz muito grande e muito clara e senti um alivio tremendo. Durante o momento que eu me encontrava envolvido por aquela luz eu não sentia dor, foi então que voltei a mim e me dei conta que estava ali encolhido no chão aos pés de nossa cama, não via mais a luz, na verdade eu estive dentro daquela Luz. Foi uma sensação de alivio e paz indescritível. Quando sai daquela luz, minha cunhada que também tinha vindo para nos ajudar me aplicou uma injeção. 

Então não me lembro se sentia menos ou nenhuma dor eu estava lúcido para conduzir a situação. Fui tentar me mover, mas havia perdido os movimentos da cintura para baixo. Estava precisando ser socorrido. Orientei minha esposa. Pedi para ela ligar para os bombeiros para que viessem me remover. Morávamos em um sobrado e nosso quarto ficava no pavimento superior, a escada seria um problema para me removerem, ainda mais por se tratar de uma escada modelo caracol que projetei e construí sem apoio para as mãos. 

Posteriormente descobri em uma revista uma semelhança com a escada da casa de Santos Dumont em Petrópolis no Rio de Janeiro. Esta escada que Santos Dumont projetou assim com a nossa não possuía apoio, nem corrimão somente um tubo central onde estava fixado o degrau. Sabia que para poder ir para um hospital o primeiro desafio seria descer esta escada por isso pensava que a equipe de resgate dos bombeiros seria a melhor opção. Mas minha esposa ligou e informaram que não faziam este tipo de remoção. Fazer o que então, não demorou muito chegaram mais alguns cunhados, não sabiam como fariam para me remover, pois eu pesava em torno de 90 kilos. Eu mantive a calma. Eu era costumado a transportar coisas pesadas então orientei meus familiares como deveriam fazer e tudo deu certo.

Fui levado para o pronto socorro e fiquei durante horas sob uma maca no corredor até que conseguiram uma vaga num quarto para mim. Naquela mesma noite morreu um senhor que estava ao meu lado, agora ao escrever recordando sobre este senhor lembro que ele tinha o corpo todo atrofiado e que provavelmente deveria ter sido por algum problema em sua coluna. Conforme o medico informou, precisariam ser feitos exames para saberem o que estava acontecendo comigo. Foi nesta ocasião que todos os meus parentes passaram momentos de agonia, imagino o quanto é difícil saber que uma pessoa esta dependendo de nós, todos procuravam ajudar de alguma forma. No dia seguinte conseguiram para mim uma vaga em uma enfermaria junto com mais 5 ou 6 pessoas. Neste dia e no anterior eu já estava sendo medicado, mas sentia dores nas pernas e não conseguia fazer nenhum movimento com as pernas e os pés, somente sentia dor.

Mesmo assim procurei me manter calmo. Lembro do bom humor daqueles colegas de enfermaria, eram todos pessoas humildes, cada um que ali estava tinha algum problema e aguardava por uma cirurgia. Mas tinham bom humor. Em uma ocasião próximo ao final do dia, chegou à hora de servirem o jantar eu nem havia notado. Meus colegas de enfermaria ouviram um barulho de rodas e começaram a comentar um com o outro, qual o sabor do espetinho que iria escolher, não estava entendendo do que se tratava. Percebia que o som das rodas do carrinho estava mais próximo. Eles brincando diziam o tipo de espetinhos que iriam escolher, um dizia que queria de carne outro de frango e assim cada um ia fazendo a sua escolha. Pensei então, será que servem espetinhos aqui no hospital?. Enquanto me perguntava isso entra no quarto o carrinho empurrado pela enfermeira com uma porção de bandejas de aço e pilhas de seringas com injeções pra todos nós, eram estes os espetinhos. Tive que rir não consegui controlar o riso mesmo com a dor. E assim era nossa enfermaria. Nos primeiros dias e noites minha esposa e meu filho não pararam de fazer massagens em minhas pernas para aliviar a dor que eu havia voltado a sentir, eles chegavam a sentir dores nos braços pelo excesso de massagem que faziam. Minha esposa e filho, como não havia espaço dormiam ao meu lado deitados no chão sob um cobertor dobrado. Eles tinham que ficar quase em baixo de minha cama, naquela enfermaria, mal cabia uma cadeira para um acompanhante. Momentos terríveis devem ter sido para eles ter que me olhar naquelas condições estando impotentes por nada poderem fazer.

Todos os familiares e amigos vieram me visitar todos preocupados em ajudar de alguma forma, ou correndo atrás de exames, ou trazendo algo para comermos, eu agradeço a Deus pelo carinho que recebi de todos e também pela atenção que dedicaram a minha esposa e família naquele momento.

Passados já algum tempo ao encontrar meu Amigo, contei sobre aquela experiencia, e que no momento que aconteceu só me veio à mente ligar para ele e contei sobre a Luz que havia me envolvido quando minha esposa tentava ligar para ele.

Pensei comigo, foi inexplicável minha atitude, porque o desejo de ligar para o o meu amigo? Como disse anteriormente nunca encontrei na bíblia a doutrina que justificasse sua fé, até questionei muito o Alexandre a respeito de sua devoção. Revisando o que escrevi anteriormente hoje chego a pensar que, o real motivo de me vir a mente que deveria ligar para ele, foi e Fé que ele me inspirava.

Hoje entendo que o único que realmente pode nos atender é o Senhor Deus Criador de tudo que existe e somente seu Filho Jesus, pode nos levar até Ele.  

Nesta data em que estou revisando este texto, passados anos do acontecido, peco a DEUS que pela sua misericórdia revele a verdade a cada um de seus filhos, não permitindo que nenhum seja enganado por doutrinas, se estamos buscando a sua presença, somente a sua verdade seja encontrada. 

Mas ai estava uma manifestação do poder de "DEUS" através daquela Luz para eu refletir a respeito. Os dias foram passando.

A prioridade agora era fazer os exames, primeiro foi feito um raio-X, mas não era suficiente para detectar o problema,para fazer outro exame mais detalhado eu teria que aguardar em uma fila de espera. Assim foi até que um de meus cunhados conseguiu junto aos administradores do hospital que fosse feita uma tomografia, já haviam se passado alguns dias e mais alguns dias passou para que o médico ortopedista viesse avaliar o meu exame e dizer qual era o meu problema.

Nada animador foi quando ele apareceu e ouvi ele me dizer ao olhar os exames que iria me dar alta porque o meu problema era tão difícil de resolver que não adiantaria me manter hospitalizado. Pensei comigo, me dar alta desta maneira, quer dizer então que eu terei que ficar como estou.

Se fosse este o meu destino eu teria que aceitar, pois aceitamos as boas coisas que Deus nos dá e precisamos aceitar as provações. Mas teria que fazer alguma coisa, tentar algum recurso pedir a opinião de outros profissionais a respeito da minha condição. Não poderia deixar de fazer o que estivesse ao meu alcance. Eu teria que tentar tudo que fosse possível. Eu considerava também que poderia ser sem resultado. Então teria que aceitar, mas não sem tentar. Procurei manter o bom humor não queria me tornar um peso, já bastava a situação difícil que eu estava criando para todos estando naquelas condições. Então procurei ocupar o meu tempo enquanto aguardava até que alguma coisa acontecesse. Pedi papel e caneta e estava projetando um elevador para que eu pudesse subir com uma cadeira de rodas para o meu quarto. Caso não recuperasse os movimentos não poderia mais subir escadas. Cheguei a concluir um projeto bastante interessante. Estava então vivendo num mundo diferente onde existiam limitações e eu teria que me adaptar a condição que me encontrava, então enxerguei que muitas outras pessoas vivem com estas limitações e decidi que caso eu ficasse naquela condição impossibilitado de andar eu iria dedicar meu tempo a adaptar minha casa primeiramente e posteriormente oferecer as outras pessoas o que eu conseguisse desenvolver nesta área, assim como o projeto do elevador que estava bastante adiantado.

Estava assistindo ao jornal em uma pequena televisão que haviam levado de minha casa para todos nós da enfermaria poderemos assistir. Quando estava assistindo percebi que conhecia o entrevistado, era ele, uma pessoa que conheci em meu relacionamento comercial, havíamos ficado amigos. Ele era presidente do Sindicato dos Transportadores de Cargas Pesadas do Estado de Mato Grosso, por este motivo ele estava sendo entrevistado.

Lembrei então que ele havia sofrido um problema serio em sua coluna, chegou a andar com o corpo quase dobrado, mas em uma das ultimas vezes que nos encontramos ele me contou que tinha feito uma cirurgia, estava recuperado e lamentou não ter tido feito antes a cirurgia. Disse-me que tinha um medo terrível e somente depois de pesquisar muito sobre o assunto e sobre a carreira do medico que escolheu, decidiu fazer a cirurgia, mas estava muito bem, recuperado e feliz, em nosso ultimo encontro até havia voltado a pescar que era seu passatempo. Por sorte seu numero estava na agenda de meu celular. Imediatamente liguei para ele, falei que estava em um hospital, ele me passou o telefone de seu medico e disse para dizer que ele o havia indicado. Assim eu fiz Dr. Cezar era o nome do medico, falei com ele e ele disse que viria me visitar. Sua vinda não pode ser imediata, mas demorou menos tempo que a avaliação do medico do próprio hospital onde eu estava. Quando o medico viu a tomografia, não ficou muito otimista, mas pelo menos disse que para poder avaliar melhor teria que ser feito uma ressonância magnética, combinamos que assim que este exame fosse feito entraríamos em contato com ele. Então outra correria teve que ser feita, era um exame caro e com muitas pessoas em minha frente na fila de espera e demoraria vários dias, então entrou em ação novamente meu cunhado Cleber conseguindo para mim a tomografia.

Todos sofreram junto comigo aqueles momentos a amizade não permitia a eles me verem naquela condição e ficarem indiferentes. Foram passando os dias.

Quando eu estava para entrar em depressão me consolava com o carinho de todos, eu via o sofrimento de minha esposa e filhos e não me permitia aumentar ainda mais o sofrimento deles caso eu me tornasse depressivo. Sempre recebia uma visita ou uma ligação me encorajando. Chegou então o momento e consegui fazer a ressonância. Assim que pegou o resultado meu cunhado levou para o Medico avaliar, pois ele não podia vir me visitar naquele dia. Ao ver os exames o médico disse para meu cunhado que não era bom o meu estado, eu teria que ser submetido a uma grande cirurgia e pelo que ele estava avaliando pelos resultados eu teria que receber 4 parafusos e mais alguns suportes para tentar recuperar minha coluna que era onde estava o problema.

Disse então que iria me ver no hospital assim que fosse possível. Continuei em minha rotina na enfermaria, tinha espetinho todos os dias.

Meu espetinho era tomar 5 injeções a cada 6 horas uma na poupança e as demais na veia. No começo eu que tinha veias saltadas em minhas mãos e braços depois de tantas injeções parece que minhas veias fugiam quando ouviam a aproximação do carrinho dos “espetinhos”.

Recebi então a vista do medico desta vez veio acompanhado de um outro médico, era o Dr. Paulo. Pegaram minhas pernas e fizeram quase virar um oito, a cada torcida me perguntavam se sentia dor. Eu respondia e assim tiraram suas conclusões. Disseram que meu estado era muito grave que as chances eram muito pequenas, que a possibilidade de sucesso era de 5% apenas. Mas que não restava alternativa senão a tentativa através da cirurgia. Do contrario poderia atrofiar todo o meu corpo. Eu já estava com as pernas mais finas, havia perdido massa muscular e encurtado o nervo puxando para traz o calcanhar devido ao tempo que eu estava sem movimentar as pernas.

Hoje ao escrever, me recordo do Senhor que havia falecido no primeiro dia que cheguei ao hospital, tinha o corpo todo atrofiado, teria sido o mesmo problema que havia acontecido comigo?

Bem naquele momento agradecia a Deus que pelo menos eu tinha uma possibilidade.

Este medico não havia dito que iria me dar alta que meu caso não tinha solução como havia dito o outro médico que deu o primeiro diagnostico pelo menos tinha os 5% de chance. Estávamos agora diante de mais um problema. Seria como pagar esta cirurgia. Seu custo não era nada pequeno. 

Eu possuía um carro e pensei nele como uma alternativa, mas o seu valor não seria suficiente. Lembro que foi informado a todos os membros da família sobre a necessidade da cirurgia e o valor que estava estimado. Este valor estava fora do poder aquisitivo de todos. Eu não me sentia no direito e nem queria que se sacrificassem tendo que vender alguma coisa por minha causa. Então me restava esperar para ver o que iria acontecer. Continuei minha rotina com os espetinhos e todos continuaram tentando com um ou outro conhecido que tivesse alguma influencia dentro da administração pública, para ver se conseguiam que fosse agendada a cirurgia o mais rápido possível, porque a demora também estava agravando o meu estado. Frequentemente recebia uma ligação me dando esperanças, que eu tivesse Fé.

Me perguntaram então se eu tinha magoa de alguém se eu guardava algum sentimento deste tipo em meu coração e pediram que eu perdoasse porque poderia estar me dificultando a receber a graça de ser feita à cirurgia. Pensei sobre o que me perguntavam e procurei lembrar se eu tinha este tipo de sentimento, mas eu sempre procurei evitar este tipo de sentimento, perdoando e não guardando magoa de ninguém. Mas este amigo insistia neste assunto e me dizia que poderia haver algum impedimento ou então não havia chegado ainda o momento certo.

Então me lembrei daquele estudo que eu estava fazendo antes de ter perdido o movimento das pernas. Eu havia parado no momento que achei que estava ficando perigoso por causa das etapas seguintes sugerindo testes práticos.

Estou escrevendo agora e relembrando o assunto sinto meu coração acelerar. Então contei sobre isso ao meu amigo quando novamente ele tocou neste assunto. Ele perguntou para mim, onde estava este material de estudo? Destrua isso imediatamente, ele me disse. Eu tinha um CD que havia comprado e veio pelo correio, neste CD continha mais de sete mil paginas daquele conteúdo e mais áudios e outros conteúdos que nem cheguei a abrir. Para facilitar a leitura eu havia mandado imprimir parte deste conteúdo e pretendia ir imprimindo à medida que fosse avançando. Ocorre que o assunto me atraia tanto que eu comentava alguma coisa sobre ele com meus conhecidos e todos queriam ter acesso aquele conhecimento. Por causa do interesse de alguns eu cheguei a dar copia de algumas partes que eu já tinha lido. Cheguei até a mandar para meu irmão mais velho pela internet para ele ver o que eu havia encontrado e estava descobrindo.

Então quando ele falou para destruir imediatamente, isso já não seria muito fácil e nem muito rápido. Mas o que eu possuía em minha casa e tinha dado a uma de minhas filhas imediatamente pedi e eles para destruírem e atenderam o meu pedido.

Depois eles me contaram que ficaram impressionados com o que havia acontecido, quando tentaram destruir pondo fogo nas folhas que eu mandei imprimir, o papel não pegava fogo, vários palitos de fósforo foram utilizados e o papel não queimava, então apelaram para o álcool na tentativa de queimar aquelas folhas, ficaram surpresos novamente porque o fogo iniciava e assim que acabava o álcool se apagava o fogo não queimando totalmente as folhas de papel, até mesmo o CD que era de plástico estava difícil para queimar. Depois tive a oportunidade de ver na churrasqueira de casa onde queimaram aquele estudo o que havia sobrado e que estava dentro da churrasqueira. Ali estava quase uma caixa de palitos de fosforo que haviam sido acessos naquela tentativa até que conseguiram. Contaram-me que saia uma chama com uma cor estranha quando estava queimando aquele material.

Varias vezes foram feitas orações ao redor de minha cama no hospital. Após terminada a oração costumavam pedir uma palavra que era lida para todos, nesta ocasião, ao pedirem uma palavra para mim, foi lido um trecho que dizia o seguinte: “Pare de procurar o que esta oculto e que esta alem do seu entendimento". Cabe a mim neste momento dizer a você que esta lendo, fuja desta curiosidade, se você sentir este desejo de querer saber sobre coisas ocultas fuja disso imediatamente. Acredite se quiser estou me sentindo mal somente por estar escrevendo sobre este assunto, cheguei a sentir algo perto de mim e me arrepiou todo o meu corpo já por duas vezes.

Portanto pense a respeito. Que nosso pensamento e os nossos atos tragam somente os anjos de Deus. Sejam sempre os seres da Luz de "DEUS" presentes ao nosso lado e o Espírito Santo de Deus esteja conosco em todos os momentos.

Continuando a contar, passados 23 dias internado do pronto socorro, havia chegado o momento certo a hora certa e a porta certa havia se aberto. Estava sendo transferido para outro hospital com mais recursos onde seria feita a minha cirurgia. Estava agora numa enfermaria com mais três companheiros, e estavam sendo feito os exames finais de risco cirúrgico para eu ser operado.

Eu Recebia sempre a visita de algum dos médicos da equipe que iria fazer a minha cirurgia, conheci então o Dr.Marlon que também iria fazer parte da cirurgia. Os médicos haviam me dito que devido ao grande tempo que iria demorar a cirurgia seria necessário que eles se revezassem, precisaria então de três médicos para fazer o procedimento todo.

Agradeço a Deus por todas as pessoas que cuidaram de mim durante todo o tempo, desde o momento eu que fui removido de minha casa para o hospital, todos os familiares, médicos e todas as enfermeiras e enfermeiros e demais profissionais, por todos fui muito bem atendido e Deus há de retribuir a eles por tudo que fizeram por mim. Havia chegado o momento e fui preparado desde a noite anterior, a cirurgia deveria começar bem cedo as 07 horas, porque segundo a previsão dos médicos poderia durar o dia todo e avançar pela noite. Fui informado que não deveria me assustar quando eu me recobrasse ao voltar da cirurgia eu iria acordar numa UTI e isso seria normal, eu ali deveria permanecer por mais um dia ou dois para posteriormente ser levado para a enfermaria onde ficaria por mais alguns dias. 

