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Domingo, 25 Maio 2014 16:36

A sexta e sétima e oitava viagens.

Vamos adiante…

Quase três anos de viagens para contar.... nesta velocidade que venho escrevendo nem imagino quanto tempo será preciso para contar todas as viagens.

Minha atividade atual ocupa bastante o meu dia, que inicia entre as 4:00 e 5:00 h. da madrugada e vai até o retorno para casa por volta da 19:00 ou 20:00 horas.

Então, algum tempo em casa, cinco ou seis horas de repouso, e já estou pronto para mais um dia graças a Deus que sempre me renova e me capacita.

Nos dias de folga, depois de algumas ocupações, do tipo, consertar uma coisa ou outra, passear na casa de parentes, mercado etc. quando não estou ocupado com alguma destas coisas é que dedico um tempo para escrever.

Está explicado, demorar tanto para contar três anos de viagens... 

Depois costumamos pensar com os nossos botões que não temos tempo para nada, e nos justificamos pelo atraso em concluirmos projetos como este de contar as viagens e tudo que aconteceu, mesmo entendendo que, em tudo que somos capacitados a realizar exista um propósito de Deus. 

Desta forma penso a respeito de tudo que aconteceu nas viagens que fui capacitado a fazer, acreditando que exista um propósito.

O propósito de Deus tem alcance alem do nosso entendimento somente ele pode saber o qual.

Procuro dar continuidade a este objetivo que me dá muita satisfação, porque permite falar de Deus e levar a outras pessoas o quanto ele tem feito por mim, e sei que também faz na vida de todos, mesmo que não estejamos sensíveis para perceber.

Mas se o objetivo é contar as viagens vamos então à sexta viagem.

Estava em Araguari, e novamente, próximo a Uberlândia.

Uberlândia poderia oferecer a carga que eu precisava, uma carga para retornar para casa, ou uma carga que passasse por Goiânia no percurso. 

Eu teria que procurar, sem a certeza de encontrar rapidamente, não hesitei, preferi a segurança e a certeza da existência das cargas em Uberaba um tanto mais distante, e eu teria que percorrer este trecho vazio novamente.

Não quis ariscar e fui na certeza,Uberaba aqui vamos nós.

Agora já conhecendo todo procedimento em Uberaba e familiarizado com a carga e tudo o mais, nem resta muito a contar. Quando tudo esta correndo dentro do normal nem percebemos o tempo passar, e assim nos falta até assunto para historiar. Mas lembro que sempre surgia a oportunidade para fazer amigos, contar minha Historia e entregar alguns testemunhos.

Por isso já sem detalhes relevantes me dou conta que estava em Goiânia, havia descarregado e depois de ficado por alguns dias em casa eu já havia carregado novamente para Sorriso no Mato Grosso.

Esta também foi outra carga sem muito acontecimento marcante. Carreguei em uma empresa da qual eu já havia carregado em outras ocasiões, na cidade de Bela Vista de Goiás, que fica distante 50 km de Goiânia e sempre oferecia uma oportunidade de carregamento, seu produto, Leite e produtos derivados, produzido pelos Laticínios Bela Vista.

Citando o nome da empresa não ligamos com o nome do produto, mas tratava-se dos produtos com a marca Piracanjuba que é bastante conhecido.

Vamos lá então levar Leite para Rondonópolis.

A viagem transcorreu normalmente e quando me dei conta, estava num posto de Rondonópolis com o caminhão vazio e procurando carga novamente, eu estava Próximo 200 km da casa dos meus Filhos que estavam residindo em Cuiabá, mas não desejava fazer este percurso vazio pois o frete para ir até Rondonópolis, não havia dado muita margem de lucro e este percurso vazio representaria muito na conta do saldo da viagem.

Os lugares que costumam ter carga com freqüência, devido ao grande número de caminhoneiros que vão se oferecer para carregar, não costumam pagar valores muito representativos, muitos deles até acabam tirando proveito da situação.

Este tipo de situação ocorre com mais freqüência no nordeste.

Devido ao fato, de que a grande maioria dos caminhoneiros reside nos estados do sul e sudeste, estes caminhoneiros no anseio de retornarem para seus lares, acabam aceitando carregar por valores que equivalem somente ao custo do combustível que terão que pagar. 

Como costumam dizer entre os caminhoneiros “carregar pelo óleo”.

Novamente percebemos a falta de critério para remunerar esta atividade.

Diante de uma condição mais privilegiada que esta, eu havia carregado, mas sem muita “gordura no valor do frete” não seria inteligente andar esta distancia até Cuiabá vazio.

Outro motivo seria o fato de que Rondonópolis no MT. É uma cidade que sempre oferece carga para varias regiões, seria possível encontrar uma carga e valia à tentativa.

Seria preciso então estar atento, fazer contas e buscar a melhor oportunidade.

Depois de uma correria entre agencias de carga e agenciadores, consegui uma carga para Sorriso, também no Mato Grosso. Não estaria retornando para casa, mas desejava visitar os filhos em Cuiabá. 

Esta carga estaria dentro do perfil que costumava buscar.  Para mim seria um produto que eu ainda não havia carregado chamavam-no de “Bag”

São sacos feitos de ráfia com capacidade de até uma tonelada cada e servem para embalar o calcário e insumos para lavoura. Este tipo de carga é bastante volumoso, mas, não representa muito peso, isso é sempre favorável para quem esta buscando um frete, representa uma viagem mais rápida.

Quando o caminhão é carregado com o peso do PTB total, isto é, com a capacidade máxima de carga do caminhão, este peso cobra um maior esforço do motor, que por sua vez consome mais combustível, principalmente nas subidas.

