seo
своими руками

Parte 1

A História da Minha Vida
Parte 1

Movido pelo desejo de levar a meus descendentes algumas informações a respeito de seus
antepassados foi que comecei a escrever esta autobiografia
Ao chegar a sétima pagina percebi que existia um propósito maior de nosso criador ao ter me movido
a fazer este relato.
Hoje estou com 49 anos de idade, faltam poucos meses para que eu complete 50 anos, penso então,
nossa 50 anos é bastante tempo, não é mesmo? Mas quando me dou conta, percebo que ainda sou um
menino cheio de questionamentos, sempre querendo respostas e tentando compreender tudo que
acontece comigo e ao mundo ao meu redor. Percebo então, que assim me sinto mesmo tendo vivido e
ainda vivendo situações que não são comuns, ou seja, que não deveriam ser comuns, cada vez mais
percebo o quanto dependo da presença de Deus para tudo e em todos os momentos. Penso que estas
experiências poderiam ter me tornado melhor preparado para a vida como se costuma falar. Estar
preparado para a vida ou para viver é um desejo que todos temos como meta, mas não sei se algum
dia mesmo com elevada idade será possível chegarmos a afirmar termos conseguido. Viver
preparados para a vida não é possível, somente se torna possível viver preparado para a vida ou para
viver através da presença constante de Deus.
Bom seria que todas as pessoas pudessem ter famílias que fossem centradas.
Equilibradas em todos os aspectos, sendo o espiritual o principal.
E por conseqüência através das bênçãos o emocional e o financeiro seriam também equilibrados.
Minha vida
Começo a escrever no dia 08/08/2009 - 09 h da manha. Estamos no ano de 5.770 do calendário
Judeu.
Obs. Acredito que a cronologia (calendário) correta seja a da bíblia por isso uso o calendário Judeu como referencia.
Meu nome é Luiz Carlos de Quadros. Nasci na cidade de Ponta Porã no dia 28 de outubro de 1.959,
no estado que, hoje chamamos, de Mato Grosso do Sul. Naquela época era chamado apenas de
“Mato Grosso”. Meus pais são nascidos na cidade de Ponta Grossa, no estado do Paraná. Meu pai
chamava-se José Antonio de Quadros nascido em 1.929 faleceu em 1.995. Minha mãe, Maria de
Jesus Gonçalves. Nasceu em julho de 1.933. Minha avó Angelina Gonçalves Pereira, nascida em
Santa Cruz do Rio Branco – Pr. Hoje chamada de Rio Branco do Sul. Minha avó era viúva desde 1,
929. Minha mãe nasceu em 1.932 como fruto de um relacionamento que minha avó teve com um
senhor que se aproximou do sitio onde ela morava. Este senhor fazia visitas regulares em busca de
recursos que ali existiam. Não me recordo com detalhes das historias que ouvi de minha mãe, mas me
parece que ele comercializava madeira.
Meu avô biológico, tinha outra família e, talvez por conta disso, minha avó Angelina registrou minha
mãe com o nome de seu esposo, meu “outro” avô, embora ele já tivesse falecido. Meu avô que consta
em meus documentos chamava – se Custodio José Gonçalves falecido em junho de 1929. Naquela
época era comum que as pessoas registrassem seus filhos já com alguns anos de idade, diferente dos
dias de hoje que fazemos o registro de nossos filhos logo ao nascerem. Então minha mãe foi
registrada em julho de 1.933. Após o casamento, minha mãe passou a assinar com o sobrenome de
meu pai, passando a assinar Maria de Jesus Quadros.
Por parte de Mãe, meu bisavô chamava – se Benedito Pereira, um português nato. Meu bisavô
conheceu, no Brasil, uma índia Guarani. Casou-se com ela e a batizou de Benedita Pereira, seu
próprio nome no gênero feminino. Vó Angelina era quem contava essas histórias à minha mãe.