Naqueles dias como sabia que existia um grande risco de vida pois a cirurgia era demorada e muito delicada, eu já havia aceitado a ideia, caso a cirurgia não fosse bem sucedida eu teria que viver em uma cadeira de rodas.

Também estava aceitando que se por ventura fosse à vontade de Deus a minha partida eu estaria preparado. Eu havia durante aqueles dias escolhido determinados textos dentro de minha bíblia, companheira sempre presente naqueles momentos e deixado frases de conforto e orientação para minha esposa e para meus filhos. Estava então tudo pronto. 

Ao amanhecer segui as orientações fiquei esperando até que vieram me buscar. Fui levado para o centro cirúrgico, lá estavam uma porção de pessoas todas uniformizadas com seus jalecos brancos parecia como no grupo escolar quando eu frequentei a escola e usávamos o que chamávamos de guarda-pó.

Olhei em uma das paredes existia um grande painel acrílico com luz em seu interior estava repleto de exames, parece que ali estavam todas aquelas chapas da tomografia e da ressonância que eu havia feito. Então se aproximaram de mim duas pessoas, conversaram entre eles e um disse ao outro olhando em direção daquela parede iluminada, esta vai ser demorada, vamos colocar ele pra dormir primeiro, para não judiarmos dele e depois aplicamos as demais. Então me lembro que me mandaram ficar olhando para um aparelho de eletrocardiograma e acompanhar a luz que subia e descia no monitor formando uma linha oscilante, nisso sinto que parecia que estavam enfiando um prego em meu braço e olhei para ver o que era, era uma agulha com uma espessura de uma carga de caneta esferográfica de tão grossa parecia mesmo um grande prego. Ai então eu apaguei.

Ao acordar estava em uma sala bastante fria e sentia uma dor terrível estava deitado sob tudo que tinham colocado em minhas costas.

Parecia como se fosse uma cama de faquir com pregos acessos embaixo de mim. Ali fiquei por algum tempo a dor aumentava e me levaram para a enfermaria. A cirurgia havia sido bem sucedida e meu organismo suportou bem não foi necessário que eu fosse para a UTI como era previsto minha recuperação apesar da dor estava sendo boa. Estava com quase todo o corpo enfaixado como se fosse uma múmia. Falei da dor terrível que eu estava sentindo e meu medico sugeriu que fosse comprado uma espuma especial em formato de caixa de ovos e que isso iria aliviar a dor, havia chegado a momento de outra correria.

Desta vez foi minha filha e meu genro quem se dispôs a correr atrás, sei que eles devem ter feito o possível e o impossível para não demorar, mas para mim parecia uma eternidade aquela espera pela espuma, na esperança que ela fosse aliviar a dor que eu estava sentindo.

Eu estava recebendo sedativos fortíssimos mesmo assim sentia uma dor terrível. Chegaram então com a espuma. E ao menos um pouco havia melhorado. Olhei ao meu lado e via mangueiras saindo de meu corpo e entravam em uma espécie de sanfona plástica, me explicaram que aquilo era um dreno. Eu não podia nem sequer levantar um centímetro a cabeça. Eu teria que ter paciência, afinal eu havia conseguido fazer a cirurgia e agora restava esperar a recuperação. As visitas continuaram e muitas orações foram feitas por todos, até em outras cidades onde temos pessoas da família e conhecidos estavam orando por mim. Deus ouviu e atendeu.

Em uma destas noites, durante as orações todos oravam com muito fervor, eu sentia que era muito forte a presença do espírito de Deus ali naquele momento, Lembro que olhei ao redor e havia muitas pessoas orando, me chamou à atenção eu estar enxergando um de meus amigos mais elevado do chão que as demais pessoas naquele momento, eu tinha certeza absoluta que ele estava sob uma cadeira ou poltrona, pensei que ele teria subido porque o quarto estava muito cheio e para que pudessem formar um circulo ao meu redor. Passado o tempo quando nos encontramos novamente até perguntei a este amigo se naquele dia ele havia subido em alguma coisa e ele me respondeu que não, teria sido uma percepção do estado espiritual dele naquele momento?

Não me recordo se foi naquele mesmo dia, eu estava sentindo muita dor, uma dor insuportável e evitava até respirar para ver se a dor diminuía. Então novamente me senti dentro daquela Luz tão grande onde eu havia sido envolto da vez anterior quando estava em grande aflição em minha casa, mas lembro que desta vez eu conversei com aquela Luz e perguntei o que era aquela luz.

Então nesta segunda experiência eu perguntei para a Luz o que era aquilo e a Luz me respondeu que ali era o mundo da Luz e que ali estavam presentes todos os seres Celestiais, Jesus era quem estava respondendo as minhas perguntas, então ele me disse que ali todos faziam parte da mesma Luz sendo assim ali estavam todos os anjos dos Céus.

Estou emocionado neste momento que me recordo, não há como conter as lagrimas que enchem meus olhos. Teria sido um sonho? Teria eu perdido os sentidos pela dor muito forte? Eu penso que não. E você o que pensa a este respeito? Somente sua sensibilidade espiritual poderá responder.

Estava terminando o período de recuperação no hospital e após 4 dias da cirurgia eu estava recebendo alta. Fui trazido para casa foi uma ginástica tremenda para chegar a deitar na cama. Esta primeira noite foi a mais difícil de todas as noites depois da volta para casa. Quando por volta das 3 a 4 horas da madrugada eu acordei com uma dor terrível era insuportável, procurava suportar o máximo para não demonstrar, para não preocupar e fazer sofrer os meus familiares, mas estava sendo obrigado pela dor a ligar para o médico e pedir que me levassem para o hospital novamente, o médico me disse que não era possível me levar que eu teria que aguentar a dor, que era assim mesmo nos primeiros dias. Tentei fazer com que me levasse de qualquer forma e ele me respondeu que isso não seria possível devido ao custo do medicamento que eu estaria tomando por que era muito elevado na época custava quase um salário mínimo por uma hora de medicamento. E que eu teria que arcar com os custos. Diante disso pedi a Deus que me ajudasse a suportar, pois estava realmente fora de minha possibilidade, pois até mesmo a cirurgia e todos os custos haviam sido cobertos pelo sistema de saúde publica.

Agradeço ao desconhecido que autorizou a minha cirurgia que Deus retribua a ele fazendo com que ele e os seus queridos nunca precisem passar por uma experiência como a que eu passei. Graças Deus e a este desconhecido que foi usado por Deus e a pessoa que levou meu problema a ele, hoje ao escrever minhas memórias posso dizer que levo uma vida normal.

Foram então dias sob forte medicação para minimizar a dor. Eu tomava comprimidos tão fortes que para proteger o estomago era preciso injetar com uma seringa um liquido que se parecia com um xarope e tinha gosto de banana, engolia aquele liquido e depois tomava os comprimidos. Graças a Deus que pessoas dedicaram seu tempo pesquisando e buscando medicamentos para aliviar a dor daqueles que por algum motivo estejam sofrendo. Passados alguns dias a pior parte já havia passado, estava tomando menos medicamentos fui diminuindo gradativamente a quantidade de medicamentos buscando preservar o estomago.

Deus foi tão misericordioso que eu não precisei da ajuda financeira de outras pessoas, somente minha mãe que, por sua iniciativa fez um empréstimo para ser descontado de sua aposentadoria e tanto insistiu que eu aceitasse. Deus me deu a benção de poder nos sustentar com o dinheiro da venda do carro que possuíamos. A venda deste carro foi também um acontecimento marcante, eu precisava vender o carro para obter recursos mas ao mesmo tempo o carro iria fazer falta para ir a fisioterapia. Pensei então, como vou fazer para vender este carro se não estou em condições de sair para oferecer. Para minha surpresa aquele foi um carro que vendi com a maior facilidade mesmo estando quase impossibilitado de me locomover. Até foi incomum o fato de a venda ter sido feita à vista, normalmente surgem propostas de troca e neste caso não aconteceu.

Vejam só teria sido por acaso? Usei então parte do dinheiro da venda para nossas despesas e outra parte comprei um outro carro de menor valor que serviu para que eu fosse para a fisioterapia, durante o período que estive de cadeira de rodas. Mais tarde, quando já estava andando de muletas e conseguia ir para fisioterapia de ônibus eu vendi o outro carro para podermos nos manter por mais um tempo.

Lembro muito bem do carinho dos profissionais do centro de reabilitação do bairro Dom Aquino, desde a primeira vez que entrei naquele local fui muito bem atendido. Eu fui colocado em uma mesa prenderam meu corpo com umas cintas e a mesa que ficava na horizontal foi sendo inclinada para a posição vertical forçando assim que eu apoiasse o peso do meu corpo, foi bem doloroso para mim e tiveram que fazer aos poucos este procedimento. Minha rotina consistia agora nas tentativas que fazia em casa para movimentar pelo menos os dedos dos pés, mas ainda sem resultados.

Devido ao tempo sem movimentar minhas pernas, eu havia perdido massa muscular, tendo sido a perna esquerda a que ficou mais fina. Os médicos haviam me informado que a perna esquerda, seria a perna com menor possibilidade de recuperação. Disseram até que era muito pequena a probabilidade que isso acontecesse. Mas eu estive o tempo todo em que estava deitado procurando fazer algum movimento e aos poucos estava conseguido algum progresso.

Os profissionais do centro de reabilitação movimentavam minhas pernas esticando e dobrando varias vezes para dar elasticidade aos nervos que estavam encurtados e enrijecidos. No inicio com cuidado redobrado por que doía estar deitado de costas sob a estrutura de parafusos e hastes de titânio. Á medida que fui conseguindo resultados melhores me colocaram para tentar andar apoiado a dois apoios em forma de corrimão lembro que sempre mantive o bom humor graças a Deus, às vezes até ria de mim mesmo, pela maneira que meus membros reagiam, eu tentava mudar o passo, mas a perna não respondia ao comando e acabava parecendo uma criança tentando dar os primeiros passos.

Naquele local estavam pessoas com diferentes tipos de limitação de movimento, alguns não tinham movimento algum, mas nossos fisioterapeutas procuravam dar a cada um toda a atenção e incentivo. Podia ser percebido na expressão do olhar destes profissionais o contentamento quando viam seus pacientes progredirem, Alguns pacientes pareciam que estavam sem motivação e não se esforçavam muito e outros buscavam se recuperar o mais rápido possível. Era minha esposa quem me acompanhava na maioria das vezes, eu ia até o carro com a cadeira de rodas e era ela quem dirigia. Lembro que ela apesar de dirigir bem sempre estava insegura na hora de retornar para casa depois da fisioterapia que era por volta das 18:00 hs. porque neste horário havia um transito intenso. 

Então vendo aquela situação foi de cadeira de rodas mesmo que eu comecei a dirigir novamente, primeiro não sabia se iria conseguir dirigir porque não conseguia firmar o corpo e ficar em pé, mas um dia fui até a garagem entrei no carro e sentei no banco do motorista e ensaiei pra ver se daria certo, tentei pisar nos pedais e percebendo que já havia recuperado certo controle que permitia apertar os pedais com a perna direita eu decidi.

Na próxima vez que percebi que minha esposa estava agoniada quando se aproximava o horário de voltarmos para casa quando nos dirigíamos para o carro fui em direção da porta do motorista. Não olhei a expressão de seu rosto, mas imagino que ela deve ter feito uma cara de medo. Abri a porta e me transferi para o banco do motorista, não me recordo se ela tentou me dissuadir, porque eu estava determinado a dirigir. Então como eu já havia feito um ensaio na garagem de nossa casa deu certo a tentativa e fui eu quem conduziu o carro ao voltarmos. Daí por diante não me recordo se deixei, ela dirigir novamente. Dei graças a Deus por estar conseguindo dirigir. Daí por diante eu mesmo conduzia o veiculo para irmos ao mercado e a todos os lugares até que foi necessário vender o veiculo para nos mantermos.

Mas Deus nos dá segundo nossa necessidade e eu já conseguia andar com as muletas fornecidas pelo centro de reabilitação, eles haviam também feito um molde em gesso da parte inferior de minha perna esquerda, através deste molde produziram uma espécie da bota com um material semelhante a um plástico bastante espesso e rígido, a função daquela espécie de bota era manter meu pé esticado. Meus pés estavam em uma posição semelhante aos pés de um bailarino ao dançar.

Os nervos que movimentam o calcanhar haviam atrofiado e por isso encolheram cerca de 4 a 5 centímetros projetando a ponta dos pés para baixo. Esticar novamente estes tendões e mantê-los esticados era a função daquela espécie de bota. Fui fazendo progresso com a fisioterapia eu podia perceber que estava sendo rápido minha recuperação pela expressão de contentamento de meus fisioterapeutas. Agora eu já estava conseguindo andar nas barras paralelas e me colocaram para ficar subindo e descendo uma escada de dois ou três degraus feitas de madeira que existia ali para essa finalidade, em seguida me colocaram para pedalar e assim foi.

Como parece difícil ao estarmos numa condição como a que eu estava voltar a fazer coisas que quando estamos com saúde não nos damos conta de sua importância. Andar para quem nunca passou por um período impedido de andar, parece ser insignificante, mas para muitos é um sonho que não poderá ser alcançado.

Minha Mãe morando distante, sempre me telefonava querendo saber como eu estava então um dia quando eu estava tentando ensaiar os primeiros passos e ria de mim mesmo pois, parecia uma criança de um ano tentando andar, contei a ela que estava andando novamente, apesar de andar de uma maneira engraçada por falta de firmeza e ela ficou muito feliz e assim fui melhorando, rebolando menos com o passar dos dias até voltar a quase normalidade.

Agradeço a Deus que me deu animo e me manteve bem humorado isso tornava menos traumatizante à situação para mim e para quem estava ao meu redor. Chegou o dia em que eu comecei a andar novamente no inicio me apoiando nas paredes e aos poucos ia me soltando, até que consegui andar por distancias maiores. Mas eu ainda tinha dificuldade para andar porque não conseguia erguer direito a ponta do pé esquerdo ao trocar os passos.

Depois da cirurgia por um tempo não muito pequeno eu tive que usar uma espécie de cinta elástica cheia de barras de alumínio que servia para imobilizar a minha cintura até que meu organismo recuperasse a musculatura e formasse uma camada de osso cobrindo e fixando os parafusos e minha coluna e se tornasse forte o suficiente para meu corpo não dobrar. Não me recordo quanto tempo foi todo este processo, mas aos poucos fui retomando minha vida.

Agora minha prioridade era voltar a ser produtivo, precisava obter o nosso sustento. Desde a faze em que pude me deslocar mesmo com a cadeira de rodas eu pedia a Deus que me ajudasse encontrar uma forma que eu pudesse trabalhar para poder manter nossa família.

Minha irmã e meu cunhado tinham uma empresa e me deram à oportunidade de ir trabalhar com eles. Eu tinha ainda certa dificuldade para andar porque a perna esquerda não havia se recuperado tanto quanto a perna direita, mas vamos lá, voltei a Curitiba nossa cidade de origem e por mais um tempo ali residi com minha esposa somente, nossos filhos ficaram residindo em Cuiabá. Estava numa posição privilegiada dentro do quadro de funcionários da empresa, eu era responsável pela produção em parceria como o irmão de meu cunhado. A empresa tinha um quadro de perto de 59 funcionários.

Procurei aperfeiçoar o trabalho de cada um e corrigir deficiências. Havia certo ciúme de alguns funcionários mais antigos, porque de repente ali estava eu, responsável por cobrar resultados de quase todos. Para mim foi uma oportunidade para testar até que ponto eu estaria apto a retomar minha vida. Meu salário era o maior salário da empresa, mas com os descontos, às despesas e o aluguel da casa que morávamos não sobrava muito dinheiro. Eu ainda tinha um resíduo em cartão de credito que vinha tendo que administrar do período que havia estado em recuperação e meu salário estava sendo suficiente somente para pagar as contas.

Então abri a bíblia e olhei em direção do numero que me chamou a atenção era Jó capitulo 5 versículo 17 Diz assim:

“Como é feliz o homem a quem Deus corrige; portanto não despreze a disciplina do Todo-poderoso”. Pois ele fere, mas trata do ferido ele machuca, mas suas mãos também curam.

Achei esta mensagem bastante ligada ao momento que estou narrando de meu passado, a faze em que eu estava me recuperando e retornando a minha vida normal.

Visitando o meu amigo Alexandre, que esteve comigo na pior faze antes da cirurgia após e durante a recuperação. Estávamos relembrando aqueles momentos e ele me contou agora, passados vários anos, que no momento que eu iria fazer a cirurgia ele se dirigiu à capela não perguntei onde era a capela que ele foi, pode ter sido no hospital.

Ele disse que estava em oração pedindo a Deus por mim porque eu tinha apenas 5% de chances de sucesso de me recuperar, ele pedia a Deus dizendo em sua oração que estes 5% fossem bastante para Deus e que ele tivesse piedade de mim para que eu não ficasse paralítico. Ele me contou agora e se emocionou ao contar assim como eu e meu filho que estava conosco.

Contou que naquele momento em que ele fazia este pedido sentiu um calor muito grande e um tremor em todo o seu corpo e teve uma visão da sala de cirurgia onde o medico estava operando, mas ali ele via o próprio Deus operando sendo o médico. Até arrepiou os nossos braços quando ele nos contava.

Então neste momento em que estou escrevendo pedi a Deus que me dê a inspiração para continuar a escrever, meu propósito é não escrever por mim mesmo, mas escrever inspirado por Deus o que possa servir para o meu próximo.

