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Sábado, 11 Outubro 2014 20:43

Viajar é preciso...vamos em frente!

 

De Sinop para Dois Córregos.

Em Sinop na serraria que meu amigo havia me informado.

Uma indicação é sempre bem vinda, e o responsável pela contratação dos caminhoneiros, conhecendo o Saulo que me indicou, me animou informando que alguma carga deveria surgir e eu estaria sendo contratado em breve.

Assim esperando eu fiquei nas imediações da serraria e conversando, conheci mais alguns  caminhoneiros que ali estavam.

A classe dos caminhoneiros é sempre bastante unida e solidaria então rapidamente eu estava inserido no ambiente destes companheiros.

Na maioria os motoristas eram conhecidos do Saulo que não demorou a estar presente.

Estas reuniões ajudam a diminuir a falta dos familiares e o tempo passa mais rapidamente.

No primeiro dia de espera, ainda não havia surgido nenhuma carga que eu pudesse carregar.

Para os demais, estavam encaminhadas as suas cargas, e deveriam seguir para uma cidade distante uns 120 km de Sinop, onde estava a instalação da serraria que estava cortando a madeira. Eles deveriam estar no dia seguinte pela manha naquele local.

Foi então combinado um churrasquinho com todos na casa do Saulo naquela noite.

Então como costumava acontecer, surgiu o momento de falar sobre Deus e contar minha historia, todos contavam suas historias também e logo chegou a hora de descansar para a jornada do dia seguinte.

Na manha seguinte fui para a serraria e fiquei aguardando. Surgiu então uma encomenda para que eu pudesse carregar. Era uma carga de madeira beneficiada. Eram lambris de forro para uma empresa que fabricava casas para cachorros, instalada na cidade de Dois Córregos estado de São Paulo.

Carreguei a madeira e segui para o meu destino.

Passei novamente por Cuiabá, encontrei novamente com os familiares, mas como era dia de semana, e a encomenda estava sendo aguardada, não pude me demorar.

Havíamos combinado entre os motoristas na serraria, de nos encontrar em SP com alguns dos colegas que também foram carregaram madeira com esta região.

Esta rota eu ainda não conhecia, então mapa e GPS em mãos cheguei a Dois Córregos. Fiquei impressionado com as instalações e a produção da fabrica que produzia as casinhas de cachorro.

Não havia me dado conta que este é um produto que tinha demanda para ser produzido nesta escala.

Havia descarregado e busquei o contato com os companheiros que foram carregar as outras encomendas  de madeira para SP.

Foi uma surpresa quando fiquei sabendo que ainda estavam em Sinop e que haviam tido problemas com a carga que carregaram.

O grupo de caminhões formado por três ou quatro com capacidade para muitas toneladas, havia carregado como era previsto, e haviam retornado para Sinop onde estariam passando pelo órgão do governo que faz a classificação da madeira e libera o transporte.

Mas como existem coisas imprevisíveis, um fato inacreditável aconteceu com eles.

Normalmente, são carregados em um caminhão, vários tipos de madeira, os tipos variam de acordo com a encomenda do cliente.

Mesmo a madeira carregada, tendo sido cadastrada e comercializada com freqüência, todas as cargas precisam ser vistoriadas.

Ocorreu com eles que, uma das madeiras, mesmo sendo comum, não estava na lista de classificação do órgão fiscalizador. O agente que conhecia e sabia como classificar aquela madeira estava ausente da cidade. Como conseqüência, foram obrigados a retornar ao local onde a madeira foi carregada, descarregar a madeira e aguardar por uma solução.

Pensei , eu poderia estar entre eles, e isso representaria um grande transtorno.

Carregar madeira, é sempre um motivo de preocupação para um caminhoneiro.

Mesmo não sendo o dono da carga, não tendo comprado ou vendido e mercadoria, muitos caminhoneiros já perderam seus caminhões.

Quando os órgãos fiscalizadores encontram alguma irregularidade, quem sofre a conseqüência de imediato é o caminhoneiro.  Muitas vezes por desconhecimento da existência de leis de proteção e de todos os critérios que são aplicados para controlar a exploração ilegal da madeira, respondem como criminosos e acabam presos, e alem de perderem sua ferramenta de trabalho, se sujeitam a gastar o dinheiro que não possuem para se defender,  para não ficarem presos e cumprirem pena.

Concordo que existem pessoas que buscam infringir as leis, e concordo que sejam punidas, assim como acho importante a existência de leis de proteção ambiental.

Mas a classe dos trabalhadores, que na maioria das vezes acaba sendo a vitima destas punições, acaba sendo a classe dos motoristas, quando em sua grande maioria esta buscando somente a sobrevivência de sua família.

Como no caso destes companheiros, não havia nada ilegal nem da parte da madeireira nem da parte dos compradores da madeira, e menos ainda por parte dos motoristas.

Todo o problema estava no fato de que apesar de ser madeira comum e comercializada com freqüência, ter recebido classificação como madeira legalmente comercializada e estar dentro dos limites de quantidade, naquela ocasião por algum erro de digitação, não apareceram no sistema onde deveria listar o seu nome e código.

Quem fica com o prejuízo? Quem pune os responsáveis por este prejuízo?  Mais uma pergunta sem resposta, como tantas que nos fazemos quando nos deparamos com erros da parte do governo e que causam prejuízo à população.

Absurdos como este me colocaram em situação de espera em postos fiscais da receita federal, quando ao transportar mercadorias de um estado para outro, quando o comprador esta em debito com os seus impostos, quem fica retido como fiel depositário da divida é o motorista e sua ferramenta de trabalho o caminhão, acreditem se quiser, o governo utiliza este artifício para fazer com que o devedor do imposto pague sua divida, do contrario fica preso o caminhão que esta apenas fazendo o transporte do produto e seu condutor.

Deste tipo de arbitrariedade eu fui vitima por mais de uma ocasião, isso chega  ao absurdo de ser constante na vida do profissional motorista. Ao perguntar a algum conhecido que exerça esta atividade pode se constatar esta afirmação.

Novamente a pergunta? Quem fica com o prejuízo ? Onde esta o responsável por isso ser adotado como regra, onde esta o direito do trabalhador da estrada.

Classe dos motoristas, uma classe que desconhece sua importância.

Próxima viagem:

 

De Dois córregos para Matão e posteriormente Petrolina.

Última modificação em Sábado, 11 Outubro 2014 21:08