Minha mãe foi criada quando criança por minha avó.
Após certo tempo minha mãe passou a morar na casa de minha madrinha que se chamava Ávila de
Quadros, filha de José Francisco de Quadros e Carolina Carneiro de Quadros.
Madrinha Ávila era irmã de meu avô (por parte de pai) que se chamava Alfredo Carneiro de
Quadros, e minha avó se chamava Julia Santos Carneiro de Quadros, meu bisavô chamava-se José
Francisco de Quadros e minha bisavó Carolina Carneiro de Quadros. Meus tios por parte de pai
chamavam-se: Adir, Assir, Alfredo, Odete, Carolina e Agenor. Não sei quantos estão vivos até esta
2
data, pois perdemos contato com nossos tios há muito tempo quando eu ainda tinha pouca idade.
Lembro - me vagamente de alguns primos, filhos do tio Agenor e do tio Adir ou Assir, sempre faço
confusão com o nome destes dois tios.
Minha mãe conta que meu pai tinha uma prima, que foi registrada pelos meus bisavós como filha, e
se chamava Braulina. Braulina foi adotada como filha legitima após sua mãe ter falecido ao ter sua
cabeça esmagada por um monjolo.
O monjolo era usado para triturar alimentos, por exemplo colocava – se o milho, e este era triturado
até virar farinha.
Para quem ainda não ouviu o que era um monjolo em histórias que seus ancestrais contaram,
descrevo um monjolo.
Monjolo era um equipamento construído com uma tora, nome dado ao tronco cortado de uma árvore
de determinada proporção que costumava medir em torno de 25 cm de espessura até alcançar
diâmetros muito maiores. Neste caso minha imaginação me faz ver um tronco redondo com 25 cm de
diâmetro, medindo em seu comprimento algo em torno de quatro metros. Para construir um monjolo,
media – se dois metros para cada extremidade desta tora e colocava – se no centro um tronco fixado
no chão que serviria como ponto de equilíbrio. Em uma das extremidades havia uma espécie de
bacia, que era entalhada na própria madeira, e fazia a captação da água que, ao encher a bacia,
abaixava a extremidade da tora como uma balança que pende para um dos lados. Na outra
extremidade era entalhado algo que tinha a semelhança de um martelo. Embaixo deste martelo era
colocado outro tronco esculpido em forma de pilão. O pilão é uma espécie de cálice entalhado num
troco de madeira. Quando a extremidade da bacia enchia, fazia com que a extremidade com forma de
martelo subisse. Com o martelo ao alto, a água da bacia transbordava projetando o martelo dentro
do pilão. Então, aquele milho que era depositado dentro do pilão, com todo esse processo, era
triturado e fazia – se a farinha.
Infelizmente, este membro de nossa família teve uma morte trágica. Minha imaginação sempre me
chocava ao pensar nesse fato. Minha mãe conta histórias de seus irmãos e seus nomes, Ermelino,
Vitor, Horacio e Juraci, mas o que ela mais citava era o nome de seu irmão Horacio, de quem tive a
oportunidade de conhecer dois de seus filhos o Senir e o Nenê.
Meus pais se conheceram quando minha mãe era ainda menina, mas já morava com a madrinha
Ávila. Zezito, era o apelido de meu pai, era um rapaz que trabalhava desde pouca idade vendendo
jornais e areia, tirava a areia com uma pá de dentro de um rio da cidade de Ponta Grossa e depois as
colocava em uma carroça e vendia para as pessoas.
Meu pai tinha uma natureza um tanto impulsionada por seus instintos masculinos, estava sempre as
voltas com mulheres. Esta característica predominou durante toda a sua vida e foi motivo de muitas
situações complicadas, muitas vezes sem solução. Acredito que tenham sido muitas as conseqüências.