Este é o meu objetivo contando o que aconteceu comigo tentar mostrar ao meu próximo que Deus é sempre presente. Não importa o quanto seja impossível para nós humanos.

Para Deus tudo é possível, assim como ele tornou possível para mim recuperar meus movimentos e levar uma vida normal. 

Deus me ajudou a realizar antigos projetos, como o de viajar de caminhão e conhecer quase todo o Brasil, estive em quase todos os estados, somente não estive em Manaus, Roraima, Amapá, e percorri perto de 200.000 km em quase três anos rodando com o Fuv.

E agora ao iniciar uma nova fase.

Deus pode Realizar o seu sonho também.

Deus é o Senhor... Busque a ele e confie a ele a sua vida, e todo o resto ele fará. 

 

Segunda, 03 Novembro 2014 07:54

Com este titulo "Diário de Bordo" estarei contando as experiencias vividas nas estradas, durante os anos que Deus me permitiu levar meu testemunho em quase todos os pontos do Brasil.

Foram quase três anos, e perto de 200.000 (duzentos mil) quilômetros percorridos, Percorri as estradas do nosso Pais de um estremo ao outro, somente não estive nos estados onde não era possível ir rodando pelas estradas com meu Abençoado "FUV".

Devido ao formato "Blog" as Historias seguem em ordem de inserção ficando a primeira viagem no final da barra de rolagem, desejando ler do inicio deverá navegar pela barra de rolagem para o inicio, onde esta em sequencia o relato desde a primeira viagem e em seguida as seguintes.

Sábado, 11 Outubro 2014 20:43

 

De Sinop para Dois Córregos.

Em Sinop na serraria que meu amigo havia me informado.

Uma indicação é sempre bem vinda, e o responsável pela contratação dos caminhoneiros, conhecendo o Saulo que me indicou, me animou informando que alguma carga deveria surgir e eu estaria sendo contratado em breve.

Assim esperando eu fiquei nas imediações da serraria e conversando, conheci mais alguns  caminhoneiros que ali estavam.

A classe dos caminhoneiros é sempre bastante unida e solidaria então rapidamente eu estava inserido no ambiente destes companheiros.

Na maioria os motoristas eram conhecidos do Saulo que não demorou a estar presente.

Estas reuniões ajudam a diminuir a falta dos familiares e o tempo passa mais rapidamente.

No primeiro dia de espera, ainda não havia surgido nenhuma carga que eu pudesse carregar.

Para os demais, estavam encaminhadas as suas cargas, e deveriam seguir para uma cidade distante uns 120 km de Sinop, onde estava a instalação da serraria que estava cortando a madeira. Eles deveriam estar no dia seguinte pela manha naquele local.

Foi então combinado um churrasquinho com todos na casa do Saulo naquela noite.

Então como costumava acontecer, surgiu o momento de falar sobre Deus e contar minha historia, todos contavam suas historias também e logo chegou a hora de descansar para a jornada do dia seguinte.

Na manha seguinte fui para a serraria e fiquei aguardando. Surgiu então uma encomenda para que eu pudesse carregar. Era uma carga de madeira beneficiada. Eram lambris de forro para uma empresa que fabricava casas para cachorros, instalada na cidade de Dois Córregos estado de São Paulo.

Carreguei a madeira e segui para o meu destino.

Passei novamente por Cuiabá, encontrei novamente com os familiares, mas como era dia de semana, e a encomenda estava sendo aguardada, não pude me demorar.

Havíamos combinado entre os motoristas na serraria, de nos encontrar em SP com alguns dos colegas que também foram carregaram madeira com esta região.

Esta rota eu ainda não conhecia, então mapa e GPS em mãos cheguei a Dois Córregos. Fiquei impressionado com as instalações e a produção da fabrica que produzia as casinhas de cachorro.

Não havia me dado conta que este é um produto que tinha demanda para ser produzido nesta escala.

Havia descarregado e busquei o contato com os companheiros que foram carregar as outras encomendas  de madeira para SP.

Foi uma surpresa quando fiquei sabendo que ainda estavam em Sinop e que haviam tido problemas com a carga que carregaram.

O grupo de caminhões formado por três ou quatro com capacidade para muitas toneladas, havia carregado como era previsto, e haviam retornado para Sinop onde estariam passando pelo órgão do governo que faz a classificação da madeira e libera o transporte.

Mas como existem coisas imprevisíveis, um fato inacreditável aconteceu com eles.

Normalmente, são carregados em um caminhão, vários tipos de madeira, os tipos variam de acordo com a encomenda do cliente.

Mesmo a madeira carregada, tendo sido cadastrada e comercializada com freqüência, todas as cargas precisam ser vistoriadas.

Ocorreu com eles que, uma das madeiras, mesmo sendo comum, não estava na lista de classificação do órgão fiscalizador. O agente que conhecia e sabia como classificar aquela madeira estava ausente da cidade. Como conseqüência, foram obrigados a retornar ao local onde a madeira foi carregada, descarregar a madeira e aguardar por uma solução.

Pensei , eu poderia estar entre eles, e isso representaria um grande transtorno.

Carregar madeira, é sempre um motivo de preocupação para um caminhoneiro.

Mesmo não sendo o dono da carga, não tendo comprado ou vendido e mercadoria, muitos caminhoneiros já perderam seus caminhões.

Quando os órgãos fiscalizadores encontram alguma irregularidade, quem sofre a conseqüência de imediato é o caminhoneiro.  Muitas vezes por desconhecimento da existência de leis de proteção e de todos os critérios que são aplicados para controlar a exploração ilegal da madeira, respondem como criminosos e acabam presos, e alem de perderem sua ferramenta de trabalho, se sujeitam a gastar o dinheiro que não possuem para se defender,  para não ficarem presos e cumprirem pena.

Concordo que existem pessoas que buscam infringir as leis, e concordo que sejam punidas, assim como acho importante a existência de leis de proteção ambiental.

Mas a classe dos trabalhadores, que na maioria das vezes acaba sendo a vitima destas punições, acaba sendo a classe dos motoristas, quando em sua grande maioria esta buscando somente a sobrevivência de sua família.

Como no caso destes companheiros, não havia nada ilegal nem da parte da madeireira nem da parte dos compradores da madeira, e menos ainda por parte dos motoristas.

Todo o problema estava no fato de que apesar de ser madeira comum e comercializada com freqüência, ter recebido classificação como madeira legalmente comercializada e estar dentro dos limites de quantidade, naquela ocasião por algum erro de digitação, não apareceram no sistema onde deveria listar o seu nome e código.

Quem fica com o prejuízo? Quem pune os responsáveis por este prejuízo?  Mais uma pergunta sem resposta, como tantas que nos fazemos quando nos deparamos com erros da parte do governo e que causam prejuízo à população.

Absurdos como este me colocaram em situação de espera em postos fiscais da receita federal, quando ao transportar mercadorias de um estado para outro, quando o comprador esta em debito com os seus impostos, quem fica retido como fiel depositário da divida é o motorista e sua ferramenta de trabalho o caminhão, acreditem se quiser, o governo utiliza este artifício para fazer com que o devedor do imposto pague sua divida, do contrario fica preso o caminhão que esta apenas fazendo o transporte do produto e seu condutor.

Deste tipo de arbitrariedade eu fui vitima por mais de uma ocasião, isso chega  ao absurdo de ser constante na vida do profissional motorista. Ao perguntar a algum conhecido que exerça esta atividade pode se constatar esta afirmação.

Novamente a pergunta? Quem fica com o prejuízo ? Onde esta o responsável por isso ser adotado como regra, onde esta o direito do trabalhador da estrada.

Classe dos motoristas, uma classe que desconhece sua importância.

Próxima viagem:

 

De Dois córregos para Matão e posteriormente Petrolina.

Domingo, 15 Junho 2014 12:54

Apresento o novo

"ABENÇOADO"

Pensei que este Abençoado, que era um graneleiro me levaria novamente para a estrada, mas ele se tornou um caminhão tanque com bomba de sucção a vácuo.

Busquei formas para voltar para a estrada, mas que me permitissem, conciliar muinha atividade na cidade, mas não foi possível.

Então seja feito segundo a vontade maior que me direciona e não a minha. 

Minha atual atividade www.hcuiaba.com.br

Há Algum tempo atras.

Pensei que estaria retornando para á estrada com este abençoado graneleiro. 

Domingo, 25 Maio 2014 16:36

Vamos adiante…

Quase três anos de viagens para contar.... nesta velocidade que venho escrevendo nem imagino quanto tempo será preciso para contar todas as viagens.

Minha atividade atual ocupa bastante o meu dia, que inicia entre as 4:00 e 5:00 h. da madrugada e vai até o retorno para casa por volta da 19:00 ou 20:00 horas.

Então, algum tempo em casa, cinco ou seis horas de repouso, e já estou pronto para mais um dia graças a Deus que sempre me renova e me capacita.

Nos dias de folga, depois de algumas ocupações, do tipo, consertar uma coisa ou outra, passear na casa de parentes, mercado etc. quando não estou ocupado com alguma destas coisas é que dedico um tempo para escrever.

Está explicado, demorar tanto para contar três anos de viagens... 

Depois costumamos pensar com os nossos botões que não temos tempo para nada, e nos justificamos pelo atraso em concluirmos projetos como este de contar as viagens e tudo que aconteceu, mesmo entendendo que, em tudo que somos capacitados a realizar exista um propósito de Deus. 

Desta forma penso a respeito de tudo que aconteceu nas viagens que fui capacitado a fazer, acreditando que exista um propósito.

O propósito de Deus tem alcance alem do nosso entendimento somente ele pode saber o qual.

Procuro dar continuidade a este objetivo que me dá muita satisfação, porque permite falar de Deus e levar a outras pessoas o quanto ele tem feito por mim, e sei que também faz na vida de todos, mesmo que não estejamos sensíveis para perceber.

Mas se o objetivo é contar as viagens vamos então à sexta viagem.

Estava em Araguari, e novamente, próximo a Uberlândia.

Uberlândia poderia oferecer a carga que eu precisava, uma carga para retornar para casa, ou uma carga que passasse por Goiânia no percurso. 

Eu teria que procurar, sem a certeza de encontrar rapidamente, não hesitei, preferi a segurança e a certeza da existência das cargas em Uberaba um tanto mais distante, e eu teria que percorrer este trecho vazio novamente.

Não quis ariscar e fui na certeza,Uberaba aqui vamos nós.

Agora já conhecendo todo procedimento em Uberaba e familiarizado com a carga e tudo o mais, nem resta muito a contar. Quando tudo esta correndo dentro do normal nem percebemos o tempo passar, e assim nos falta até assunto para historiar. Mas lembro que sempre surgia a oportunidade para fazer amigos, contar minha Historia e entregar alguns testemunhos.

Por isso já sem detalhes relevantes me dou conta que estava em Goiânia, havia descarregado e depois de ficado por alguns dias em casa eu já havia carregado novamente para Sorriso no Mato Grosso.

Esta também foi outra carga sem muito acontecimento marcante. Carreguei em uma empresa da qual eu já havia carregado em outras ocasiões, na cidade de Bela Vista de Goiás, que fica distante 50 km de Goiânia e sempre oferecia uma oportunidade de carregamento, seu produto, Leite e produtos derivados, produzido pelos Laticínios Bela Vista.

Citando o nome da empresa não ligamos com o nome do produto, mas tratava-se dos produtos com a marca Piracanjuba que é bastante conhecido.

Vamos lá então levar Leite para Rondonópolis.

A viagem transcorreu normalmente e quando me dei conta, estava num posto de Rondonópolis com o caminhão vazio e procurando carga novamente, eu estava Próximo 200 km da casa dos meus Filhos que estavam residindo em Cuiabá, mas não desejava fazer este percurso vazio pois o frete para ir até Rondonópolis, não havia dado muita margem de lucro e este percurso vazio representaria muito na conta do saldo da viagem.

Os lugares que costumam ter carga com freqüência, devido ao grande número de caminhoneiros que vão se oferecer para carregar, não costumam pagar valores muito representativos, muitos deles até acabam tirando proveito da situação.

Este tipo de situação ocorre com mais freqüência no nordeste.

Devido ao fato, de que a grande maioria dos caminhoneiros reside nos estados do sul e sudeste, estes caminhoneiros no anseio de retornarem para seus lares, acabam aceitando carregar por valores que equivalem somente ao custo do combustível que terão que pagar. 

Como costumam dizer entre os caminhoneiros “carregar pelo óleo”.

Novamente percebemos a falta de critério para remunerar esta atividade.

Diante de uma condição mais privilegiada que esta, eu havia carregado, mas sem muita “gordura no valor do frete” não seria inteligente andar esta distancia até Cuiabá vazio.

Outro motivo seria o fato de que Rondonópolis no MT. É uma cidade que sempre oferece carga para varias regiões, seria possível encontrar uma carga e valia à tentativa.

Seria preciso então estar atento, fazer contas e buscar a melhor oportunidade.

Depois de uma correria entre agencias de carga e agenciadores, consegui uma carga para Sorriso, também no Mato Grosso. Não estaria retornando para casa, mas desejava visitar os filhos em Cuiabá. 

Esta carga estaria dentro do perfil que costumava buscar.  Para mim seria um produto que eu ainda não havia carregado chamavam-no de “Bag”

São sacos feitos de ráfia com capacidade de até uma tonelada cada e servem para embalar o calcário e insumos para lavoura. Este tipo de carga é bastante volumoso, mas, não representa muito peso, isso é sempre favorável para quem esta buscando um frete, representa uma viagem mais rápida.

Quando o caminhão é carregado com o peso do PTB total, isto é, com a capacidade máxima de carga do caminhão, este peso cobra um maior esforço do motor, que por sua vez consome mais combustível, principalmente nas subidas.

Carregado com a capacidade máxima de peso, o motor do caminhão trabalha próximo do limite da potencia, e sendo íngreme a estrada, a velocidade é reduzida drasticamente, por vezes temos a impressão que a pé poderíamos andar mais rapido.

Todos aqueles que fazem alguma viagem ou mesmo num trajeto de ida para casa, em locais que possuem terrenos montanhosos, com certeza já andaram se arrastando atrás de algum caminhão carregado.

Quanto maior o caminhão, ou maior o peso da carga, mais lento se torna subir uma serra. Então cargas como esta que eu estava carregando eram consideradas um presente, representando menor consumo de pneus, faixas de freio, óleo diesel e tempo de viagem.

Esta carga estava oferecendo um valor compatível e logo eu estava a caminho de Sorriso.

O que marcou esta viagem foi uma nova amizade feita no posto, onde eu havia chegado no dia anterior.

Conversei com outras pessoas e como de costume aproveitei para contar minha historia.

Deus sempre colocava alguém que, deveria existir um propósito para eu contar.  

Por vezes acredito que o propósito seria o inverso, ao invés de eu levar meu testemunho era eu quem ouvia e aprendia muito com o testemunho de outras pessoas.

Naquele dia durante à espera, eu conheci e fiz amizade com outro motorista que morava em Sinop, uma cidade distante somente 50 km do destino para onde eu estaria carregando. Para quem não conhece o estado de Mato Grosso, Sinop é também um grande pólo de desenvolvimento, em poucos anos a cidade cresceu muito. 

Seria o ponto mais provável para buscar carregar novamente, depois de entregar a encomenda da cidade de Sorriso, outra bela cidade do mato Grosso que também cresceu muito, apesar de serem cidades consideradas muito novas.

O Mato Grosso, quase todo ele, tem esta característica de crescimento. 

Este novo amigo foi uma das pessoas que me contou seu testemunho de vida e me fez refletir bastante.

Contou sua vida as situações que teve que administrar. O que me contou, que foi mais marcante foi a historia de sua esposa. 

Ele me contou que ela havia sofrido muito com o câncer, não sendo mais possível o tratamento em Sinop, em busca de diminuir ao Maximo o sofrimento de sua esposa foi ele buscar tratamento na cidade de Barretos no estado de São Paulo. 

Ouvindo ele contar, era visível seu sofrimento.

Como nos sentimos impotentes diante de situações como aquela. 

Buscar o melhor recurso,  é a única coisa que pensamos, sem medir as conseqüências, sem pensar como fazer para pagar quando falta o dinheiro.

Tudo isso não diminui o sofrimento da pessoa que assiste a seu ente querido sofrer.

Não é possível sofrer a mesma dor que o doente porem, não poder mudar nada, causa o que não pode ser curado com remédios.

No caso deste novo amigo ele me contava que sua esposa ficou num hospital considerado uma referencia no Brasil em tratamento de câncer. 

Me contou como era o atendimento e ao ouvir, fiquei feliz por existirem hospitais como aquele. Pelo menos o sofrimento torna-se menor, com pessoas dedicadas como aquelas.

Devido ao tratamento se arrastar por muito tempo ele acabou alugando uma casa na cidade onde estava o hospital. 

Contou os detalhes, fiquei sensibilizado quando ele me contou que todo o atendimento que ofereciam, somente era possível,  porque existiam pessoas famosas que mantinham os custos do hospital. Citou o nome de varias destas pessoas.

Pensei comigo, que bom que Deus deu condições e preparou estas pessoas.

Muitas  ajudavam a manter o hospital pedindo que ficassem anônimas. 

Sinto vergonha quando ouço atitudes como esta, e me pergunto por que eu próprio não buscava ajudar de alguma forma.

No caso deste novo amigo já fazia algum tempo que aquele sofrimento havia acabado.

Ele vivia agora outro tipo de sofrimento. Sua esposa apesar de todo  acompanhamento não sobreviveu. Esta era sua nova prova naqueles dias. Era visível que, mesmo depois de passados alguns anos do final daquela situação ainda sofria.

