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Sábado, 03 Novembro 2012 23:02

A Segunda viajem

 

Dando continuidade ao Diário de Bordo vamos então a segunda viajem.

A Segunda Viajem foi de Salvador na Bahia para Uberaba em Minas Gerais.

Estava em Salvador na Bahia havia feito à entrega da carga da primeira viajem e precisava agora seguir adiante.

Então começa tudo novamente, encontrar uma carga, mas aonde? Perguntar nos postos de combustível, este é o primeiro passo, a pergunta é onde posso encontrar uma agencia de cargas ou transportadora. Ouvindo as indicações encontrei um posto onde concentrava um grande numero de agencias de cargas e transportadoras. Comecei então a ler nas placas que costumam usar para oferecer as cargas, utilizam placas com a semelhança de quadros negros ou até mesmo pintam nas paredes um espaço com tinta preta e escrevem com giz a cidade de origem e a cidade de destino da carga e qual o tipo de caminhão adequado, alguns colocam também o preço que estão oferecendo pelo transporte.

Este é o momento onde é preciso todo raciocínio, ou ao invés de carregar para obter um resultado favorável, ou seja, ganhar a sobrevivência pode acontecer exatamente o contrario, ou seja, prejuízo na certa.

Infelizmente o que constatei é que não existe um critério justo que defina o preço para este serviço. Deveria haver um critério que considerasse o preço do combustível o desgaste de pneus e também do caminhão, tempo necessário para percorrer a distancia entre o local de origem do carregamento e a cidade de destino. Se estes critérios fossem respeitados, se houvessem regras e fosse aplicada, isso diminuiria em minha opinião o numero de acidentes nas estradas.

O que é comum acontecer caso não se tome muito cuidado é carregar um frete que mal pague para cobrir o custo do combustível, isso acontece devido a muitos não fazerem os cálculos antes de carregar. Ocorre também quando o pagamento do motorista sendo empregado tem como referencia uma porcentagem do valor do frete, então seu raciocínio fica limitado a quanto ele vai receber pelos seus serviços, não digo que todos pensem desta forma com certeza aqueles que se preocupam com a continuidade de seus empregos não agem desta forma.

O habito de aceitar um frete sem fazer os cálculos e constatar se realmente vai haver o lucro necessário é o responsável pela exploração que existe em relação aos preços oferecidos os contratantes costumam dizer que o preço é aquele mesmo e que se um não aceitar outro irá aceitar e assim fica explicada a defasagem que existe no preço dos fretes.
Eu sou testemunha desta defasagem, desde 2009 quando comecei a viajar com o Fuv os preços oferecidos na maioria ainda são os mesmos, alguns até piores. Mesmo tendo havido vários aumentos nos preços de combustível e consumível como pneus etc.

Quando após ter carregado seu caminhão se conscientizam que o preço aceito vai dar prejuízo, os motoristas que carregam sem antes terem feito o calculo, vão procurar compensar o prejuízo de alguma forma, e esta forma normalmente acaba sendo diminuindo o tempo de viajem.

Mas ai é que surgem os acidentes, como diminuir o tempo de viajem sem aumentar a velocidade e diminuir o tempo de descanso. Isso não é possível, aí é que entram os famosos rebites, e infelizmente não para nos rebites, existindo também as drogas pesadas que cada vez mais são utilizadas para tentar estender o tempo acordado ao volante do veiculo.

Acredito que todos já devem ter ouvido a palavra ??rebite?, mas, para quem não sabe do que se trata são medicamentos para inibir o sono.

Grande parte dos acidentes ou a seja a maioria dos acidentes acontecem por conta de excesso de velocidade e pelo motorista estar sob efeito de alguma droga.

Vejam só a poucas linhas atrás contei da falta de regras para remunerar este tipo de prestação de serviço. Então porque não se busca evitar o problema na origem criando e fazendo com que sejam aplicadas regras justas, desta forma estariam sendo evitados ou pelo menos diminuiria grandemente o numero de pessoas que perdem suas vidas e tem suas famílias destruídas nos acidentes nas estradas. Diminuiria também em números inimagináveis os gastos que o governo tem quando estes acidentes acontecem. Hoje estamos presenciando discussões a respeito da aplicação de uma lei que limita o numero de horas que um motorista pode dirigir.