Minha mãe mesmo sabendo da natureza de meu pai apaixonou-se por ele e com ele se casou. Minha
mãe não imaginava, ou talvez em seu subconsciente até imaginasse, pois comentou que via o
comportamento de meu pai, sempre ouvia as criticas que as pessoas faziam a respeito dele. Mesmo
assim, levada pelo amor, seus olhos o viam como o “Zezito” que tanto gostava e sua mente apagava
tudo que fosse afastá-la dele. Teve inicio o casamento do qual eu sou fruto. Primeiramente nasceu
meu irmão José, que em homenagem ao meu bisavô, recebeu o mesmo nome que ele, e chama-se José
Francisco de Quadros. Meu irmão nasceu na cidade de São Paulo no dia 11 de fevereiro do ano de
1958. Nesta época meu pai exercia a profissão de contador. Era uma pessoa muito inteligente. Tinha
um desejo de sempre querer ganhar mais dinheiro e isso fazia com que suas vidas
fossem bastante atribuladas. Não conseguia ficar por muito tempo em um lugar e manter sua
atividade. Estava sempre buscando mais uma característica da qual confesso que também herdei, em
parte.
Um ano e nove meses depois do nascimento de meu irmão José, meu pai mudou – se com a família
para a cidade de Ponta Porã, em busca de sua desejada melhor situação financeira. Mas, nesta
época, não havia tanto trabalho que oferecesse à tão desejada possibilidade de crescimento que meu
pai almejava.
Então, talvez pela falta de opção, se ocupou de uma de suas fraquezas como forma de trabalho, o
jogo de cartas de baralho, o jogo de baralho foi um dos grandes responsáveis por muitos dos
3
problemas que meu pai causou a ele próprio e a minha mãe durante quase todos os anos que viveram
juntos. Meu pai começou a trabalhar como Crupiê, nome dado as pessoas que trabalham nestas casas
com a função de jogar em favor do estabelecimento ou simplesmente fazer a distribuição das cartas
aos participantes do jogo.
Ele passava noites e noites trabalhando como crupiê nas casas de jogos da cidade.
Conforme conta minha mãe, o que mais causou problemas no relacionamento deles foi o jogo, mais
que às mulheres que meu pai costumava ter. Seus maiores problemas financeiros, foram por causa
das jogatinas que ele se envolvia e, por vezes, perdia quantias absurdas de dinheiro. Numa ocasião
meu pai disse a minha mãe que teriam de mudar da casa onde moravam, pois ele à havia vendido. Na
realidade ele havia chegado ao cumulo de, apostar a casa numa noite de jogo e havia perdido então
a casa no jogo de cartas de baralho. Na época, que eu nasci, esta era a ocupação de meu pai, passar
as noites trabalhando como Crupiê nas casas de jogos da cidade. Minha mãe vivia apreensiva, pois
muitas pessoas morriam todas as noites por conta das atividades noturnas que aconteciam nesta
cidade. Ponta Porã, é uma cidade localizada entre a fronteira do Brasil com o país vizinho, o
Paraguai. Naquela época, nesta cidade
freqüentes, eram as brigas e não raro, culminavam na morte de seus envolvidos. Preocupada com
seus filhos minha mãe decidiu não viver mais ali e pediu que meu pai a mandasse para Curitiba, para
à casa de minha madrinha.
Meu nome foi escolhido quando meu pai foi comprar as passagens, era uma exigência da empresa
aérea que fosse informado o nome dos passageiros e eu ainda não tinha um nome, sem demora meu
pai informou que meu nome era Luiz Carlos, conta minha mãe que ela tinha um outro nome em
mente, mas devido à urgência da situação, deixou que esse fosse meu nome.
Meu pai, então, embarcou minha mãe em um avião com destino à Curitiba, levando eu, com sete dias
de idade e meu irmão José.
Passamos um tempo em Curitiba e demorou até que minha mãe encontrasse com meu pai novamente.