Ela havia sido muito importante na vida dele, mas teria que continuar vivendo.

Quem sabe minha historia e tudo que conversamos tenha servido para lhe dar algum conforto.

Antes mesmo que eu tivesse carregado o meu caminhão, meu amigo decidiu ir vazio para casa, apesar de ainda distante 700 km de sua cidade. 

Imagino que ficar esperando em um posto de combustível, estando em depressão como ele estava, acabe ficando ainda mais desagradável.

Esperar carregar, ficar os finais de semana em postos, muitos deles sem um mínimo de higiene, sempre foi a parte chata nos meus três anos de estrada.

Ele costumava carregar madeira em Sinop, lá chegando teria uma carga a sua espera, justificando assim, não ficar ali esperando por mais tempo.

Assim partiu, e eu fui carregar. 

A caminho da nova entrega, chegando em Cuiabá, eu fiquei por algum tempo na companhia dos filhos, não poderia ficar por muito tempo, a carga sempre tem um prazo para ser entregue, às vezes tão curto que não é possível  dormir. Mas o tempo na companhia das pessoas que amamos passa bastante rápido, um final de semana ajuda, mas seria preciso continuar.

Ao chegar  em Sorriso descarreguei e segui para meu próximo destino, Sinop, vamos agora para a cidade do Saulo, quem sabe encontraria o novo amigo, e também uma carga de  madeira.

Mas dai já é outra historia.

De Sinop com madeira para Dois Córregos São Paulo. 

Em breve...

 


 

Domingo, 02 Março 2014 22:20

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Vou contar como se estivesse naquele dia...

Hoje e' dia 17 /03/2012.

Estou a 10 km. Da cidade de Nova Olinda no Tocantins, sendo Sábado estou parado no pátio de um posto e irei aguardar o por do sol para continuar a viagem rumo a Belém do Para.

Esta viagem foi uma verdadeira prova.

Nestes dois anos viajando com o Fuv eu não havia passado em estradas tão ruins.

Minha vinda por este caminho foi devido a oportunidade que surgiu de carregar um complemento que traria um resultado melhor para o frete.

Pensei que tudo correria bem, eu sabia que a estrada seria pior que as percorridas nas viagens anteriores que havia feito para Belém, mas o valor adicional que o complemento traria viria em boa hora.

Não poderia imaginar que aconteceriam tantos problemas.

Acreditei que poderia confiar na pessoa que me contratou.

Penso sempre que viajo que sou levado por Deus para onde surge o frete para que eu possa levar as pessoas o testemunho que levo comigo do Poder de nosso Senhor.

Porem nesta viajem as provações foram grandes.

Minha esposa chegou a comentar que desta vez o inimigo havia me enganado com este complemento de carga.

Pensei que este complemento seria uma benção, pois conseguiria um valor maior pela viajem.

Mas acabou se tornando somente sacrifício.

Não bastasse que a media percorrida por hora fosse tão pequena devido aos inúmeros e enormes buracos existentes.

Estava em um dos piores e mais isolados trechos da estrada quando o Fuv apelido do nosso caminhão VW 23 220 foi perdendo a aceleração e parou.

Eu sabia que boa parte da viagem seria em estradas não pavimentadas.

Não imaginei que dos 2.597 km que seria a distancia a percorrer de Cuiabá a Belém haveria um percurso de 93 km tão ruim.

O sair da estrada principal em direção a Vila do Baianos eu havia andado por umas três horas, estava distante do posto mais próximo, mas havia percorrido somente uns 40 km.

Este vilarejo para onde estava indo fica no sertão do Mato Grosso.

Bem La estava eu no “meio do nada”, como dizem.

Mas na verdade existiam ali muitas coisas como em todos os lugares, neste em particular adequado para a vida selvagem, com muito mato, muitos insetos, e outros bichos que são comuns em lugares como este que foram criados por Deus.

Pensei então, o que fazer. Restava somente tentar descobrir o motivo que fez parar motor e resolver o problema.

Era por volta de três horas da tarde, e eu havia comido somente um salgado na hora do almoço.

 

 

 

Mas mãos a obra, para tornar mais difícil um pouco... O Fuv estava parado dentro de uma das enormes possas de água suja de barro, uma entre tantas que eu já havia passado no percurso e que eram muitas.

Agora eu teria que andar dentro da possa para pegar as ferramentas.

Felizmente a cabine do caminhão que era aonde eu teria que tentar resolver o problema que pensava ser no motor estava fora da água suja.

Começa o primeiro desafio bascular a cabine para ter acesso ao motor, com certo esforço e algumas tentativas estava levantada a cabine.

Comecei buscar a causa da pane. Desmonta aqui e ali e nada, parecia estar tudo em ordem. Mas então? Porque não funcionava? 

Procurei analisar qual peça poderia ser responsável por aquele defeito. Conclui que poderia ser a bomba injetora de combustível que poderia estar com problema e não conseguia levar o óleo diesel ate o motor.

Estava entardecendo e dentro em pouco a escuridão da noite não permitiria encontrar o defeito.

Percebi o ruído de um veiculo vindo em minha direção. Era uma caminhonete que seguia na direção da Vila dos Baianos, para onde eu estava a caminho.

Fiz sinal e o veiculo parou, expliquei a situação e perguntei se conheciam a pessoa que havia me contratado, reponderam que conheciam e poderiam levar um recado.

Pensei comigo, agora será uma questão de tempo somente.

Ao chegarem e comunicarem que eu estava com problemas mecânicos a pessoa que  me contratou viria em meu socorro.

Menos mal então, mas estava começando a escurecer e pensei comigo... Devido as condições da estrada e sendo noite, provavelmente deixariam para vir me socorrer no dia seguinte logo ao amanhecer.

Fazer o que, teria que ter paciência e esperar. Deram-me um pouco de água, pois a minha havia acabado eu já estava tomando da água do corote de lavar as mãos.

Para comer, eu tinha uma ou duas frutas não era muito mais pelo menos tinha alguma coisa.

Eu costumava manter alguma bolacha ou algo no porta luvas para tapear a fome quando tinha que ficar parado esperando para carregar, carimbar notas ou descarregar.

Ficar sem comer ou comer fora do horário é normal nesta atividade.

Vamos então tratar de tomar um banho de gato também no corote “corote” como é chamado pelos caminhoneiros, é um tambor redondo de aproximadamente. 20 litros que a maioria dos caminhões carrega pendurado na carroceria do caminhão para lavar as mãos.

É comum se sujar, trabalhando com um caminhão mexer com a carga ou com o caminhão suja a mão com frequência.

No passado eu já havia sido contemplado com a necessidade de tomar um banho desta forma, então vamos lá, peguei o detergente de lavar louça para poder tirar a sujeira de graxa das mãos, mas a sujeira era tanta e estava em tantas partes do corpo que o detergente acabou tendo que substituir o sabonete mesmo.

Estava bastante cansado, porem menos preocupado devido a certeza que meu recado seria entregue e o socorro viria.

Olhei pelo vidro, evitando sair de dentro da cabine para ver o céu, não daria para ficar fora da cabine por causa da quantidade enorme de insetos que estavam disputando para picar qualquer coisa que tivesse sangue.

Quanto a isso eu estava prevenido, carregava na cabine um spray para matar insetos então achei que seria melhor ficar fechado dentro da cabine.

Apesar do cheiro forte de inseticida dentro da pequena cabine do caminhão eu tampava o rosto com uma toalha ou coberta e logo estava livre dos insetos.

Através do vidro empoeirado do Fuv eu podia ver a quantidade de estrelas que se pode contemplar quando se esta em local bastante afastado das cidades, era muito bonito o céu estrelado.

Então o cansaço venceu e dormi. Ao acordar ainda estava escuro como era de costume peguei minha Bíblia companheira de estrada e estava lendo e meditando sobre a leitura.

Passado algum tempo ficou dia e eu estava ansioso pela chegada do socorro para poder seguir adiante a minha jornada.

Mas passavam-se  as horas e nada ninguém aparecia.

Nestes momentos sempre me questiono do porque estas coisas acontecem, porque precisamos passar por momentos tão angustiantes.

Sempre fico me perguntando qual o termo seria mais adequado para qualificar certas situações.

Ajoelhei-me ao lado do Fuv e perguntando a Deus porque eu estava naquela situação tão difícil, e também pedindo que  Deus me capacita-se a superar, decidi continuar na tentativa de encontrar e resolver o problema mecânico.

Vamos por o Tico e o Teco pra pensar, raciocinando como era o funcionamento do sistema mecânico em todas as suas etapas.

Desmontava aqui e ali repetidas vezes montando novamente e nada.

Como o problema parecia ser o óleo diesel não estar chegando até a bomba injetora então decidi fazer uma experiência.

Criar um tanque elevado para que o combustível descesse por gravidade.

Peguei um balde de óleo de 20 litros vazio que costumava carregar para uma eventual falta de combustível.

Enchi com óleo diesel, coloquei no alto da carroceria amarrei com cordas e lá estava minha engenhoca. 

Desta forma estava criando um sistema onde eu contava com a gravidade devido a elevação do tanque para levar o diesel até a bomba injetora.

E não é que funcionou...

Bem em parte pelo menos funcionou.

O Motor mesmo que ainda falhando, funcionou e isso aumentaria a possibilidade de encontrar a onde estaria o problema.

Já fazia um bom tempo que eu estava empenhado em busca da solução, mas o motor ainda falhava.

Pelo menos durante aquele tempo eu não estava somente na agonia da espera da vinda do socorro.

De repente surgiu um caminhão que estava a caminho também da Vila dos Baianos.

Ao me encontrar ali com a cabine erguida pararam e vieram me ajudar.

Os caminhoneiros, os que estão nesta atividade já por algum tempo, em sua maioria já passou por situação semelhante e costumam ser solidários ajudando uns aos outros.

Expliquei tudo que estava acontecendo. Num gesto de boa vontade começaram a olhar aqui e ali tentando descobrir o porquê da falha do motor.

O problema já era  menor, mas ainda não seria possível seguir viagem com aquela falha, pois não tinha potencia necessária para movimentar normalmente o caminhão.

Já havia passado do meio dia era por volta de três horas da tarde eu estava sem o que comer desde o dia anterior e já sem água novamente.

E cadê o socorro que eu estava esperando?

Será que não haviam entregado o meu recado para o meu contratante?

Ainda bem que gora estávamos em três pessoas à procura da solução para a falha do motor, mas, nada ... nenhum de nós encontrava o problema.

De repente um dos companheiros me perguntou se eu havia percebido um vazamento de óleo quase em baixo da carroceria do caminhão.

Fui olhar e então percebi.

Eu não poderia encontrar sozinho, pois só vazava combustível quando eu acelerava o caminhão.

Graças a Deus que colocou aquelas duas pessoas pra me ajudar, do contrario teria ficado por ali ainda por mais tempo, sabe-se lá por quanto tempo, já estava entardecendo novamente e logo seria noite outra vez.

E nada do socorro esperado.

Mas corrigido o problema do cano trincado que causava a entrada de ar e que estava causando também o vazamento de diesel o motor funcionou normalmente.

Surgia agora uma nova situação.

Como eu havia reformulado todo o sistema de alimentação de combustível ao adaptar o tanque na parte superior da carroceria.

Agora a minha autonomia de rodagem se limitaria aos 20 litros de diesel do tanque feito com o tambor de óleo.

Isso representaria uma autonomia de 10 km mais ou menos e então eu teria que novamente retirar diesel do tanque e transferir para meu tanque elevado. Fazer o que não é mesmo, melhor que ter ficado ali abandonado na estrada.

Comentei então esta falha de projeto do meu revolucionário tanque de combustível modelo “gambiarra” com meus colaboradores e prontamente me disseram que eu não me preocupasse que eles iriam me acompanhando para me ajudar neste processo de reabastecimento.

Agradeci a eles e dei Graças a Deus novamente por mais esta ajuda.

Seguimos viagem.

Ao contrario da expectativa, não consegui percorrer os 10 km imaginados.

Outra falha no meu projeto gambiarra, o excedente de diesel que não era utilizado pela bomba, injetora retornava diretamente ao tanque original, este é um processo normal de retorno.

Mas meus conhecimentos de mecânica sobre este detalhe acabavam de ser obtidos através da faculdade de mecânica feita naquela hora.

Vamos lá então, procedimento de reabastecimento a cada 5 km agora e faltava ainda uma distancia considerável.

Procurei não dar importância ao fato de que teria que repetir o processo de reabastecimento por muitas vezes isso só me deixaria mais desanimado.

Ao reabastecer na primeira parada dos primeiros 5 km rodados um dos meus agora amigos e companheiros de jornada me perguntou, se eu havia visto a Negona que saiu do mato logo que eu movimentei o caminhão.

Eles me permitiram ir com meu caminhão na frente para caso algum problema surgisse eles estando atrás do mim poderiam parar e me ajudar novamente.

Não entendi muito bem a pergunta, minha cabeça era somente motor pecas e combustível naquele momento.

Perguntei ... Negona ? Do que eles estariam falando? Pois em todo o tempo que fiquei ali parado não havia visto ninguém andando por ali.

Então me responderam que se tratava de uma enorme onça negra que saiu do mato e entrou na pista atrás de mim tão logo eu comecei a movimentar o caminhão.

Respondi a eles que estavam brincando comigo e responderam que não, era brincadeira e pensavam que eu havia visto, tentaram chamar minha atenção buzinando.

Nem sequer eu ouvi a buzina, somente tinha em mente sair daquela situação e prosseguir a viagem.

Já estava atrasado com a mercadoria carregada em Cuiabá e que estavam esperando em Belém do Para.

Aquele complemento havia me desviado da rota, tinha aumentado a distancia a ser percorrida e como se não bastasse teria que percorrer muitos quilômetros de estradas ruins ainda por vir.

Fizemos novamente o procedimento de abastecimento da gambiarra e seguimos adiante.

Tentando assimilar a informação recém-recebida sobre a onça, Imaginei quem estava à espreita me fazendo companhia aguardando cair a noite.

Eu já havia encontrado anteriormente por duas vezes com onças na estrada.

Isso não é muito difícil de acontecer nas estradas nos sertões do Mato Grosso.

Mas nestes encontros que tive anteriores eu estava dentro do veiculo em movimento.

Ali eu havia estado na estrada sem a proteção da cabine do lado de fora tentando por horas consertar um caminhão quebrado no meio do mato.

Pensei então, da maneira que eu estava fixado totalmente no problema mecânico, eu teria sido presa fácil para aquela Onça.

Vale agradecer a Deus que me livrou de mais esta.

 Assim seguindo a viagem já estava anoitecendo quando chegamos a Vila dos Baianos.

 

 

 

Meus amigos me convidaram para jantar com eles, mas eu mesmo estando sem comer há bastante tempo pensava somente em tomar um banho, esta era minha prioridade zero naquele momento.

Parando no único posto do vilarejo. Como de costume perguntei sobre a existência de um chuveiro.

Felizmente havia um disponível, era precário, como de costume em lugares  pequenos como este e nestas condições de estrada.

Mas as pessoas não tem sequer noção das condições precárias que vive uma grande parte da população que mora nestas pequenas cidades.

Eu estava com dificuldade para saber o que me incomodava mais era eu estar todo sujo de diesel de graxa ou de barro.

Estava imaginando quanto tempo esfregando detergente de lavar louça eu iria demorar para remover toda aquela sujeira.

Ao olhar para as condições da minha roupa fiquei com dó da minha esposa lembrando que ela quem lavava as roupas quando eu retornava para casa.

Em situações como aquela por vezes achava melhor jogar a roupa fora, mas quando a roupa havia sido comprada a não muito tempo, jogar fora seria um desperdício ao qual eu não me dava ao luxo.

Agora ao escrever, não me recordo se desta vez eu joguei fora aquela roupa ou não.

Bem detergente de lavar louca acaba virando sabonete de caminhoneiro mesmo, ia me esquecendo, vira xampu também não tem como tirar graxa do cabelo de outra forma.

Depois de algum tempo, muito detergente e bastante água fria mesmo num dia de frio como é comum nos banhos de caminhoneiro por falta de opção, eu agora estava de roupa trocada.

Vamos então buscar o que comer.

Existia um pequeno restaurante onde ofereciam espetinhos.

Beleza então espetinho acompanhado do costumeiro vinagrete e mandioca com arroz.

Restava agora dar uma limpada na cabine antes de dormir para melhorar o astral conforme se diz.

Quase me arrependi de ter tomado banho antes, pois estava tendo que me esforçar para limpar aquela sujeira toda evitando me sujar inteiro novamente.

Outro banho parcial e posso dormir agora.

Fiz minha oração agradecendo a Deus por tudo e pelos livramentos.

Penso sempre que, não importa a circunstancia sempre precisamos enxergar o que podemos aprender com todas as situações que vivemos.

Deus com certeza estava aplicando mais uma aula, ou seja, me dando mais uma lição de vida.

Peco sempre que eu esteja sensível para aprender com as lições que recebo e desta forma me tornar melhor capacitado para as próximas lições.

Será que teria dificuldade para pegar no sono naquela noite?  Que piada não é mesmo estava com o corpo todo dolorido das acrobacias ao redor do motor do caminhão e sobe e desce aqui e ali.

Mas nem mesmo o corpo dolorido me impediu de praticamente desmaiar, como se costuma dizer ao se deitar e apagar.

Estava frio e chovendo quando chegamos ao vilarejo, mas graças a Deus eu estava limpo dentro do conforto da pequena cabine do caminhão e agasalhado.

Dormir aquela noite e no dia seguinte fui retomar minha jornada.

Bem águas passadas são águas que não movem moinho.