Em minha opinião este é um passo positivo para a solução deste problema, mas pra minha surpresa esta havendo resistência da parte dos motoristas.

Porque esta resistência? A resposta é porque a diminuição das horas representa uma redução na renda, ou seja, no ganho de cada motorista. Isto não aconteceria se o valor pago fosse justo.

Esta aí explicado o raciocínio, procuram compensar os valores serem insuficientes dormindo menos mesmo que para isso coloquem a sua própria vida em risco mas infelizmente colocam também em risco a vida de muitos inocentes que acabam sendo vitimas nos acidentes.

Perdoem-me se ao invés de contar a historia das viagens faço minhas considerações a respeito de assuntos como este.

Vamos adiante então.

Ao encontrar o posto com as agencias de carga li atentamente as ofertas que ofereciam e percebi que nenhuma me serviria.  

Fiquei sabendo que mesmo os valores oferecidos sendo inferiores ao esperado, exigiam um credenciamento que somente é fornecido por empresas seguradoras de risco de carga, este tipo de seguradora faz um cadastro minucioso do motorista, pedindo e confirmando muitas informações como referencias pessoais e comercias, não liberam o credenciamento caso haja alguma restrição como Serasa, SPC títulos protestados etc... Cada seguradora com seus critérios próprios e estes cada vez mais rígidos de acordo com o valor da carga que será transportada.

Pensei então, existe uma descriminação em relação ao profissional chamado motorista.

Será que todos sabem que para exercer esta atividade existem critérios tão rígidos?

Claro que existem cargas onde não se aplicam estas exigências, mas em contrapartida oferecem menos segurança no recebimento do frete ou por se tratar de mercadorias de valor menos elevado.

Foi este o meu caso, como ainda não havia sido credenciado por nenhuma destas seguradoras me deparei com dificuldade dobrada, arranjar uma carga com preço compatível apesar da minha falta de credenciamento.

Ciente desta realidade e que o ambiente deste posto onde me encontrava não inspirava ser seguro, pois havia ali prostituição, jogo de cartas, pessoas de toda espécie.

Em toda atividade sempre existe esta mistura, cabe a quem não se enquadra buscar outro lugar. Foi o que fiz, fui em busca de um local mais adequado.

Como já era final de tarde e inicio da noite me informaram que deveria ir até Camaçari.

Esta era a opção mais próxima, chegando lá percebi que não havia mudado muito o quadro.

Mas já estava cansado e teria que dormir em algum lugar.

Pense então num lugar onde é cobrado para estacionar seu caminhão, mas nem sequer oferecem um banheiro descente e limpo.  Infelizmente isso é comum em todo o Brasil à falta de lugares que ofereçam um mínimo porque não dizer de respeito pelo profissional motorista.

Amanheceu o dia e estava fazendo novamente o de praxe, lendo placas e fazendo contas.

Quando encontrei uma carga melhor mesmo sendo seu valor ainda incompatível, veio então o empecilho da falta de credenciamento. Não restando opção busquei então me credenciar, apesar de que isso demoraria um tempo não muito pequeno alem do valor que teria que pagar pelo credenciamento. Mas cumpri as exigências e fiquei aguardando a aprovação.

Como o processo demorou me parece que a carga já havia sido destinada a outro pretendente.

Estava aguardando o credenciamento e ao mesmo tempo buscando o que carregar.

Pensei então, já fiz tudo que estava ao meu alcance, assim sendo Deus que conhece minha necessidade há de prover o que esta alem da minha capacidade.

Surgiu então um motorista procurando um caminhão para transportas o seu caminhão que havia tombado. Oferta de preço e negociações de ambas as partes, mas não chegamos a um acordo. Passava o tempo e não saia o credenciamento e a falta de perspectiva de arranjar algo melhor me levou a retomar a negociação e conseguimos entrar num acordo.

Havia então conseguido a minha segunda carga. Iria ter que me deslocar de Camaçari até Lagoinha onde estava o caminhão sinistrado.