Carregado com a capacidade máxima de peso, o motor do caminhão trabalha próximo do limite da potencia, e sendo íngreme a estrada, a velocidade é reduzida drasticamente, por vezes temos a impressão que a pé poderíamos andar mais rapido.

Todos aqueles que fazem alguma viagem ou mesmo num trajeto de ida para casa, em locais que possuem terrenos montanhosos, com certeza já andaram se arrastando atrás de algum caminhão carregado.

Quanto maior o caminhão, ou maior o peso da carga, mais lento se torna subir uma serra. Então cargas como esta que eu estava carregando eram consideradas um presente, representando menor consumo de pneus, faixas de freio, óleo diesel e tempo de viagem.

Esta carga estava oferecendo um valor compatível e logo eu estava a caminho de Sorriso.

O que marcou esta viagem foi uma nova amizade feita no posto, onde eu havia chegado no dia anterior.

Conversei com outras pessoas e como de costume aproveitei para contar minha historia.

Deus sempre colocava alguém que, deveria existir um propósito para eu contar.  

Por vezes acredito que o propósito seria o inverso, ao invés de eu levar meu testemunho era eu quem ouvia e aprendia muito com o testemunho de outras pessoas.

Naquele dia durante à espera, eu conheci e fiz amizade com outro motorista que morava em Sinop, uma cidade distante somente 50 km do destino para onde eu estaria carregando. Para quem não conhece o estado de Mato Grosso, Sinop é também um grande pólo de desenvolvimento, em poucos anos a cidade cresceu muito. 

Seria o ponto mais provável para buscar carregar novamente, depois de entregar a encomenda da cidade de Sorriso, outra bela cidade do mato Grosso que também cresceu muito, apesar de serem cidades consideradas muito novas.

O Mato Grosso, quase todo ele, tem esta característica de crescimento. 

Este novo amigo foi uma das pessoas que me contou seu testemunho de vida e me fez refletir bastante.

Contou sua vida as situações que teve que administrar. O que me contou, que foi mais marcante foi a historia de sua esposa. 

Ele me contou que ela havia sofrido muito com o câncer, não sendo mais possível o tratamento em Sinop, em busca de diminuir ao Maximo o sofrimento de sua esposa foi ele buscar tratamento na cidade de Barretos no estado de São Paulo. 

Ouvindo ele contar, era visível seu sofrimento.

Como nos sentimos impotentes diante de situações como aquela. 

Buscar o melhor recurso,  é a única coisa que pensamos, sem medir as conseqüências, sem pensar como fazer para pagar quando falta o dinheiro.

Tudo isso não diminui o sofrimento da pessoa que assiste a seu ente querido sofrer.

Não é possível sofrer a mesma dor que o doente porem, não poder mudar nada, causa o que não pode ser curado com remédios.

No caso deste novo amigo ele me contava que sua esposa ficou num hospital considerado uma referencia no Brasil em tratamento de câncer. 

Me contou como era o atendimento e ao ouvir, fiquei feliz por existirem hospitais como aquele. Pelo menos o sofrimento torna-se menor, com pessoas dedicadas como aquelas.

Devido ao tratamento se arrastar por muito tempo ele acabou alugando uma casa na cidade onde estava o hospital. 

Contou os detalhes, fiquei sensibilizado quando ele me contou que todo o atendimento que ofereciam, somente era possível,  porque existiam pessoas famosas que mantinham os custos do hospital. Citou o nome de varias destas pessoas.

Pensei comigo, que bom que Deus deu condições e preparou estas pessoas.

Muitas  ajudavam a manter o hospital pedindo que ficassem anônimas. 

Sinto vergonha quando ouço atitudes como esta, e me pergunto por que eu próprio não buscava ajudar de alguma forma.

No caso deste novo amigo já fazia algum tempo que aquele sofrimento havia acabado.

Ele vivia agora outro tipo de sofrimento. Sua esposa apesar de todo  acompanhamento não sobreviveu. Esta era sua nova prova naqueles dias. Era visível que, mesmo depois de passados alguns anos do final daquela situação ainda sofria.

Ela havia sido muito importante na vida dele, mas teria que continuar vivendo.

Quem sabe minha historia e tudo que conversamos tenha servido para lhe dar algum conforto.

Antes mesmo que eu tivesse carregado o meu caminhão, meu amigo decidiu ir vazio para casa, apesar de ainda distante 700 km de sua cidade. 

Imagino que ficar esperando em um posto de combustível, estando em depressão como ele estava, acabe ficando ainda mais desagradável.

Esperar carregar, ficar os finais de semana em postos, muitos deles sem um mínimo de higiene, sempre foi a parte chata nos meus três anos de estrada.

Ele costumava carregar madeira em Sinop, lá chegando teria uma carga a sua espera, justificando assim, não ficar ali esperando por mais tempo.

Assim partiu, e eu fui carregar. 

A caminho da nova entrega, chegando em Cuiabá, eu fiquei por algum tempo na companhia dos filhos, não poderia ficar por muito tempo, a carga sempre tem um prazo para ser entregue, às vezes tão curto que não é possível  dormir. Mas o tempo na companhia das pessoas que amamos passa bastante rápido, um final de semana ajuda, mas seria preciso continuar.

Ao chegar  em Sorriso descarreguei e segui para meu próximo destino, Sinop, vamos agora para a cidade do Saulo, quem sabe encontraria o novo amigo, e também uma carga de  madeira.

Mas dai já é outra historia.

De Sinop com madeira para Dois Córregos São Paulo. 

Em breve...

 


 

Última modificação em Sábado, 11 Outubro 2014 13:25