Ao lembrar que havia ficado abandonado pelo meu contratante, confesso que o sangue subiu, ferveu etc...

Pensei em encontrar o fulano e despejar toda aquela raiva que eu havia sentido naqueles momentos e começava a aflorar novamente.

Comecei a imaginar como seria meu encontro com ele.

Pedi a Deus que me ajudasse a me controlar para que eu não fizesse algo que viesse a me arrepender depois.

Então lembrando as orientações da bíblia para situações como a que eu me encontrava.

Lembrei-me da passagem que diz.

 “Se, te tirarem a capa de também a túnica” ou “Se, te obrigarem a andar uma légua vai com ele duas”.

Não sei se é exatamente assim que esta escrito, mas foi mais ou menos assim que me veio a lembrança.

Lembrando tudo que Jesus suportou por nós, tanto sofrimento sem merecer.

Fui me acalmando e preferi acreditar que o recado não havia sido entregue.

Seria esta a única explicação imaginei, não haviam entregado o meu recado por isso ele não foi a meu socorro.

Pensando desta forma considerei, se eu não tivesse pedido a Deus para me ajudar a me controlar e em seguida vindo a minha lembrança sobre aqueles ensinamentos Bíblicos era bem provável um confronto físico numa atitude de raiva devido a tudo que eu havia passado.

Informei-me do endereço e fui ao local combinado onde eu iria carregar o complemento da carga e poderia então apesar do atraso e do sofrimento seguir minha viajem.

Chegando ao endereço encontrei um Mercadinho onde estava uma senhora no caixa.

Expliquei o motivo de eu estar ali. Percebi certo nervosismo por parte da senhora.

Dizendo para chamarem seu marido e explicando que era seu filho que havia me contratado, mas que ele não estava.

Chegando seu marido também era visível seu desconforto, não sabia o que me dizer.

Felizmente eu já havia me acalmado.

Percebi então que meu recado havia sido entregue, pude perceber pela forma de agir agitada da parte deles e dos empregados demonstrando medo que eu tivesse uma atitude agressiva. 

Em todas as coisas que acontece em nossas vidas, muitas nos trazem crescimento, e outras por não sabermos lidar com a situação nos trazem arrependimento.

Graças a Deus nesta ocasião eu não agi conforme seria natural uma pessoa irada agir.

Preciso sempre me controlar em ocasiões como esta e confesso por varias vezes não ter conseguido e depois vem o arrependimento pelo descontrole e também as consequências.

Deus me capacitou neste momento e então lembrei que o motivo da minha ida até aquele lugar e meu contato com aquelas pessoas poderia não ser o frete e a  compensação financeira que isso me traria, mas sim levar para aquelas pessoas o Testemunho do que Deus havia feito em meu corpo e em minha vida.

Este testemunho que levo tem sido como uma semente, minha missão é levar a semente e Deus a faz germinar.  

Lembrei que, como de costume, eu havia contado este testemunho também a muitas outras pessoas que Deus havia colocado no caminho e caso não fosse por este motivo, a busca de carregar sua encomenda eu não teria jamais encontrado com aquelas pessoas.

Agora ao escrever me veio à mente que nossa sabedoria não alcança as razoes de Deus, mas sempre existe um propósito para tudo.

Mas felizmente com este entendimento mantive a serenidade e ao chegar o esposo daquela senhora eu o acompanhei até o local onde estava o equipamento que eu deveria carregar.

Percebi que ele me conduziu até aquele local para mostrar o equipamento com a preocupação de provar que existia o motivo da minha contratação, existia realmente o grupo gerador.

Então me explicou que seu filho havia vendido o gerador para um comprador em Belém no Para, mas que o comprador havia desistido da compra em cima da hora e que haviam tentado me avisar, mas não conseguiram, pois eu já estava a caminho e tratando-se da região afastada de sinal para celular não haviam conseguido me avisar.

Fiz o que teria que fazer, expliquei que minha ida até lá tinha me desviado do meu trajeto aumentando meu tempo de viajem e gerando custos adicionais, expliquei que infelizmente eu não era o culpado pela desistência do comprador e como ficaria então o pagamento pela minha ida até La.

Ele respondeu que este compromisso havia sido assumido por seu filho e que eu teria que resolver com seu filho esta questão.

Então nos dirigimos ao seu comercio de onde ele telefonou para seu filho e depois de conversarem passou o telefone pra mim.

Meu contratante então argumentou ter tentado me avisar mas que infelizmente não tendo conseguido não poderia pagar pelo frete uma vez que a venda havia sido cancelada e quem iria pagar o custo do frete seria o comprador.

Ele havia depositado inicialmente a meu pedido em torno de 20% do valor que havíamos combinado pelo serviço.

Como ele me contratou por telefone através de um anuncio que ele colocara procurando o transportador eu havia pedido a ele que fosse feito um deposito de parte do valor porque eu teria que de alguma forma ter uma garantia que não se tratava de um trote a contratação.

O deposito seria então de setecentos reais referente aos 20%, acreditei que ninguém jogaria fora este valor e confiei que tudo estaria dentro da normalidade.

Ele então me propôs que eu ficasse com o sinal depositado pelo trabalho de eu ter ido até lá.

Expliquei que não seria suficiente porque o valor era menor que o custo de combustível e considerando o tempo perdido eu teria que receber pelo menos 60% do valor combinado.

Muitas desculpas e com a promessa que ele tentaria cobrar do comprador que cancelou a compra a diferença , este valor seria somente uma parte e depois iria depositar mais, em minha conta, oque até esta data não aconteceu.

O que mais a fazer então, eu estava ali, foi Deus quem me levou até lá e teria que haver um propósito.

Contei para aquelas pessoas o testemunho, ouvi também a historia do lugar e sobre a vida daquele senhor e sua família e restava agora seguir meu caminho.

Peguei estrada novamente retornando por onde havia passado até que descobri um caminho alternativo que encurtaria um pouco a distancia, junto com a descoberta da rota alternativa um alerta que uma ponte havia caído com a chuva e que os moradores das fazendas e os  caminhoneiros haviam improvisado uma ponte com troncos de arvore e quem me informou disse que não sabia se a ponte ainda existia ou suportaria o peso do caminhão.

Mas como existiam somente estradas precárias, quanto menos km melhor como eu estava muito atrasado com a carga carregada em Cuiabá e que teria que descarregar em Belém resolvi arriscar. (acima no inicio desta historia a foto da ponte).

Tentei não pensar muito em tudo que já havia passado e observar a natureza sempre muito rica de paisagens e animais e segui adiante.

Ao chegar a ponte como eu já estava preparado psicologicamente, parei o caminhão no inicio dos troncos, percebi que teria que passar com cada uma das rodas nos limites dos troncos de ambos os lados e qualquer erro me colocaria dentro do rio ou com as rodas presas entre os troncos.

Fiz uma checagem na altura da ponte na grossura dos troncos e avaliei os possíveis problemas.

Percebi que existiam frestas muito grandes entre os troncos se o peso escorregasse a roda para uma daquelas frestas o tronco poderia ceder aumentando a possibilidade do pneu ficar preso entre elas.  

A chuva havia dado uma trégua e eu teria que passar logo antes que voltasse a chover senão o risco dobraria.

Peguei pedaços de troncos menores e tudo que pude encontrar ao redor para por nas frestas entre os troncos.

Entrei no caminhão e comecei a andar bem devagar dirigindo com a porta aberta para poder enxergar o pneu dianteiro do meu lado para que não saísse de cima do tronco.

Como eu tinha verificado no inicio eu teria que manter o pneu rente com a extremidade do tronco de um dos lados e isso manteria o pneu do lado oposto da mesma forma.

Deu certo consegui passar.

Agora meu desejo era encontrar logo com o saudoso asfalto.

Demorava horas para percorrer distancias mínimas por aquelas estradas precárias.

Enfim quase ao meio dia encontrei o asfalto novamente após tantos dias.

Que maravilha, qualquer asfalto já seria bem vindo e aquele asfalto estava até alem das minhas expectativas.

Já conseguia ver o ponteiro do velocímetro marcar acima de 15 a 20 km por hora.

Feliz da vida novamente com a velocidade chegando em torno de 90 km por hora, um baita sol de meio dia, senti um impacto no volante e escuto um estouro.

Hum já conheço este barulho pensei comigo.

Só me faltava esta agora, um pneu estourado, durante minhas viagens desde a compra do caminhão manter pneus novos em todo caminhão sempre foi uma dificuldade, quando pensava que estava com o caminhão bem de pneus, BOOOMMM outro pneu!

Mas ao descer do caminhão percebi que minha suspeita ao receber o impacto no volante estava confirmada, era um pneu dianteiro.

Das outras vezes que estouraram os pneus graças a Deus, sempre conseguia seguir em frente em busca de ajuda, mesmo que bem devagar conseguia ir até uma borracharia e Deus sempre colocava uma borracharia não muito distante.

Mas desta vez não daria para ir até uma borracharia porque o pneu era o dianteiro.

Tive problemas anteriormente somente nos eixos traseiros, onde são sempre dois pneus em cada ponta do eixo, estourando ou furando um deles é possível, dirigindo bem devagar para não forçar, andar alguns kilometros.

Mas na dianteira não é possível. E agora o que fazer eu estava ainda muito distante de Redenção no Para, e não sabia a que distancia estava de uma cidade ou Vilarejo mais próximo, e em qual direção estaria a borracharia mais próxima?  Pois eu havia saído da estrada de terra já num trecho que tinha asfalto nas duas direções.

Teria que tentar trocar o pneu.

Mãos a obra novamente, tirei o estepe o macaco, chaves de roda e vamos lá.

Ao tentar soltar a primeira das varias porcas que teria que remover percebi que a missão não seria tão simples assim.

Trocar um pneu numa borracharia custava naquela época por volta de vinte reais, o serviço demora normalmente em torno de trinta minutos a uma hora.

Quando nos encontramos numa situação com a que eu estava é que achamos barato o serviço do borracheiro.

Apesar da forca aplicada, a porca nem sinal de mover, eu estar usando todo o peso do meu corpo e até pulando para aumentar a força sobre a alavanca da chave de rodas.

Resolvi usar a forca do macaco hidráulico, fiz um sistema para apoiar a chave de rodas sobre o eixo do macaco, assim eu estava usando a pressão hidráulica que faz com que o macaco suspenda o peso do caminhão, mas mesmo com a força do macaco, nem sinal de afrouxar a porca, o que aconteceu, foi que entortava a alavanca, mas não movia a porca.

Não restava alternativa, eu teria que ir buscar ajuda, mas em qual direção?

Existem trechos de estrada com distancia muito grande entre uma cidade e outra, existem regiões onde se pode rodar até mais de 200 km sem encontrar um recurso qualquer à beira da estada.

O correto seria primeiramente descobrir a direção a seguir e que levaria ao borracheiro mais próximo, mas de que forma senão perguntando... Mas já fazia algum tempo que eu estava ali parado e não havia passado ninguém.

Não conseguia avistar nada, depois de passado mais algum tempo, surgiu uma moto seguindo em minha direção.

 Fiquei feliz, poderia perguntar a alguém o caminho a seguir e resolver meu problema.

Obtendo as informações eu saberia onde eu estava, e qual a direção deveria seguir para encontrar uma borracharia

Fazendo sinal para ele parar e apontando em direção do pneu que estava estourado, e torcendo para que ele realmente parasse,, porque e comum a pessoa não parar, por ter medo de assalto.

Mas graças a Deus a pessoa parou.

Assim fiquei sabendo onde estava e que o vilarejo mais próximo estava a 40 km de distancia.

Como ele seguia na direção do vilarejo, perguntei se ele me faria o favor de avisar ao borracheiro do vilarejo para que ele viesse fazer o socorro, me respondeu que sim que avisaria.

Fiquei mais aliviado, mas lembrei do ultimo recado que pedi para levarem para vir me socorrer e o que havia acontecido.

Isso me deixou ansioso, era perto do horário de almoço e imaginei que o horário, poderia atrasar a vinda do borracheiro.

O tempo estava passando e nada, cada minuto parecia durar uma eternidade. Com o receio de que meu recado não tivesse sido levado, decidi, mesmo preocupado em deixar o caminhão ali sozinho, ir em busca do socorro.

Mas, desde a passagem do motoqueiro, havia passado bastante tempo e não havia passado por ali mais do que um ou dois veículos.

Fiquei atendo olhando em direção do horizonte e percebi um veiculo vindo em minha direção novamente.

Fiquei acenando deste então e aguardando sua aproximação, ao estar bem próximo, seu condutor mesmo tendo visto o pneu que eu estava apontando, para justificar o meu pedido, reduziu a velocidade, mas não parou isso não é de se estranhar, mas e agora?

Assim foi, demorava e quando vinha alguém, não parava. Até que surgiu a van que ao se aproximar vendo meu sinal e o pneu estourado acabou parando.

Mas quando parou eu pude perceber que estava superlotada já havia pessoas em pé dentro da pequena van. Que pena tanto tempo esperando e estava lotada. Mas sempre Deus coloca pessoas que são solidarias nas nossas vidas.

O motorista me disse que se eu não me importasse de ir em pé poderia me levar e eu deveria ficar junto a porta.

Com certeza seria melhor desta forma do que ficar ali sem saber por quanto tempo. Aceitei e partimos, fui comentando o assunto com ele e me informando onde poderia encontrar uma borracharia.

Mas comentei que não estava fácil afrouxar as porcas para remover a roda e eu teria que encontrar um profissional com equipamento adequado.

Quem já teve oportunidade de parar em um posto de estrada, onde existem borracharias que consertam pneus de caminhão, já deve ter visto que existe equipamento pneumático para afrouxar e apertar as porcas da roda. 

Este equipamento torna o serviço mais rápido e eficiente,  mas tornasse um vilão para o motorista quando precisa ele próprio trocar um pneu, porque aperta demais as porcas e depois para soltar, algumas vezes nem mesmo com o mesmo equipamento que apertaram eles conseguem remover.

Veja bem... já não bastaria somente encontrar uma borracharia, o que já era seria um "achado" naquela região, mas ainda teria que ser bem equipada, coisa difícil de encontrar num sertão daqueles.

Com ou sem equipamento adequado teria que encontrar uma forma nem que fosse à base de marreta e talhadeira teríamos que remover as porcas e trocar aquela roda.

Ao chegar ao vilarejo, eu ainda sem almoço, era já passado da hora, mas isso não era minha prioridade. Precisa resolver o problema o mais rápido possível porque estava correndo riscos com o caminhão que ficou sozinho na estrada.

Para ajudar, pode até não aparecer ninguém, mas para depenar um caminhão infelizmente pode aparecer.

Naquela semana haviam  me contato que  neste trecho onde eu estava 4 caminhoneiros tinham sido assaltados antes de chegar a Redenção no Para .

Desci num posto onde o motorista da van me deixou, ele nem mesmo aceitou que eu pagasse pelo transporte me desejando sorte.

 Agradeci e comecei buscar.

Na primeira borracharia me informaram que não teriam o recurso para resolver o problema e apontaram na direção da outra que existia no lugar, mas o comentário que fizeram me deixou animado.

Disseram que a borracharia pertencia a um caminhoneiro que recentemente havia vendido seu caminhão e investiu o dinheiro em equipamentos para abrir a borracharia e que ela era bem equipada.

Depois de uma caminhada ao chegar percebi que estava fechada.

Perguntando as pessoas nas proximidades fui informado que o proprietário estava dormindo, era seu habito tirar um cochilo depois do almoço.

Um de seus funcionários foi acorda-lo, mas ele abriu sua porta e disse... depois que eu terminar meu descanso irei fazer o socorro.

Expliquei aos seus funcionários o problema e acreditem, naquele pequeno vilarejo no interior do Para eu havia encontrado um equipamento que ainda não é comum ser encontrado até mesmo em grandes cidades.

Teria sido sorte minha ou providencia de Deus?

Como eu tinha que esperar, e como ainda não havia almoçado, e já havia passado do horário do almoço então perguntei se havia próximo dali algum lugar que pudesse comer alguma coisa.

Novamente me surpreendi, quando me apontaram um pequeno e humilde salão que existia, quase ao lado da borracharia, isto já estaria sendo ótimo e ficou ainda melhor porque apesar de estar fora de horário, ainda estavam servindo almoço.

Comida simples e caseira teria sido sorte novamente?

Ao terminar de almoçar o proprietário da borracharia já tinha sido informado do serviço a ser feito e estava tudo preparado para irmos até o Fuv.

Somente um detalhe não me agradou, ele não tinha um veiculo para que fossemos até lá.

Mas isso poderia ser contornado com mais facilidade do que retirar a roda sem o equipamento que ele possuía.

Pensei em fretar algum veiculo e ele então disse... vamos na minha moto.

Moto ? Em duas pessoas até seria possível, mas como levaríamos o equipamento que estava em uma caixa metálica e era pesado.

Somado ao fato de que, eu nem cogitaria a possibilidade de fazer aquele trajeto de moto.

Meu receio seria o risco que uma moto oferece numa estrada com vários buracos mesmo no asfalto existiam “panelas” enormes.

Sempre tive muito cuidado com os riscos que uma moto oferece.

Apesar de no passado ter possuído algumas motos e minha habilitação permitir pilotar este tipo de veiculo também eu gostava no passado de pilotar como lazer e por pequenas distancias em locais apropriados.

Me assustava sofrer uma queda.

Quando se perde o movimento de alguma parte do corpo como eu perdi no passado o movimento das duas pernas, nos tornamos mais cuidadosos, eu como considero que fui agraciado pela misericórdia de Deus que me deu uma segunda chance de recuperar estes movimentos, estava com medo de colocar a perder esta condição de levar uma vida normal.