Foi então durante este percurso que conheci melhor o meu companheiro que iria comigo até Uberaba Minas Gerais onde ficava a empresa dona do caminhão que ele dirigia.

Era ele um jovem entre seus trinta e poucos anos, vou chama-lo de Valdir.

Conversamos sobre vários assuntos até que surgiu o momento em que contei a ele sobre a cirurgia que precisei fazer e como eu atribuía a Deus o fato de poder estar ali desempenhando aquela função.

Quando falamos de Deus o Espírito Santo se torna presente e isso nos sensibiliza a refletirmos a respeito de nossas vidas. Então o Valdir começou a me contar como havia acontecido o acidente que tombou seu caminhão. Estava me contando e a todo o momento tocava seu celular, eu podia perceber pela conversa, que ele estava falando com alguma namorada. Então ele me contou que viajava pelo Brasil fazendo na maioria das vezes a linha do nordeste.

O que acontecia era que sendo ele jovem e conduzindo um caminhão grande e novo com uma cabine super chamativa e confortável. Ficava fácil para ele aproveitar a situação para fazer suas conquistas. Era muito fácil segundo ele conseguir namoradas por onde passava. Mas a que preço, esta era a pergunta em questão.

O Valdir já era comprometido, tinha esposa e uma filha de se não me engano oito ou nove anos. Dizia gostar da esposa, mas seu comportamento esta afastando um do outro.

Ele já estava considerando praticamente acabado seu casamento, dizendo que quando estava com sua esposa acabavam se desentendendo. Contava isso com uma expressão de tristeza que demonstrava que não desejava que isso acontecesse realmente.

A cada instante tocava novamente o celular e era outra de suas conquistas.

Então ele me confessou que não conseguia controlar o impulso que o levava a buscar novos relacionamentos, mesmo estando ciente que isso não era certo e que estava prejudicando sua vida.

Ao lembrar e falar de sua família ficava visível sua tristeza ao falar de sua filha e mostrar sua fotografia. Ele percebia que caminhava para o afastamento e isso iria fazer sua filha sofrer.

Então comentei com ele que eu também vivi situações em minha vida onde cometi erros e que se assemelhavam a situação que ele estava vivendo. (conto em minha historia).

Mas contei a ele que sempre busquei manter um vinculo que me impedisse de me afastar de Deus a ponto de não haver mais volta, que agradecia a Deus por ele não ter permitido meu afastamento total.

Então ele me perguntou como poderia fazer para controlar seus impulsos.

Comentei com ele então sobre um ditado popular que diz ??Não se deve amarrar cachorro com linguiça?. Perguntei se ele entendia o que significava, estando ele meio confuso com a minha pergunta achei melhor explicar. O que aconteceria se amarrássemos um cachorro com linguiças. De pronto ele me respondeu que o cachorro comeria as linguiças.

Disse pra ele isso é o que acontece com você.

Você é o cachorro e tuas conquistas são as linguiças, sabendo que você não resiste ou não consegue controlar seus impulsos, o que deve fazer e não se amarrar com as linguiças.

Como assim ele me perguntou? Respondi a ele, evite as situações que te colocam diante da possibilidade de sucumbir pela tua fraqueza.

Costumamos errar ao pensar que iremos tomar a decisão certa e agir da maneira certa ao sermos colocados à prova em nossas fraquezas. Normalmente o impulso nos leva a fracassarmos.  Melhor então é evitar estas situações. Seria absurdo se um alcoólatra decidisse morar dentro de um boteco, assim também é um absurdo estarmos em ambientes onde as pessoas buscam coisas que não nos convém.

Esta comparação despertou no Valdir sua percepção entre certo e errado.

Começou a refletir e concluiu que era exatamente desta forma que ele estava fracassando.

Então toca novamente seu celular, daí ele olhando o numero de quem estava ligando disse, é outra linguiçinha e sorriu. Daí por diante a cada ligação ele comentava ser uma das linguiçinhas.

Mas comentou que estava triste com o rumo de sua vida e a separação da família que estava por ser a consequência de seu comportamento. Disse que se pudesse evitar que isso viesse a acontecer tentaria o que estivesse ao seu alcance, mas comentou estar preocupado que já não houvesse mais possibilidade.