Meu pai havia ficado na cidade onde eu nasci mais tarde saindo também daquela cidade, continuava
sua busca por uma melhor oportunidade de crescimento financeiro, mantinha contato com minha mãe
escrevendo cartas contando onde estava, assim foi até que conseguiu se estabilizar e pode buscá-la
novamente. Passou-se algum tempo, não sei ao certo quanto tempo para que meus pais se
reencontrassem.
A profissão de contador de meu pai, aliada à sua inteligência, lhe rendeu bons frutos e construiu um
patrimônio que permitia nos dar uma condição de vida muito boa. Abriu vários escritórios de
contabilidade e, como dizia minha mãe “Em terra de cego quem tem um olho é rei”, soube aproveitar
a demanda deste tipo de profissional. Tínhamos uma excelente casa. Houve períodos de tranqüilidade
até que meu pai com seu espírito inquieto foi em busca de novas oportunidades. Às vezes nosso pai
estava presente em nossa casa, mas com freqüência se ausentava presença conosco. Assim íamos
passando. Ate que meu pai acabava se desfazendo do que tínhamos e saia em busca de novas
oportunidades. E lá íamos nós para a casa de algum parente novamente, até que ele viesse nos
buscar.
Lembro que, até aos meus 10 anos de idade, meu ano letivo e de meu irmão, não raro era começar em
um colégio e terminar em outro quando muito terminávamos o ano letivo no mesmo colégio. No ano
seguinte, lá estávamos nós novamente em outra cidade. Conta minha mãe que entre estas suas várias
fases de mudanças, houve períodos de paz e tranqüilidade mais longos. Tinha pouca idade, e não me
lembro muito bem, nunca foi meu forte guardar na memória os acontecimentos por muito tempo.
Éramos então cinco filhos o mais velho com onze anos, eu com dez anos minha irmã com sete anos a
única menina entre os cinco, meu irmão Josmar com cinco anos e o mais novo, o Iran com dois anos
incompletos.
Quando tínhamos esta idade, nosso pai levado por seus impulsos envolveu-se com uma mulher muito
mais nova que ele, praticamente metade de sua idade. Não lembro a idade exata dela. Parece-me que
tinha aproximadamente 15 anos quando meu pai passou a viver com ela.
Por um período, meu pai dividiu-se entre as duas famílias, pois, deste relacionamento, nasceu um
menino que recebeu o nome de meu pai. Este filho de meu pai era quase da mesma idade de meu
irmão mais novo.
4
Foi então que, não tendo condições financeiras para manter as duas famílias meu pai fez sua opção,
abandonou minha mãe e a nós. Quando minha mãe percebeu que havia sido abandonada, com cinco
filhos, o mais velho com 11 e o mais novo com menos de dois anos, minha mãe, mulher de pequena
estatura, pois mede em torno de 1,50m. de altura, teve que assumir a situação sozinha. Aliás, não
sozinha, pois Deus sempre foi sua força em todos os momentos. Estávamos, nesta ocasião, em uma
casa alugada num lugar chamado de Casa Branca, era um vilarejo que existia apenas para abrigar
trabalhadores de duas serrarias que ali existiam. Pedia a minha mãe que verificasse esta historia
para não cometer incorreções e conta minha mãe, após ter lido o que escrevi nestas paginas, que meu
pai sempre nos supriu de tudo que precisávamos e quando nos mandava para a casa de parentes nos
mandava com recursos financeiros em abundancia, tendo sido somente após ter nos abandonado
nesta cidade chamada Casa Branca que deixou de nos dar os recursos que precisávamos. Neste
pequeno vilarejo morava também um compadre de meu pai, o padrinho de meu irmão Josmar, ele era
também outra pessoa que pelos mesmos maus hábitos de meu pai foi levado por seus impulsos e
acabou neste pequeno lugarejo, sem família. Este compadre de meu pai possuía uma pequena
farmácia. Nesta farmácia lembro que meu irmão, esteve trabalhando por algum tempo. Não sei ao
certo o que ele fazia, pois meu irmão também tinha pouca idade. Imagino que era alguma coisa
simples, seu trabalho seria para de alguma forma, dar uma ajuda financeira à minha mãe.