Tenho em meu corpo uma estrutura em titânio com uma porção de parafusos que pode ser vista nas fotos laterais deste site.

Esta sugestão de ir de moto não estava me agradando nem um pouco.

Disse então a ele que fosse com a moto e já fui apontando a direção que ele deveria seguir.

Eu seguiria assim que conseguisse uma carona de algum veiculo.

Ele então insistiu, tive que explicar a ele o motivo do meu receio, era a cirurgia que fui submetido e os parafusos em minha coluna.

Ele entendeu, mas mesmo assim insistiu novamente dizendo que iríamos de vagar e que não teria perigo algum.

Pensei então... ele esta ciente do motivo do meu receio. Acreditei que ele seguiria devagar, até porque alem de tudo eu tinha nas mãos uma mochila que continha documentos e demais coisas que não quis deixar no caminhão, teria que segurar também a caixa metálica com o pesado equipamento. 

Eu teria que ir sem capacete e sentar na garupa da moto com uma mochila numa das mãos e a pesada caixa na outra. Como eu iria me segurar? Não teria como, somente poderia apoiar nos apoios de pé das laterais.

Quanto mais imaginava como seria mais resistência em tinha em ir de moto.

Somente a preocupação em ter deixado o caminhão sozinho sujeito a uma serie de riscos para me forçar a ir naquelas condições.

Imaginei que estava ficando tarde e caso não conseguisse a carona rapidamente iria anoitecer sem que o problema fosse resolvido.

Não tinha muito tempo teria que decidir rapidamente ou correria também o risco de perder a ajuda que estava sendo oferecida.

Pedi então a Deus que nos protegesse e recomendando que fossemos devagar apoiei a pesada caixa em uma das pernas e a mochila na outra sentado na garupa da moto sem me segurar em nada a não ser o apoio dos pés, logo que começamos a andar meus pés suavam e começaram a escorregar, devido ao calor e eu estar calçado com um chinelo havaiana.

Então este apoio não estava mais sendo eficiente.

Não bastasse tudo isso a promessa de ir devagar não foi cumprida.

Mesmo estando nos dois sem capacete, o borracheiro que agora seria nosso piloto, nem um óculos possuía, mesmo assim ele pilotava em alta velocidade.

A velocidade fazia com que o vento enchesse nossos olhos de água.

A cada instante o piloto virava sua cabeça para o lado para poder escorrer a água que estava impedindo sua visão.

Pensei então... Estamos em suas mãos Senhor seja o que for a sua vontade.

Foi uma experiência e tanto uma distancia que parecia não acabar.

Mas como para tudo existe um tempo, acabamos chegando ao local onde estava o Fuv.

Vamos lá então.

Com o equipamento adequado não foi tão difícil, a roda foi substituída pelo estepe e segui até a borracharia para terminar o reparo reapertar a roda e pronto. Eu estava novamente em condições de seguir meu destino.

Mais algumas pessoas conheciam agora meu testemunho... Dei meu óculos de sol de presente ao borracheiro e recomendei que usasse mais proteções ao pilotar sua moto.

Fica assim mais um amigo no caminho. Viver certos tipso de situações nos permite criar algum laço de amizade e foram muitos os amigos que pude fazer nestes anos nas estradas.

Muitos destes amigos sensibilizados pelo testemunho que levei e surpreendidos pelo poder de Deus que me capacitou a estar desempenhando aquela função.

Passei ainda por estradas ruins até chegar a Redenção no Para, passei por pontes que nem em pensamento se pode imaginar que por ali passam caminhões.

Nossos governantes deveriam fazer suas viagens de campanha eleitoral pelo pais a bordo de caminhões, de preferência carregados.

Quem sabe se vivessem esta experiência, depois de eleitos teríamos estradas melhores e mais respeito aos profissionais que passam suas vidas levando o desenvolvimento e todo tipo de recurso até os lugares mais afastados, não somente caminhoneiros, mas temos todo tipo de profissional envolvido em atividade que os obriga a trafegar pelas estradas deste país não importando as condições que elas ofereçam.

Ao chegar em Redenção precisava comprar pneus novamente, não consegui.

Então fui informado que caso decidisse ir pelas estradas que ofereciam o caminho mais curto eu estaria sujeito a estradas piores do que havia encontrado até chegar ali.

E agora tanto transtorno, deste que aceitei ir buscar aquele complemento.

Mais prejuízo, agora seria obrigado a rumar em uma direção quase que oposta ao meu destino em busca de melhores condições de estrada.

Representava um dia a mais de viajem, mesmo assim seria a decisão mais inteligente a ser tomada.

Rumo ao Tocantins agora, para pegar a estrada Belém Brasília agora era meu destino.

Depois de chegar tão próximo a Belém fui obrigado a voltar em direção do Tocantins.

Do contrario estaria sujeito a estradas piores do que havia passado e com alto índice de assaltos.

Levaria então mais dois dias para chegar a Belém.

Esta é a rotina de muitos que trabalham honestamente para ganhar seu sustento e justificar sua existência.

Infelizmente por desconhecimento, estamos sujeitos a julgamentos errados e a suspeitar da integridade e da honestidade do profissional que esta na estrada.

Cabe lembrar que comportamento inadequado não é encontrado somente em uma categoria , mas sim em todos os níveis sociais e profissionais.

No restante do percurso tudo transcorreu dentro da normalidade, e apesar de tudo consegui entregar minha carga e honrar meu compromisso.

Vamos então a próxima....

Sábado, 05 Janeiro 2013 23:08

Continuando...Viajar é preciso...

Ao pensar em um titulo para dar inicio a mais uma Historia, ou seja, contar mais uma viajem , pensei ... Oque é realmente importante? Deveria iniciar colocando o numero referente a sequencia que seria a quarta viagem? Numerar as viagens ou contar às coisas que aconteceram?  Conclui que é mais importante contar às coisas que marcaram de uma forma ou de outra na minha vida e também na vida das pessoas que Deus colocou em meu caminho.

Pensando desta forma e pedindo que a fonte suprema me inspire a seus serviços me veio à lembrança.

Depois de algum tempo de descanso em casa na companhia de meus queridos, se faz necessário justificar novamente a minha existência como costuma dizer meu amigo o poeta Pimenta. 

Dando graças a meu criador que me capacita para toda a obra fui buscar novamente uma carga para obter o necessário para a manutenção da família.

Surgiu então uma carga para Barra do Garças no Mato Grosso.

Carreguei em Bela Vista de Goiás e pela madrugada lá estava eu novamente na estrada.

Como é bom dar graças a Deus por tudo que recebemos, ao fazer isso não importa qual seja nosso trabalho, conseguimos executa-lo com prazer.

Carreguei em Bela Vista de Goias para Barra do Garças MT. Desta vez a distancia era pequena entre a origem e o destino da mercadoria coisa de 400 km.

Sem problemas percorri rapidamente o percurso e logo estava com o caminhão vazio novamente. Vamos então buscar uma carga de retorno. Eis a questão não existia carga de retorno. Então restava analisar as alternativas, depois de ouvir as informações sobre carga, a decisão mais racional seria seguir para uma cidade mais distante mesmo que isto me afastasse mais de nossa casa.

Carreguei então para uma cidade chamada Canarana estado do MT. na esperança de lá conseguir um retorno. Tudo transcorreu dentro da normalidade, mas o que me chamou a atenção e gostaria de dividir foi o desabafo que ouvi de uma Mãe.

Costumo guardar o dia de Sábado conforme esta determinado nos 10 mandamentos Bíblicos. Era uma sexta feira e então busquei preparar as coisas que iria precisar para o dia seguinte. Pensei em fazer um churrasquinho na beira de um rio que encontrasse na estrada e desta forma fui à busca dos preparativos. Tinha uma cozinha no caminhão, mas me faltava o gás para poder usar o fogão. Buscando resolver isso entrei em uma loja que vendia vários produtos relacionados, não encontrei o que procurava, mas comentando com a Senhora Que me atendeu que a utilização do gás seria em uma cozinha de caminhão, aquela Senhora começou a me contar sua Historia. Na verdade era a historia sobre a vida do filho desta senhora.

Contou-me que seu filho havia sido caminhoneiro e com um semblante triste relatou a tragédia que aconteceu com ele.

Conforme ela contava seu filho era caminhoneiro já há bastante tempo e havia conseguido bons resultados pelo seu esforço nas estradas. Disse ela que aos poucos ele foi adquirindo mais alguns caminhões, más ele continuava sendo um dos motoristas. Um dia quando já possuía três conjuntos de caminhões de grande capacidade de carga, como era de costume seguia viajem em comboio com os demais caminhões que possuía.  Não me recordo dos detalhes, mas por alguns momentos ele se distanciou dos outros caminhões, e acabou sendo assaltado. 

Segundo contava sua mãe ele era muito esforçado na sua atividade, mas tinha alguns cuidados que não tomava com sua saúde.

Algo não estava normal em sua saúde e ao ser abordado pelos assaltantes acabou sofrendo um mal súbito e faleceu. Enxerguei na expressão do rosto daquela senhora que não havia sido somente seu filho a vitima naquela tragédia, percebi que ela própria havia morrido com seu filho, não fisicamente, mas em sua maneira pela qual contava o que seu filho foi e como foi abreviada sua vida podia-se perceber o quanto uma mão sofre numa tragédia como esta.

Parecia que sua alegria de viver havia acabado com este acontecimento. Isso me levou a refletir, pois lembro sempre da minha Mãe e o quanto sei que sou importante para ela.

Pergunto-me... Quantos já experimentaram esta dor e peço como diz minha querida Mãe que Deus nos livre e guarde deste tipo de acontecimento. Infelizmente a vida nas estradas como caminhoneiro ou em qualquer atividade tem seus riscos. Mas maior é nosso Deus que nos protege a todo instante. Como é bom sentir que Deus esta conosco e nos sentirmos protegidos. Viajei por quase todo o pais e não senti medo, pois estava sempre buscando em Deus andar em seu caminho e percebia que ele me conduzia no meu.

Isso sempre me traz a lembrança uma frase que ouvi muito tempo atrás, não sei exatamente em que parte da Bíblia esta escrito, mas sei que esta na Bíblia. A frase é a seguinte “Deus não é homem para que minta” escrevi esta frase na testeira de meu caminhão.

Quer dizer o seguinte.

Se andarmos segundo o que Deus nos orienta através da sua palavra ele estará sempre conosco. E Deus não é homem para que minta, então pode ter certeza faça isso e coloque a prova. Deus estará sempre com aqueles que o buscam agindo segundo a sua orientação.

Continuando a contar a viagem...

Daqui em diante considerando como sendo a quinta viagem....

Meu destino agora era Araguari Minas Gerais, estava carregado com soja de Canarana MT  para  Araguari MG.

Esta foi a única vez que carreguei uma carga a granel foi de soja a granel a única carga que estava disponível naquela cidade.

O meu caminhão tinha capacidade de carga menor que a dos costumeiros Bitrens e Rodo-trens graneleiros que costumam carregar este tipo de carga, mas para minha sorte,  seria sorte ou providencia ? Aceitaram carregar o meu caminhão também, do contrario teria que esperar outro tipo de carga e isso poderia demorar sabe-se lá quanto tempo.

Mas felizmente esta carga me levaria para casa novamente, estaria passando por Goiânia carregado e depois Iria para Araguari. Depois de ficar em casa no final de semana me apresei em descarregar , mesmo tendo chegado em Araguari a noite era perto de meia noite quando cheguei, a principio pensei em dormir no primeiro posto que encontrei, estava frio e tinha bastante neblina.

Logo que parei o caminhão veio ao meu encontro uma mulher oferecer sua companhia, era muito jovem e também muito bonita, estava vestindo um pesado casaco daqueles usados em climas muito frios. Ao se aproximar da cabine do caminhão, ao mesmo tempo que falava comigo já foi abrindo seu casaco e mostrando seu corpo que estava completamente despido.

Pensei então, oferecimento tentador, disse isso a ela, mas se eu aceitasse estaria cedendo a tentação e esta fraqueza, já me causou muito arrependimento no passado e me afastou de Deus. E depois sempre vinham as consequências, no mínimo muito peso na consciência. Se tudo na vida são provas então eu teria que vencer esta prova.

Sempre tive muita pena de quem esta numa condição como a daquela jovem, acho difícil julgar a atitude de quem se coloca nesta condição. 

É fácil acusar, mas será que as circunstancias da vida deixam opção ?  Acredito que, em muitos casos possa ser a falta de capacitação para o trabalho, algumas pessoas chamam  estas mulheres de mulher da vida fácil, mas penso que não deve ser fácil, ter que se sujeitar a todo tipo de risco ao qual estas pessoas estão se expondo, pode ser um preço muito alto a ser pago. Prefiro Não julgar.

Prova vencida.  Nisto encontrei um motorista andando no patio do posto e fui pedir informação sobre o local onde deveria descarregar fiquei sabendo que o descarregamento era 24 horas. Esta noticia me levou a buscar o local e descarregar ao invés de dormir, normalmente existem filas enormes para descarregar soja e o quanto antes eu fosse para fila, maiores as chances.

Decisão acertada, era mais ou menos duas horas da madrugada e eu já estava descarregando, talvez devido ao frio e a neblina muitos escolheram dormir e isso me beneficiou.

Ainda pude dormir um pouco antes de amanhecer e tão logo acordei pensei, aonde seria o ponto mais próximo para carregar novamente. Como eu sabia que em Uberaba existiria carga de novo para Goiânia e eu não estava muito distante, apesar de ter que andar vazio o que não seria uma boa ideia, desejando carregar novamente, nem pensei muito e acelerei pra lá.

Sábado, 01 Dezembro 2012 18:02

A Terceira Viagem
(esta é curtinha)


Havia acabado de chegar da Bahia e estava em Uberlândia Minas Gerais, apesar de menos distante de casa, ainda seria necessário arranjar outro frete para acabar de chegar até Goiânia Goiás onde residia naquela época.

Era domingo e eu estava em um posto de gasolina, esta é a rotina do caminhoneiro.
Em minha opinião esta é a parte chata da vida do caminhoneiro, ficar parado em um posto. Isso foi sempre o que mais me aborreceu.

Nos momentos em que não estamos trabalhando o maior desejo é estar na companhia de nossos queridos, este é sempre o meu desejo, mas nesta vida nas estradas, e nesta atividade de caminhoneiro não e possível que seja sempre desta forma.

Eu sempre me esforcei para conseguir cargas que me permitissem entre um destino e o outro passar em minha casa.
Sempre procurei quando estava com o caminhão vazio alem de encontrar a carga com valores justos cronometrar o roteiro com este objetivo voltar para casa.

Por vezes a maioria acaba se deslocando com o caminhão vazio por distâncias muito grandes para poderem voltar para casa. Este ato acaba por comprometer o lucro da viagem anterior.
Fiz isso algumas vezes más somente após considerar o prejuízo tomei esta atitude.
Nesta ocasião resolvi esperar a segunda feira para arranjar uma carga. Mas de repente apareceu uma oportunidade de carregar ainda no domingo. Pensei vou nessa, teria que andar ainda perto de duzentos quilômetros com o caminhão vazio até a cidade onde eu iria carregar. Isso não me atraia más ficar ali parado no posto me agradava menos ainda.

Era uma carga de soja que eu iria carregar e após pegar a ordem de carregamento me dirigi à cidade de Campo Florido. Chegando lá diferente da promessa de “chegar e carregar” como é de costume ouvir, já não estavam carregando mais e tinha já alguns caminhões parados esperando em fila.

Fui então tomar conhecimento do motivo e fui informado que estava parado o carregamento devido a um problema com a emissão da nota fiscal. Perguntei e agora? Fizeram-me andar com o caminhão vazio toda esta distancia para perder a viagem?
Responderam-me que não tinham previsão de normalizar a liberação das notas fiscais.
Pretendiam recomeçar o carregamento no inicio do dia seguinte e informaram se caso eu e os que estavam na minha frente quisesse-mos poderíamos carregar, mas somente seriamos liberados para viajar quando fosse emitida a nota fiscal, e como o problema era com o sistema da Sefaz eles não assumiam nenhuma responsabilidade.

Como se costuma dizer “puxa vida“ e agora o que fazer? Já andei tudo isso para vir até aqui e para piorar esta cidade era no sentido contrario a direção onde eu morava, caso fosse na mesma direção estaria quase em casa e terminaria de chegar em casa com o caminhão vazio mesmo.

Mas acabou que aquela tentativa para retornar para casa mais rápido e não ficar parado no posto me afastou ainda mais do meu objetivo. Diante de não haver uma previsão segura de conseguir carregar e não saber quanto tempo isso poderia demorar decidi que não adiantaria ficar ali naquela cidadesinha, ali tinha somente aquela empresa e seria a unica opção para conseguir carregar então me dirigi para Uberaba- MG.
Ao chegar a Uberaba me informei nos postos como de costume e fiquei sabendo onde haveria possibilidade de conseguir um frete. Informaram-me que ali existia uma empresa de grande porte que costumava ter carga para toda a região e até outros estados. E que também carregavam em horários ininterruptos chegando a carregar durante a noite.

Fiquei animado e fui ao encontro da transportadora que contratava os fretes. Fiquei feliz porque tudo estava se encaminhando para a minha volta para casa. Ao ser informado das cargas e destinos disponíveis fiquei mais feliz ainda porque havia uma carga para minha cidade e vizinhança.

Vamos ver então o preço que estão oferecendo pensei comigo. Até aqui tudo estava uma maravilha. E o preço do frete? Ao saber o valor que estavam oferecendo pensei comigo, que legal o preço esta razoável, tudo estava muito bom, então eu já havia aceitado o valor e combinado tudo, tinha em mãos a ordem para carregar e faltava agora aguardar a minha vez e fui para fila.