Perguntei a ele se ainda havia amor entre ele e a esposa ele comentou que sim, que ainda gostava dela e acreditava que ela também gostava dele.

Então respondi que assim sendo sempre seria possível corrigir a situação, o orientei que conversasse com a esposa abrisse seu coração, e pedisse perdão a ela e tudo se resolveria.

Percebi em sua expressão um ar de contentamento diante desta possibilidade.

Durante nossa jornada até o local onde estava o seu caminhão, ele me fez um oferecimento.

Contou detalhes do acidente como aconteceu e sua sorte em ter saído praticamente ileso, tinha somente algum esfolado e alguns arranhões, explicou que ainda havia conseguido evitar que o combustível fosse derramado dos tanques do seu caminhão. Disse vou vender barato o óleo diesel que ficou pra você pra você por em seu caminhão. Justificou dizendo, Iria derramar mesmo. Não prestei muita atenção quando ele me oferecia, estava mais empenhado em fazer com que ele refletisse sobre sua vida e tentasse corrigir seus erros.

Chegamos então ao posto da policia rodoviária onde estava guardado o caminhão sinistrado.

Por tratar-se de um conjunto de cavalo trator e carreta eu iria levar o cavalo em meu caminhão e a carreta furgão ou o que sobrou dela seria levada por outro caminhão.

No percurso ele já havia avisado por telefone ao serviço de guincho que estávamos a caminho e combinou para estarem lá e colocarem o cavalo em cima de meu caminhão. Chegamos e nada do pessoal do guincho. Esperamos algum tempo e como já iria escurecer decidimos ir atrás deles. Estava-mos na base do serviço de guincho e ele se lembrou do óleo que queria me vender e providenciou um tambor e mangueira para retirar.

Estávamos todos no posto policial e providenciando o carregamento, quando percebi que o Valdir estava tentando colocar o óleo diesel que ele já havia retirado de seu tanque em meu caminhão. Aquela cena me espinhou a consciência. Diz um ditado que se alguma coisa estiver nos espinhando a consciência é porque estamos fazendo algo errado.

Argumentei com ele então a respeito dizendo que não achava certo que ele me vende-se aquele combustível, que não pertencia a ele, mas sim a empresa da qual ele era funcionário.

Ele novamente argumentou que o combustível iria derramar e ele havia conseguido evitar a perda e que este prejuízo seria coberto pela seguradora e que a empresa não seria prejudicada por conta disso.

Mesmo assim eu não estava me sentindo bem em aceitar e disse que preferia que ele não colocasse aquele combustível em meu caminhão. Mas ele insistia.

Porem sua tentativa não estava sendo bem sucedida ele havia colocado o tambor com o óleo diesel em cima de uma carreta sinistrada que estava ao lado de meu caminhão para poder derramar por gravidade utilizando a mangueira.

Mas vejam só, a mangueira não alcançava, teria que ter mais uns 20 centímetros para que isso fosse possível.

Foi então que ele me pediu para manobrar o meu caminhão para ficar mais próximo e possibilitar a transferência. Relutei mas fui quase que obrigado a atender seu pedido.

Ele argumentou que permitisse colocar somente o que estava no tambor, pois não teria o que fazer com o seu conteúdo. E deixaria o restante nos tanques onde estavam em seu caminhão.

Confesso ter errado, pois não deveria ter atendido a sua pressão. Mas ao tentar ligar o motor do caminhão adivinhem o que aconteceu.

O Fuv que é como eu chamo nosso caminhão não funcionou.

Varias tentativas foram feitas e nada, o fuv não funcionava. Até mesmo o pessoal do serviço de guincho que estava bastante acostumado a lidar com problemas semelhantes havia tentado de tudo, alem de mim e do Valdir eles também tinham procurado o problema, mas não havia nada errado na parte elétrica ou qualquer parte do sistema de acionamento. Tudo parecia estar em ordem e o Fuv não funcionava.

Depois de varias tentativas todos resolveram desistir. Chamaram-me para irmos para a base do serviço de guincho para dormirmos.