Sem a presença de meu pai, minha mãe fazia todo o possível para nos dar o alimento de cada dia.
Começou a trabalhar como costureira, à luz de lampião ou velas, passava suas costuras com um ferro
bastante rudimentar, pois não havia energia elétrica neste vilarejo. Este ferro, para que saibam as
futuras gerações, assemelhava-se a um tijolo de seis furos, porém numa das suas extremidades tinha
um formato bicudo. Este ferro de passar era feito de ferro fundido, sendo suas paredes de uma
espessura de meio centímetro, aproximadamente, com pequenas aberturas laterais por onde entrava o
ar (oxigênio) que mantinha acessa as brasas que eram colocadas em seu interior. Estas brasas eram
o resultado da lenha que queimava no fogão, que também era à lenha. Lembro de ter sentido o peso e
o calor desde antigo ferro de passar, talvez em alguma ocasião que minha mãe tenha me pedido para
colocá-lo fora de casa para esfriar, evitando assim, que algum de nossos irmãos menores, se
queimasse.
Esta era nossa situação. Este compadre de meu pai vendo nossa situação convidou minha mãe para
ir a procura de meu pai. Lembro que fizemos uma viagem bastante conturbada, pois as estradas da
região, nesta época, eram muito precárias. Tiveram que acorrentar as rodas do veiculo e empurrar a
Kombi para que ela conseguisse subir um morro onde havia bastante lama. A viagem, que foi
cansativa e demorada não era muito distante em kilômetros, mas esta geração a quem dirijo este
relato não poderia imaginar como fazer uma viagem poderia ser tão demorado e cansativo. Lembro
que ao anoitecer pararam o veiculo na beira da estrada e por algumas horas, ali mesmo, no chão da
Kombi ou do jeito que fosse possível, dormimos.
Assim que começou a amanhecer, desci do carro e percebi então um frio nada agradável. Além da
sensação de frio, a fome. Pensei: e agora, o que comer? Ciente que nossa viagem não era um passeio,
pois sabia dos problemas e da difícil situação, não me senti à vontade para pedir algo para comer.
Lembro então, que foi esta a primeira vez que vi uma lavoura de amendoim. A Kombi havia
estacionado ao lado de uma. Não me recordo como ou quem teve a iniciativa, mas arrancados alguns
pés de amendoim para comer. Eu comi alguns e, até certo ponto, senti um sabor de aventura devido à
agitação daquele momento.
Chegamos então à uma cidade com o nome de Campina da Lagoa. Logo percebi que contatos foram
feitos com algumas pessoas para localizar meu pai. Foi aí que, antes que o encontrássemos, minha
mãe acabou deparando – se com a outra mulher de meu pai. Imagino que este, tenha sido um
momento nada fácil na vida de minha mãe. Quando me dei conta minha mãe já havia agredido a
outra e formou-se uma tremenda confusão, não me lembro de detalhes, mas me parece que fomos
todos parar numa delegacia.
Dali por diante não sei por que, não consigo lembrar o que aconteceu até que minha lembrança volta
quando começo a contar de nossa estada já em Ubiratã.
Estávamos agora residindo em uma cidade chamada Ubiratã, que fica na região norte do estado do
Paraná á aproximadamente 500 km da cidade de Curitiba. Morávamos numa casa que havia sido
5
alugada e mobiliada por meu pai e serviria para abrigar a sua outra companheira. Ele havia
providenciado esta casa para sua outra família na época em que morávamos em Casa Branca.