Ai então nestas filas de espera é que eu me informava melhor sobre as particularidades de cada carga e também aproveitava sempre que surgia a oportunidade e Deus colocava alguém com este objetivo eu contava meu testemunho e entregava mais um dos livrinhos com a "Minha Historia" ali também aconteceu desta forma, fiz mais alguns amigos.

Estava tudo otimo então fiquei sabendo que a carga requeria um cuidado especial por tratar-se de chapas de MDF com um acabamento muito liso e este acabamento fazia com que as chapas escorregassem com grande facilidade caindo para fora da carroceria do caminhão ao menor descuido com uma curva ou ao frear causando acidentes.

Fui alertado pelos companheiros que já havia acontecido acidentes na primeira rotatória que ficava a menos de 1 km do local onde era feito o carregamento. Como se diz no nordeste “VIXI” e agora fazer o que, depois de tudo isso, e já estar aqui e estar tudo encaminhado vou carregar... Se os outros carregam eu também posso.

Claro que assim foi, carreguei as chapas com certo receio e confesso que segui viagem mas com todo cuidado e mais um pouco rsss...

Ainda bem que não era muito distante estava agora por volta de 350 a 400 km de distancia de casa e depois de quase duas semanas que havia saído estava quase chegando.

Neste periodo eu havia percorrido quase 5.000 km e fiz o seguinte percurso:
Cuiaba-MT para Salvador-BA  -/-  Salvador para Alagoinha -/-  Alagoinha para Uberlândia -MG Uberlândia para Campo Florido -MG - /- Campo Florido para Uberaba –MG - /- Uberaba para Goiânia – GO

Quando cheguei em casa faltavam apenas 2 km para completar 5.000 km desde o inicio da primeira viagem.
Somente após carregar pela terceira vez que consegui retornar.
Somente depois de três cargas carregadas consegui retornar para casa 

Sábado, 03 Novembro 2012 23:02

 

Dando continuidade ao Diário de Bordo vamos então a segunda viajem.

A Segunda Viajem foi de Salvador na Bahia para Uberaba em Minas Gerais.

Estava em Salvador na Bahia havia feito à entrega da carga da primeira viajem e precisava agora seguir adiante.

Então começa tudo novamente, encontrar uma carga, mas aonde? Perguntar nos postos de combustível, este é o primeiro passo, a pergunta é onde posso encontrar uma agencia de cargas ou transportadora. Ouvindo as indicações encontrei um posto onde concentrava um grande numero de agencias de cargas e transportadoras. Comecei então a ler nas placas que costumam usar para oferecer as cargas, utilizam placas com a semelhança de quadros negros ou até mesmo pintam nas paredes um espaço com tinta preta e escrevem com giz a cidade de origem e a cidade de destino da carga e qual o tipo de caminhão adequado, alguns colocam também o preço que estão oferecendo pelo transporte.

Este é o momento onde é preciso todo raciocínio, ou ao invés de carregar para obter um resultado favorável, ou seja, ganhar a sobrevivência pode acontecer exatamente o contrario, ou seja, prejuízo na certa.

Infelizmente o que constatei é que não existe um critério justo que defina o preço para este serviço. Deveria haver um critério que considerasse o preço do combustível o desgaste de pneus e também do caminhão, tempo necessário para percorrer a distancia entre o local de origem do carregamento e a cidade de destino. Se estes critérios fossem respeitados, se houvessem regras e fosse aplicada, isso diminuiria em minha opinião o numero de acidentes nas estradas.

O que é comum acontecer caso não se tome muito cuidado é carregar um frete que mal pague para cobrir o custo do combustível, isso acontece devido a muitos não fazerem os cálculos antes de carregar. Ocorre também quando o pagamento do motorista sendo empregado tem como referencia uma porcentagem do valor do frete, então seu raciocínio fica limitado a quanto ele vai receber pelos seus serviços, não digo que todos pensem desta forma com certeza aqueles que se preocupam com a continuidade de seus empregos não agem desta forma.

O habito de aceitar um frete sem fazer os cálculos e constatar se realmente vai haver o lucro necessário é o responsável pela exploração que existe em relação aos preços oferecidos os contratantes costumam dizer que o preço é aquele mesmo e que se um não aceitar outro irá aceitar e assim fica explicada a defasagem que existe no preço dos fretes.
Eu sou testemunha desta defasagem, desde 2009 quando comecei a viajar com o Fuv os preços oferecidos na maioria ainda são os mesmos, alguns até piores. Mesmo tendo havido vários aumentos nos preços de combustível e consumível como pneus etc.

Quando após ter carregado seu caminhão se conscientizam que o preço aceito vai dar prejuízo, os motoristas que carregam sem antes terem feito o calculo, vão procurar compensar o prejuízo de alguma forma, e esta forma normalmente acaba sendo diminuindo o tempo de viajem.

Mas ai é que surgem os acidentes, como diminuir o tempo de viajem sem aumentar a velocidade e diminuir o tempo de descanso. Isso não é possível, aí é que entram os famosos rebites, e infelizmente não para nos rebites, existindo também as drogas pesadas que cada vez mais são utilizadas para tentar estender o tempo acordado ao volante do veiculo.

Acredito que todos já devem ter ouvido a palavra “rebite”, mas, para quem não sabe do que se trata são medicamentos para inibir o sono.

Grande parte dos acidentes ou a seja a maioria dos acidentes acontecem por conta de excesso de velocidade e pelo motorista estar sob efeito de alguma droga.

Vejam só a poucas linhas atrás contei da falta de regras para remunerar este tipo de prestação de serviço. Então porque não se busca evitar o problema na origem criando e fazendo com que sejam aplicadas regras justas, desta forma estariam sendo evitados ou pelo menos diminuiria grandemente o numero de pessoas que perdem suas vidas e tem suas famílias destruídas nos acidentes nas estradas. Diminuiria também em números inimagináveis os gastos que o governo tem quando estes acidentes acontecem. Hoje estamos presenciando discussões a respeito da aplicação de uma lei que limita o numero de horas que um motorista pode dirigir.

Em minha opinião este é um passo positivo para a solução deste problema, mas pra minha surpresa esta havendo resistência da parte dos motoristas.

Porque esta resistência? A resposta é porque a diminuição das horas representa uma redução na renda, ou seja, no ganho de cada motorista. Isto não aconteceria se o valor pago fosse justo.

Esta aí explicado o raciocínio, procuram compensar os valores serem insuficientes dormindo menos mesmo que para isso coloquem a sua própria vida em risco mas infelizmente colocam também em risco a vida de muitos inocentes que acabam sendo vitimas nos acidentes.

Perdoem-me se ao invés de contar a historia das viagens faço minhas considerações a respeito de assuntos como este.

Vamos adiante então.

Ao encontrar o posto com as agencias de carga li atentamente as ofertas que ofereciam e percebi que nenhuma me serviria.  

Fiquei sabendo que mesmo os valores oferecidos sendo inferiores ao esperado, exigiam um credenciamento que somente é fornecido por empresas seguradoras de risco de carga, este tipo de seguradora faz um cadastro minucioso do motorista, pedindo e confirmando muitas informações como referencias pessoais e comercias, não liberam o credenciamento caso haja alguma restrição como Serasa, SPC títulos protestados etc... Cada seguradora com seus critérios próprios e estes cada vez mais rígidos de acordo com o valor da carga que será transportada.

Pensei então, existe uma descriminação em relação ao profissional chamado motorista.

Será que todos sabem que para exercer esta atividade existem critérios tão rígidos?

Claro que existem cargas onde não se aplicam estas exigências, mas em contrapartida oferecem menos segurança no recebimento do frete ou por se tratar de mercadorias de valor menos elevado.

Foi este o meu caso, como ainda não havia sido credenciado por nenhuma destas seguradoras me deparei com dificuldade dobrada, arranjar uma carga com preço compatível apesar da minha falta de credenciamento.

Ciente desta realidade e que o ambiente deste posto onde me encontrava não inspirava ser seguro, pois havia ali prostituição, jogo de cartas, pessoas de toda espécie.

Em toda atividade sempre existe esta mistura, cabe a quem não se enquadra buscar outro lugar. Foi o que fiz, fui em busca de um local mais adequado.

Como já era final de tarde e inicio da noite me informaram que deveria ir até Camaçari.

Esta era a opção mais próxima, chegando lá percebi que não havia mudado muito o quadro.

Mas já estava cansado e teria que dormir em algum lugar.

Pense então num lugar onde é cobrado para estacionar seu caminhão, mas nem sequer oferecem um banheiro descente e limpo.  Infelizmente isso é comum em todo o Brasil à falta de lugares que ofereçam um mínimo porque não dizer de respeito pelo profissional motorista.

Amanheceu o dia e estava fazendo novamente o de praxe, lendo placas e fazendo contas.

Quando encontrei uma carga melhor mesmo sendo seu valor ainda incompatível, veio então o empecilho da falta de credenciamento. Não restando opção busquei então me credenciar, apesar de que isso demoraria um tempo não muito pequeno alem do valor que teria que pagar pelo credenciamento. Mas cumpri as exigências e fiquei aguardando a aprovação.

Como o processo demorou me parece que a carga já havia sido destinada a outro pretendente.

Estava aguardando o credenciamento e ao mesmo tempo buscando o que carregar.

Pensei então, já fiz tudo que estava ao meu alcance, assim sendo Deus que conhece minha necessidade há de prover o que esta alem da minha capacidade.

Surgiu então um motorista procurando um caminhão para transportas o seu caminhão que havia tombado. Oferta de preço e negociações de ambas as partes, mas não chegamos a um acordo. Passava o tempo e não saia o credenciamento e a falta de perspectiva de arranjar algo melhor me levou a retomar a negociação e conseguimos entrar num acordo.

Havia então conseguido a minha segunda carga. Iria ter que me deslocar de Camaçari até Lagoinha onde estava o caminhão sinistrado.

Foi então durante este percurso que conheci melhor o meu companheiro que iria comigo até Uberaba Minas Gerais onde ficava a empresa dona do caminhão que ele dirigia.

Era ele um jovem entre seus trinta e poucos anos, vou chama-lo de Valdir.

Conversamos sobre vários assuntos até que surgiu o momento em que contei a ele sobre a cirurgia que precisei fazer e como eu atribuía a Deus o fato de poder estar ali desempenhando aquela função.

Quando falamos de Deus o Espírito Santo se torna presente e isso nos sensibiliza a refletirmos a respeito de nossas vidas. Então o Valdir começou a me contar como havia acontecido o acidente que tombou seu caminhão. Estava me contando e a todo o momento tocava seu celular, eu podia perceber pela conversa, que ele estava falando com alguma namorada. Então ele me contou que viajava pelo Brasil fazendo na maioria das vezes a linha do nordeste.

O que acontecia era que sendo ele jovem e conduzindo um caminhão grande e novo com uma cabine super chamativa e confortável. Ficava fácil para ele aproveitar a situação para fazer suas conquistas. Era muito fácil segundo ele conseguir namoradas por onde passava. Mas a que preço, esta era a pergunta em questão.

O Valdir já era comprometido, tinha esposa e uma filha de se não me engano oito ou nove anos. Dizia gostar da esposa, mas seu comportamento esta afastando um do outro.

Ele já estava considerando praticamente acabado seu casamento, dizendo que quando estava com sua esposa acabavam se desentendendo. Contava isso com uma expressão de tristeza que demonstrava que não desejava que isso acontecesse realmente.

A cada instante tocava novamente o celular e era outra de suas conquistas.

Então ele me confessou que não conseguia controlar o impulso que o levava a buscar novos relacionamentos, mesmo estando ciente que isso não era certo e que estava prejudicando sua vida.

Ao lembrar e falar de sua família ficava visível sua tristeza ao falar de sua filha e mostrar sua fotografia. Ele percebia que caminhava para o afastamento e isso iria fazer sua filha sofrer.

Então comentei com ele que eu também vivi situações em minha vida onde cometi erros e que se assemelhavam a situação que ele estava vivendo. (conto em minha historia).

Mas contei a ele que sempre busquei manter um vinculo que me impedisse de me afastar de Deus a ponto de não haver mais volta, que agradecia a Deus por ele não ter permitido meu afastamento total.

Então ele me perguntou como poderia fazer para controlar seus impulsos.

Comentei com ele então sobre um ditado popular que diz “Não se deve amarrar cachorro com linguiça”. Perguntei se ele entendia o que significava, estando ele meio confuso com a minha pergunta achei melhor explicar. O que aconteceria se amarrássemos um cachorro com linguiças. De pronto ele me respondeu que o cachorro comeria as linguiças.

Disse pra ele isso é o que acontece com você.

Você é o cachorro e tuas conquistas são as linguiças, sabendo que você não resiste ou não consegue controlar seus impulsos, o que deve fazer e não se amarrar com as linguiças.

Como assim ele me perguntou? Respondi a ele, evite as situações que te colocam diante da possibilidade de sucumbir pela tua fraqueza.

Costumamos errar ao pensar que iremos tomar a decisão certa e agir da maneira certa ao sermos colocados à prova em nossas fraquezas. Normalmente o impulso nos leva a fracassarmos.  Melhor então é evitar estas situações. Seria absurdo se um alcoólatra decidisse morar dentro de um boteco, assim também é um absurdo estarmos em ambientes onde as pessoas buscam coisas que não nos convém.

Esta comparação despertou no Valdir sua percepção entre certo e errado.

Começou a refletir e concluiu que era exatamente desta forma que ele estava fracassando.

Então toca novamente seu celular, daí ele olhando o numero de quem estava ligando disse, é outra linguiçinha e sorriu. Daí por diante a cada ligação ele comentava ser uma das linguiçinhas.

Mas comentou que estava triste com o rumo de sua vida e a separação da família que estava por ser a consequência de seu comportamento. Disse que se pudesse evitar que isso viesse a acontecer tentaria o que estivesse ao seu alcance, mas comentou estar preocupado que já não houvesse mais possibilidade.

Perguntei a ele se ainda havia amor entre ele e a esposa ele comentou que sim, que ainda gostava dela e acreditava que ela também gostava dele.

Então respondi que assim sendo sempre seria possível corrigir a situação, o orientei que conversasse com a esposa abrisse seu coração, e pedisse perdão a ela e tudo se resolveria.

Percebi em sua expressão um ar de contentamento diante desta possibilidade.

Durante nossa jornada até o local onde estava o seu caminhão, ele me fez um oferecimento.

Contou detalhes do acidente como aconteceu e sua sorte em ter saído praticamente ileso, tinha somente algum esfolado e alguns arranhões, explicou que ainda havia conseguido evitar que o combustível fosse derramado dos tanques do seu caminhão. Disse vou vender barato o óleo diesel que ficou pra você pra você por em seu caminhão. Justificou dizendo, Iria derramar mesmo. Não prestei muita atenção quando ele me oferecia, estava mais empenhado em fazer com que ele refletisse sobre sua vida e tentasse corrigir seus erros.

Chegamos então ao posto da policia rodoviária onde estava guardado o caminhão sinistrado.

Por tratar-se de um conjunto de cavalo trator e carreta eu iria levar o cavalo em meu caminhão e a carreta furgão ou o que sobrou dela seria levada por outro caminhão.

No percurso ele já havia avisado por telefone ao serviço de guincho que estávamos a caminho e combinou para estarem lá e colocarem o cavalo em cima de meu caminhão. Chegamos e nada do pessoal do guincho. Esperamos algum tempo e como já iria escurecer decidimos ir atrás deles. Estava-mos na base do serviço de guincho e ele se lembrou do óleo que queria me vender e providenciou um tambor e mangueira para retirar.

Estávamos todos no posto policial e providenciando o carregamento, quando percebi que o Valdir estava tentando colocar o óleo diesel que ele já havia retirado de seu tanque em meu caminhão. Aquela cena me espinhou a consciência. Diz um ditado que se alguma coisa estiver nos espinhando a consciência é porque estamos fazendo algo errado.

Argumentei com ele então a respeito dizendo que não achava certo que ele me vende-se aquele combustível, que não pertencia a ele, mas sim a empresa da qual ele era funcionário.

Ele novamente argumentou que o combustível iria derramar e ele havia conseguido evitar a perda e que este prejuízo seria coberto pela seguradora e que a empresa não seria prejudicada por conta disso.

Mesmo assim eu não estava me sentindo bem em aceitar e disse que preferia que ele não colocasse aquele combustível em meu caminhão. Mas ele insistia.

Porem sua tentativa não estava sendo bem sucedida ele havia colocado o tambor com o óleo diesel em cima de uma carreta sinistrada que estava ao lado de meu caminhão para poder derramar por gravidade utilizando a mangueira.

Mas vejam só, a mangueira não alcançava, teria que ter mais uns 20 centímetros para que isso fosse possível.

Foi então que ele me pediu para manobrar o meu caminhão para ficar mais próximo e possibilitar a transferência. Relutei mas fui quase que obrigado a atender seu pedido.

Ele argumentou que permitisse colocar somente o que estava no tambor, pois não teria o que fazer com o seu conteúdo. E deixaria o restante nos tanques onde estavam em seu caminhão.

Confesso ter errado, pois não deveria ter atendido a sua pressão. Mas ao tentar ligar o motor do caminhão adivinhem o que aconteceu.

O Fuv que é como eu chamo nosso caminhão não funcionou.

Varias tentativas foram feitas e nada, o fuv não funcionava. Até mesmo o pessoal do serviço de guincho que estava bastante acostumado a lidar com problemas semelhantes havia tentado de tudo, alem de mim e do Valdir eles também tinham procurado o problema, mas não havia nada errado na parte elétrica ou qualquer parte do sistema de acionamento. Tudo parecia estar em ordem e o Fuv não funcionava.