Me disseram que traríamos no dia seguinte conosco um eletricista pra resolver o problema e fazer o Fuv funcionar.

A esta altura eu estava todo sujo, tinha me deitado em baixo do caminhão e estava alem de sujo de graxa e de óleo diesel com o meu corpo cheio de terra que tinha grudado no meu suor. Mesmo assim recusei o convite e preferi ficar ali junto com o Fuv.

Depois de refazer as ligações desmanchadas e deixar tudo como estava, sentei no banco e me debrucei ao volante já exausto.

Então comecei a refletir sobre tudo aquilo, o que teria acontecido com o Fuv o sistema de acionamento dele estava perfeito até aquele momento. Foi então que fiz uma oração pedindo a Deus que me mostrasse por que tudo aquilo estava acontecendo.

Foi como se a resposta já estivesse em minha mente e eu ainda não havia percebido.

Minha lembrança me levou ao meu passado quando eu ainda estava tentando vender ou trocar a nossa casa por um caminhão, lembrei que, em oração havia pedido a Deus que estivesse sempre comigo e em todo momento me acompanhasse em tudo que eu fosse fazer não permitindo que eu me afastasse dele.

Tive então a certeza, a reposta que pedia na verdade já estava em minha mente, e era esta a resposta, o problema estava no combustível que o Valdir tentava colocar no tanque do Fuv.

Ele não havia conseguido colocar, mas entendi o que estava acontecendo.

Ali estava o problema.

Fui então pedir ao policial que me permitisse tomar banho no banheiro do posto policial.

Vendo a minha condição a maneira que eu estava sujo percebi que ele ficou aborrecido em ter que negar meu pedido. Argumentou que da parte dele ele permitiria, mas que seus colegas haviam proibido que fosse emprestado o banheiro deles a quem quer que seja.

Com certeza deve ter sido devido à sujeira que estes empréstimos causaram e devem ter sido eles obrigados a limpar.

Não tirei sua razão e até entendi o motivo. Mas e agora, com o corpo todo sujo e precisando urgentemente de um banho, mas não tinha a onde tomar banho.

O que fazer então, eu tinha um pequeno reservatório de água pendurado na carroceria do Fuv.

Quase todos os caminhoneiros colocam este tipo de reservatório para poder lavar as mãos e o chamam de ??corote? não sei se este nome esta correto. Pensei esta é a única solução.

Fiquei seminu ao lado do caminhão e tive que tomar banho usando detergente de lavar louça para tirar à graxa e meu chuveiro era a torneirinha do corote.

Devido ao mal estar, não iria conseguir dormir, sujo como estava. Tudo bem mesmo tomando banho no corote agora já estava mais limpo, como estava antes não daria para deitar no banco do Fuv. 

Vesti-me e fui então entregar ao policial com quem havia conversado um livrinho que continha a minha historia. Conforme contei eu havia escrito a historia da minha vida e ao terminar de escrever entendi que era um testemunho e que eu deveria levar e entregar para as pessoas que Deus coloca-se em meu caminho. Para fazer isso eu mandava imprimir estes livrinhos em copiadoras e sempre procurava levar o maximo que fosse possível nas minhas viagens. Então fui tocado a entregar a este policial um destes livrinhos.

 Conversamos a respeito do milagre de eu estar andando e trabalhando como caminhoneiro. Mesmo pós ter perdido o movimento nas pernas e ter sido desenganado pelo medico que me deu alta dizendo que meu caso não tinha solução. Ali estava eu como disse ele, uma prova do poder de Deus, mostrei a ele a cicatriz que tenho nas costas obtida na cirurgia onde recebi oito parafusos na coluna. Isso sensibilizou o policial, ao falarmos de Deus o Espírito Santo age em nossas vidas e na vida da pessoa com quem estamos falando.

Então o policial com uma expressão de tristeza disse conhecer sobre a palavra que esta escrita na Bíblia e que apesar de conhecedor estava afastado. Demonstrou preocupação por ter se afastado e o desejo de buscar este caminho novamente.

Então depois de comentar o testemunho. Ele me perguntou qual era o problema com o meu caminhão.