Começou aí mais um período de provações para minha mãe. Ainda sem condições financeiras
satisfatórias, meu pai por vezes presente, mas por muito mais tempo ausente, deixava - nos faltar o
necessário para nossa sobrevivência. Sem crédito para comprar alimento fiado, este
termo”fiado”nado agradável, ainda existe em nosso vocabulário nos dias de hoje. Não bastasse toda
a carga emocional que esta situação causava, minha mãe foi torturada pela sua rival que vez por
outra a humilhava passeando com brinquedos que havia comprado para o outro filho de meu pai,
enquanto que pra nós faltava o básico necessário. Eu e meu irmão mais velho, até certo ponto, como
já vivenciávamos esta situação há algum tempo, acredito que estávamos até nos acostumando a viver
desta forma. Procurávamos então agir como se isso fosse normal e nos envolvíamos em passeios com
os amigos da vizinhança. Meninos de idade próxima a nossa que, apesar de serem pessoas simples
com pouco poder aquisitivo, compensavam isso com espírito de aventura. Íamos nadar nos rios
próximos à região, brincávamos com carrinhos feitos de latas de leite em pó vazias amarradas com
arame,
Enquanto isso minha mãe, já não sabendo mais o que fazer diante de tudo que estava acontecendo,
preocupava-se também com a saúde de meu irmão mais novo, o Iran. Ele sofria convulsões e
acreditava-se que poderia ser devido às atribulações que minha mãe tinha vivido durante sua
gravidez, por este motivo ele nascera com problemas e precisava tomar remédios para controlar este
problema.
Quando nos demos conta novamente não se tinha noticias de meu pai. Como fazer? Distante de
Curitiba onde estava nosso parente que sempre nos acolhia nas idas e vindas de meu pai, minha mãe
tomou a iniciativa de ir a Juíza da cidade e expor sua situação. Foi então que, orientada pela juíza,
minha mãe se pos a vender as mobílias da casa para conseguir o dinheiro que fosse o suficiente para
nos levar até Curitiba. Minha mãe conseguiu combinar com o proprietário de uma caminhonete
pequena um valor para levar a nossa mudança, vendeu o suficiente das mobílias para pagar o
transporte e colocou o que havia sobrado na carroceria da caminhonete. E lá fomos nós mais uma
vez. Meus irmãos menores foram junto com minha mãe na cabine, e eu e meu irmão mais velho fomos
na carroceria da caminhonete, embaixo da lona que encobria as coisas que sobraram. Apesar de
mais distante que a viajem narrada anteriormente, esta viagem mesmo sem conforto não foi ruim.
Choveu durante quase toda a viagem, mas abrigados pela lona não me lembro de ter sentido frio ou
me molhado.
Chegamos agora à Curitiba, à casa da madrinha Ávila. Lá estava ela e meu padrinho, Portes, que
chamava – se Domingos Portes Pereira. Padrinhos queridos que sempre nos acolheram. Lembro com
saudades destas duas pessoas queridas.
Não sendo intenção de minha mãe “dar trabalho” expressão usada por ela, meu padrinho fez uma
parede de madeira em sua garagem tirando apenas o espaço necessário para guardar seu carro, um
VW ano 72 cor azul que era seu xodó, pois ele havia conseguido comprá-lo zero kilômetro. Ele
dividiu então sua garagem e, na parte que sobrou, medindo em torno de 4.00 x 3,00 metros era onde
iríamos morar por algum tempo.
Neste momento após ter relido a etapa anterior dou continuação a esta narrativa agora são 05 h da
manha do dia 13 de agosto de 2.009, entendo neste momento que ao iniciar a escrever fui movido
pelo desejo de levar a minhas futuras gerações algumas informações a respeito de seus antepassados,
mas percebo agora que existe um propósito maior de nosso criador ao ter me movido a fazer este
relato.