Depois de varias tentativas todos resolveram desistir. Chamaram-me para irmos para a base do serviço de guincho para dormirmos.

Me disseram que traríamos no dia seguinte conosco um eletricista pra resolver o problema e fazer o Fuv funcionar.

A esta altura eu estava todo sujo, tinha me deitado em baixo do caminhão e estava alem de sujo de graxa e de óleo diesel com o meu corpo cheio de terra que tinha grudado no meu suor. Mesmo assim recusei o convite e preferi ficar ali junto com o Fuv.

Depois de refazer as ligações desmanchadas e deixar tudo como estava, sentei no banco e me debrucei ao volante já exausto.

Então comecei a refletir sobre tudo aquilo, o que teria acontecido com o Fuv o sistema de acionamento dele estava perfeito até aquele momento. Foi então que fiz uma oração pedindo a Deus que me mostrasse por que tudo aquilo estava acontecendo.

Foi como se a resposta já estivesse em minha mente e eu ainda não havia percebido.

Minha lembrança me levou ao meu passado quando eu ainda estava tentando vender ou trocar a nossa casa por um caminhão, lembrei que, em oração havia pedido a Deus que estivesse sempre comigo e em todo momento me acompanhasse em tudo que eu fosse fazer não permitindo que eu me afastasse dele.

Tive então a certeza, a reposta que pedia na verdade já estava em minha mente, e era esta a resposta, o problema estava no combustível que o Valdir tentava colocar no tanque do Fuv.

Ele não havia conseguido colocar, mas entendi o que estava acontecendo.

Ali estava o problema.

Fui então pedir ao policial que me permitisse tomar banho no banheiro do posto policial.

Vendo a minha condição a maneira que eu estava sujo percebi que ele ficou aborrecido em ter que negar meu pedido. Argumentou que da parte dele ele permitiria, mas que seus colegas haviam proibido que fosse emprestado o banheiro deles a quem quer que seja.

Com certeza deve ter sido devido à sujeira que estes empréstimos causaram e devem ter sido eles obrigados a limpar.

Não tirei sua razão e até entendi o motivo. Mas e agora, com o corpo todo sujo e precisando urgentemente de um banho, mas não tinha a onde tomar banho.

O que fazer então, eu tinha um pequeno reservatório de água pendurado na carroceria do Fuv.

Quase todos os caminhoneiros colocam este tipo de reservatório para poder lavar as mãos e o chamam de “corote” não sei se este nome esta correto. Pensei esta é a única solução.

Fiquei seminu ao lado do caminhão e tive que tomar banho usando detergente de lavar louça para tirar à graxa e meu chuveiro era a torneirinha do corote.

Devido ao mal estar, não iria conseguir dormir, sujo como estava. Tudo bem mesmo tomando banho no corote agora já estava mais limpo, como estava antes não daria para deitar no banco do Fuv. 

Vesti-me e fui então entregar ao policial com quem havia conversado um livrinho que continha a minha historia. Conforme contei eu havia escrito a historia da minha vida e ao terminar de escrever entendi que era um testemunho e que eu deveria levar e entregar para as pessoas que Deus coloca-se em meu caminho. Para fazer isso eu mandava imprimir estes livrinhos em copiadoras e sempre procurava levar o maximo que fosse possível nas minhas viagens. Então fui tocado a entregar a este policial um destes livrinhos.

 Conversamos a respeito do milagre de eu estar andando e trabalhando como caminhoneiro. Mesmo pós ter perdido o movimento nas pernas e ter sido desenganado pelo medico que me deu alta dizendo que meu caso não tinha solução. Ali estava eu como disse ele, uma prova do poder de Deus, mostrei a ele a cicatriz que tenho nas costas obtida na cirurgia onde recebi oito parafusos na coluna. Isso sensibilizou o policial, ao falarmos de Deus o Espírito Santo age em nossas vidas e na vida da pessoa com quem estamos falando.

Então o policial com uma expressão de tristeza disse conhecer sobre a palavra que esta escrita na Bíblia e que apesar de conhecedor estava afastado. Demonstrou preocupação por ter se afastado e o desejo de buscar este caminho novamente.

Então depois de comentar o testemunho. Ele me perguntou qual era o problema com o meu caminhão.

Respondi a ele que o problema era com o óleo diesel. Ele então com uma expressão de espanto me perguntou, como assim? Perguntou se o meu caminhão estava sem óleo diesel? Respondi que não que o problema era com o óleo diesel do outro caminhão.

Daí ele disse que não estava entendendo como o óleo diesel do outro caminhão estava impedindo o meu de funcionar. Tive então que explicar a ele, o que já contei nas linhas anteriores, e a certeza que tive quando em oração recebi a resposta.

Tratava-se de uma coisa errada o que iríamos fazer e Deus havia impedido o Fuv de funcionar para que não possibilitasse a colocação do combustível que estávamos para por em seu tanque.

Terminamos a conversa concordando sobre o assunto e fui dormir.

Logo ao amanhecer fiz como de costume uma leitura da minha Bíblia, companheira de todas as viagens e fiquei esperando o pessoal do serviço de guincho chegar com o Valdir e o eletricista que ficaram de trazer para consertar o problema.

Chegaram então e não trouxeram um só mais duas pessoas com experiência para resolver o problema. O pessoal do guincho foi se ocupar da transferência e colocação do cavalo em cima do Fuv. Eu estava acompanhando o que os mecânicos iriam fazer e percebi que o Valdir havia trazido uma mangueira mais comprida e estava tentando novamente transferir aquele óleo para o tanque do meu caminhão.

Desta vez agi como deveria ter agido desde o principio, disse a ele em um tom determinante que não era para ele colocar aquele óleo no meu caminhão, que todo aquele problema que estava acontecendo e que me fez passar a noite ali era por causa daquele óleo.

Expliquei a ele como eu havia chegado àquela conclusão, ele relutou ainda, mas como percebeu que eu estava determinado desistiu de sua intenção.

Perguntou-me então, o que vou fazer com este óleo? Respondi a ele não sei o que vai fazer com o óleo diesel, mas neste caminhão você não vai colocar.

Nisso os mecânicos foram tentar dar a partida no caminhão para ver que tipo de barulho iria fazer e desta forma tentarem identificar a origem do problema.

Mas acreditem se quiser, o Fuv funcionou na primeira tentativa.

Todos ficaram espantados, menos eu que já estando convicto da origem do problema. Agradeci a Deus pela sua misericórdia por ele ter me perdoado permitindo que o Fuv funcionasse sem sequer precisar de nenhum reparo.

Comentei com eles sobre o que havia acontecido e todos ficaram com uma expressão de medo em seu semblante.

Às duas pessoas que foram com eles para consertar o caminhão, tendo ouvido o relato do que aconteceu ficaram também sensibilizados porque realmente não existia outra explicação.

Os mecanicos com certa inibição disseram que teriam que cobrar pelo menos um valor mínimo para cobrir seu deslocamento, paguei o valor do combustível que eles gastaram e um pouco mais que pediram pelo tempo gasto, e foram pensativos cuidar de suas vidas.

Acabamos então de carregar o cavalo em cima do Fuv e fomos até a base do guincho para terminarmos de amarrar o cavalo.

Tendo acabado e estando prontos para seguirmos nossa viagem, veio então o Valdir perguntando o que iria fazer com o combustível que havia tirado de seu caminhão.

Respondi a ele que entregasse ao pessoal do guincho, pois ele tinha um valor ainda a pagar a eles.

Vejam só o que aconteceu, ele ofereceu aquele óleo diesel para o pessoal do guincho que imediatamente recusou, dizendo que de forma alguma iriam receber aquele combustível.

Vejam só o temor que aquele acontecimento causou a eles.

Resumindo o assunto a solução que encontraram foi, utilizando cordas, levantar o pesado tambor com bastante dificuldade e colocar novamente aquele combustível no tanque do caminhão que havia tombado.

Seguimos então em nossa jornada rumo a Minas Gerais, sem que surgisse nenhum problema.

Conversamos muito durante a viagem sobre o que havia acontecido e outros assuntos e tudo transcorreu normalmente.

Ficou então mais um amigo e mais algumas pessoas tocadas pelo espírito santo a refletirem sobre suas vidas e seus hábitos.

Termina então a segunda viagem do FUV.

Domingo, 07 Outubro 2012 19:45

Pretendia escrever contando as historias das viagens em forma de diário contando as experiencias vividas em cada viagem por isso dei o nome de "Diário de bordo"

Mas quanto tempo já se passou desde a primeira viagem...Assim é nossa vida entre uma decisão e uma atitude pode passar muito tempo, talvez a nossa própria vida possa ter passado sem que coloquemos a decisão em pratica, então vamos lá...
Iniciar uma atividade é sempre um desafio, estava eu agora diante do desafio da primeira viagem com o "FUV" este foi o apelido que nosso caminhão recebeu de meu netinho quando ele tinha 3 anos, fuv éra para ele uma forma de abreviar o nome da marca do caminhão marca " Fuvsvaguem".

Escolhi a primeira carga levando em conta que precisava ganhar dinheiro para suprir as necessidades da família, estava unindo o útil ao agradável, pois gosto de viajar e conhecer novos lugares, escolhi carregar de Cuiabá - MT para Salvador na Bahia. Com um GPS e um mapa rodoviário nas mãos, lá vou eu. O FUV havia passado por reparos de motor e uma checagem quase que geral em toda sua mecânica. Mas no caminho alguns sinais surgiram de coisas a consertar. O mais preocupante era um vazamento de óleo por falha de vedação, isso poderia ser controlado mantendo sempre o nível, repondo o óleo perdido.
Estava na estrada como havia desejado, com o Fuv e 300 sacos de arroz de 50 quilos cada na carroceria a caminho de uma terra desconhecida.

Até Goiânia eu já conhecia, este trecho eu já havia percorrido, daí em diante era tudo novo pra mim.
Passei então por Brasilia, confesso que ao estar andando pelas ruas de Brasilia senti uma emoção diferente, não se pode evitar um sentimento de patriotismo quando se passa pela capital de nosso Pais, contemplar o Dom que Deus da a nós seres humanos nos capacitando para realizarmos obras como esta cidade. Passando adiante já na cidade de Barreiras na Bahia, veio o primeiro friozinho no estomago.
Estava dirigindo normalmente cuidando de todos os sistemas do veiculo, se estava tudo ok na pressão de óleo, pressão de pneus todos os relógios marcadores de funções sendo checados constantemente. Estava sempre olhando nos espelhos para observar as laterais do caminhão percebi então que saia fumaça das rodas traseiras. Eu estava andando em um trecho com muitas subidas e descidas, num caminhão ao contrario do que pensam a maioria dos motoristas dos carros pequenos a resposta do acionamento do freio pode se alterar de um instante para o outro.
Ao perceber a fumaça procurei imediatamente um local para poder estacionar o caminhão e poder verificar se algo estava errado, ou era devido ao uso demasiado dos freios por força da estrada ingrime. Realmente ... este era o motivo, acionando com muita frequência os freios eu havia descoberto o limite para utilização, este era o limite.
Esperei esfriarem as lonas de freio e confesso que dai em diante redobrei o cuidado com a utilização dos freios, mas como eu nunca havia passado por esta estrada devido ao susto fiquei com a impressão que aquela foi a mais comprida serra por onde já havia passado até aquela data, aproximadamente 70 km.

Correção recentemente indo para o Espirito Santo pela BR 162 com certeza esta é a mais comprida das serras por onde passei até esta data, mas nesta ocasião já com mais experiência a viagem  transcorreu normalmente.
Então após alguns dias de estrada e vendo as mais diferentes paisagens, cheguei a Salvador.
Ao longo do trajeto percebi que utilizar o GPS não inspira muita segurança, existem varias opções de estradas e ruas sugeridas pelo GPS que nem sequer existem, fiquei então com uma pergunta, porque existem no Gps mas não existem na realidade? O que poderia explicar ou responder esta pergunta? Até hoje ainda não obtive a resposta.  Então decidi não arriscar e ao entrar na cidade recorri a um Chapa “chapas” como são chamados são pessoas que ficam na beira da estrada oferecendo seus serviços. Os serviços oferecidos pelos chapas são o de descarregar as mercadorias transportadas ou servirem como guias levando o condutor do veiculo ao endereço que ele procura.

Percebi que tomei uma decisão acertada porque o GPS não teria me levado ao meu destino. Chegando ao destino pensei, como seria se eu estivesse com um caminhão de maior porte, carreta ou bitrem , até mesmo rodo-trem que é o mais longo existente hoje e chega a transportar até 50 toneladas equivalente a  três vezes a carga do fuv que é de quinze toneladas isso já em seu limite máximo.

Faço este comentário para registrar um fato que acontece com frequência na área do transporte de cargas, as pessoas não sei por qual motivo não procuram saber , se o veiculo escolhido tem suas características dentro da realidade das estradas por onde vai ter que trafegar ou se esta adequado as condições de acesso e descarga do local de destino da mercadoria. Para mim serviu como um alerta para este tipo de situação.

A carga que eu estava levando deveria ser transportada por um "bitrem" segundo o desejo de quem estava contratando meu caminhão, para quem não conhece “ bi-trem” é um caminhão articulado composto de cavalo trator + duas carrocerias chegando a até dezenove metros de comprimento com capacidade para carregar o dobro da carga do meu caminhão que é chamado de “truck”, não tendo conseguido um bitrem disponível decidiram dividir em duas cargas de truck, uma das quais eu levei.

No local de descarga não existia pátio de descarga nem sequer um acostamento de rua compatível, nem mesmo para um truck quanto mais para uma carreta ou caminhão maior como estava destinada a carga inicialmente. Mas vencida as dificuldades estava cumprido o compromisso, e entreguei minha primeira carga com o fuv.

Oque fazer agora ? buscar outra carga para voltar para casa, este é o primeiro pensamento que passa pela cabeça do caminhoneiro.
Existe uma piada que define esta maneira de pensar do caminhoneiro.

Conta-se que um caminhoneiro encontrou uma lâmpada mágica, saiu dela um gênio da lâmpada e este ofereceu ao caminhoneiro tres pedidos, então este pensou , pensou e como estava com seu caminhão carregado, disse ao gênio que seu primeiro desejo a ser realizado pelo gênio seria que ele descarregasse seu caminhão. Tendo seu primeiro pedido atendido o gênio perguntou qual seria o segundo pedido.

Pensou, pensou novamente e pediu que ele arranjasse outra carga para seu caminhão, logo foi atendido novamente pelo gênio que perguntou novamente qual seria o terceiro pedido.

Respondeu então o caminhoneiro que desejava descarregar novamente seu caminhão.

Claro que isso é uma piada, mas talvez não para quem esta vivendo a situação que um caminhoneiro vive com frequência. Arranjar uma carga que leve de volta para casa, primeiro grande problema, segundo grande problema arranjar uma carga que pague um preço justo.

Terceiro problema alem de tudo que é normal e cabe ser feito até que se chegue ao destino da carga, surge por vezes  a dificuldade em descarregar a mercadoria. Quem tem parentes que atuam nesta área sabe a este respeito. E comum ter que esperar em filas para descarregar a mercadoria transportada.

Penso eu que bom seria se houvesse maior consideração pelo ser humano chamado “caminhoneiro”.
Alguns lugares tem este respeito ao trabalhador criando instalações adequadas de espera com banheiros e local decente para estacionar, mas alguns que tive a oportunidade de conhecer não oferecem as mínimas condições.

Então continuando a viagem... como diz a piada meu desejo era carregar o caminhão novamente. Parece mesmo que este pensamento responde a mais urgente necessidade, pois representa voltar para casa ou não sendo possível  voltar para casa o segundo desejo que é ganhar a sobrevivência para nossas famílias ou pessoas que dependem do nosso trabalho.

Agora  conto uma experiência da presença de Deus, sua presença foi percebida durante toda a jornada, pois estar com saúde realizando um trabalho digno e podendo contemplar as paisagens no caminho já permitiam através disso sentir sua presença.

Conto agora uma situação onde somente pela ação imediata da providencia Divina eu poderia ter superado a situação.
Ao sair com o caminhão do lugar da entrega, entrei numa via de cinco pistas com um movimento intenso.
Havia percorrido poucos kilometros e o fuv apresentou um problema mecânico.
Estava sem resposta no pedal de embreagem e o caminhão não tinha força para andar.
Com cuidado e bastante dificuldade consegui estacionar o caminhão no acostamento.
E agora? O que fazer ? tentei verificar a causa do problema mas estava fora de meu alcance a solução.

Como tudo foi resolvido é que eu chamo de providencia Divina.

Fiz sinal a um ônibus que vinha em minha direção e mesmo estando fora de seu local de parada o motorista abriu sua porta quase que em movimento pois ali não era permitido parar mas possibilitou que eu pudesse entrar no veiculo.

Expliquei meu problema ao condutor do ônibus que me ajudou respondendo minhas perguntas. Onde eu poderia encontrar uma oficina e como chegar até ela.

Providencia divina ou não como você chamaria, a pane aconteceu por volta das 16:00 hs. num horário de pico do transito, num local super inadequado para estacionar.

Mas antes mesmo de começar escurecer eu estava com o fuv na estrada novamente, em tao curto espaço de tempo eu já havia conseguido dois mecânicos com um veiculo de socorro que me conduziram até o Fuv identificaram o problema e me conduziram ao pátio da concessionaria, onde terminou o conserto e tudo isso em poucas horas numa cidade onde eu não conhecia nada e ninguém, considero que somente por Deus tudo aconteceu desta forma.

Um Problema mecânico como este poderia demorar pelo menos um dia ou até dois dias para eu retornar a estrada.

Novamente muita sorte?

Acredito que foi amparo Divino!