Respondi a ele que o problema era com o óleo diesel. Ele então com uma expressão de espanto me perguntou, como assim? Perguntou se o meu caminhão estava sem óleo diesel? Respondi que não que o problema era com o óleo diesel do outro caminhão.

Daí ele disse que não estava entendendo como o óleo diesel do outro caminhão estava impedindo o meu de funcionar. Tive então que explicar a ele, o que já contei nas linhas anteriores, e a certeza que tive quando em oração recebi a resposta.

Tratava-se de uma coisa errada o que iríamos fazer e Deus havia impedido o Fuv de funcionar para que não possibilitasse a colocação do combustível que estávamos para por em seu tanque.

Terminamos a conversa concordando sobre o assunto e fui dormir.

Logo ao amanhecer fiz como de costume uma leitura da minha Bíblia, companheira de todas as viagens e fiquei esperando o pessoal do serviço de guincho chegar com o Valdir e o eletricista que ficaram de trazer para consertar o problema.

Chegaram então e não trouxeram um só mais duas pessoas com experiência para resolver o problema. O pessoal do guincho foi se ocupar da transferência e colocação do cavalo em cima do Fuv. Eu estava acompanhando o que os mecânicos iriam fazer e percebi que o Valdir havia trazido uma mangueira mais comprida e estava tentando novamente transferir aquele óleo para o tanque do meu caminhão.

Desta vez agi como deveria ter agido desde o principio, disse a ele em um tom determinante que não era para ele colocar aquele óleo no meu caminhão, que todo aquele problema que estava acontecendo e que me fez passar a noite ali era por causa daquele óleo.

Expliquei a ele como eu havia chegado àquela conclusão, ele relutou ainda, mas como percebeu que eu estava determinado desistiu de sua intenção.

Perguntou-me então, o que vou fazer com este óleo? Respondi a ele não sei o que vai fazer com o óleo diesel, mas neste caminhão você não vai colocar.

Nisso os mecânicos foram tentar dar a partida no caminhão para ver que tipo de barulho iria fazer e desta forma tentarem identificar a origem do problema.

Mas acreditem se quiser, o Fuv funcionou na primeira tentativa.

Todos ficaram espantados, menos eu que já estando convicto da origem do problema. Agradeci a Deus pela sua misericórdia por ele ter me perdoado permitindo que o Fuv funcionasse sem sequer precisar de nenhum reparo.

Comentei com eles sobre o que havia acontecido e todos ficaram com uma expressão de medo em seu semblante.

?s duas pessoas que foram com eles para consertar o caminhão, tendo ouvido o relato do que aconteceu ficaram também sensibilizados porque realmente não existia outra explicação.

Os mecanicos com certa inibição disseram que teriam que cobrar pelo menos um valor mínimo para cobrir seu deslocamento, paguei o valor do combustível que eles gastaram e um pouco mais que pediram pelo tempo gasto, e foram pensativos cuidar de suas vidas.

Acabamos então de carregar o cavalo em cima do Fuv e fomos até a base do guincho para terminarmos de amarrar o cavalo.

Tendo acabado e estando prontos para seguirmos nossa viagem, veio então o Valdir perguntando o que iria fazer com o combustível que havia tirado de seu caminhão.

Respondi a ele que entregasse ao pessoal do guincho, pois ele tinha um valor ainda a pagar a eles.

Vejam só o que aconteceu, ele ofereceu aquele óleo diesel para o pessoal do guincho que imediatamente recusou, dizendo que de forma alguma iriam receber aquele combustível.

Vejam só o temor que aquele acontecimento causou a eles.

Resumindo o assunto a solução que encontraram foi, utilizando cordas, levantar o pesado tambor com bastante dificuldade e colocar novamente aquele combustível no tanque do caminhão que havia tombado.

Seguimos então em nossa jornada rumo a Minas Gerais, sem que surgisse nenhum problema.

Conversamos muito durante a viagem sobre o que havia acontecido e outros assuntos e tudo transcorreu normalmente.

Ficou então mais um amigo e mais algumas pessoas tocadas pelo espírito santo a refletirem sobre suas vidas e seus hábitos.

Termina então a segunda viagem do FUV.

Última modificação em Sábado, 26 Abril 2014 21:34