Hoje estou com 49 anos de idade, faltam poucos meses para que eu complete 50 anos, penso então,
nossa 50 anos é bastante tempo, não é mesmo? Mas quando me dou conta, percebo que ainda sou um
menino cheio de questionamentos, sempre querendo respostas e tentando compreender tudo que
acontece comigo e ao mundo ao meu redor. Percebo então, que assim me sinto mesmo tendo vivido e
ainda vivendo situações que não são comuns, ou seja, que não deveriam ser comuns, cada vez mais
percebo o quanto dependo da presença de Deus para tudo e em todos os momentos. Penso que estas
6
experiências poderiam ter me tornado melhor preparado para a vida como se costuma falar. Estar
preparado para a vida ou para viver é um desejo que todos temos como meta, mas não sei se algum
dia mesmo com elevada idade será possível chegarmos a afirmar termos conseguido. Viver
preparados para a vida não é possível, somente se torna possível viver preparado para a vida ou para
viver através da presença constante de Deus .
Bom seria que todas as pessoas pudessem ter famílias que fossem centradas em todos os aspectos,
sendo o espiritual o principal e por conseqüência através das bênçãos o emocional e o financeiro
seriam também equilibrados.
Escrito em 15 de agosto de 09h07m. período da manha.
Nossa como tem detalhes para corrigir. A cada vez que releio o que já escrevi, desta vez precisei de
58 minutos de leitura para ler menos de sete paginas que escrevi. Vamos adiante então.
Moravamos na garagem da casa de minha madrinha, minha mãe foi trabalhar de camareira num dos
hotéis da cidade. Meu irmão e eu fomos convidados por um amigo, o Altair, a ir engraxar sapatos.
Altair era filho de nossa empregada domestica a dona Maria, que trabalhou conosco na época em
que tínhamos uma boa condição financeira. Nós crescemos juntos por um tempo numa das boas fases
de meu pai. Mas meu trabalho como engraxate não durou muito tempo, pois meu irmão, havia
conseguido um emprego e acabei tendo de abandonar esta atividade, sem estatura e sem meu irmão
mais velho, era alvo fácil e sempre tinha que fugir dos meninos maiores para não apanhar.
Depois de ter interrompido a atividade de engraxate, por alguns meses eu passei meu tempo na casa
de outro amigo de infância. O nome dele era Carlinhos, ele era de uma família de poloneses que
moravam próximos à casa de minha madrinha. Deus então me preparava para iniciar numa profissão
na qual trabalhei pela maior parte de minha vida.
Esta família de poloneses tinha alguns barracões em seu quintal onde funcionava uma marcenaria.
Nesta época, seu João, pai do Carlinhos, havia há algum tempo se aposentado e tinha alugado parte
de seu espaço para o Sr. Luiz, ele era um decorador muito competente e respeitado em seu segmento,
que é a decoração de lojas comerciais. Este senhor fazia campanhas onde se produziam cartazes que
eram pendurados dentro das lojas, painéis nas fachadas, promoções e anúncios de liquidações e para
datas comemorativas. Sua atividade despertou em mim curiosidade, pois estavam envolvidos vários
profissionais que aplicavam técnicas artísticas diversas para a produção destes materiais. Tanta
agitação não poderia deixar de atrair a mim e a meu amigo Carlinhos, que brincava por perto.
Quando me dei conta estava me envolvendo e passando a fazer parte daquela agitação toda.
Eu ficava admirando o trabalho dos artistas, podia perceber quando eles precisavam lavar um pincel,
pegar uma tinta ou ferramenta, pois o Luizinho, como me chamavam, estava sempre por perto. Lá
havia outro Luiz, o patrão, e eu, por ser pequeno acabei levando o apelido de Luizinho.
Passado não muito tempo, o Luizinho começaria a fazer parte da equipe. Estava agora com 11 anos,
e estudava à noite. Fazia o 1º ano do ginásio no Colégio Estadual Cristo Rei. Ganharia um bom
salário, em minha opinião, pois haviam dito que eu ganharia 50% de um salário mínimo. Foi então
que, cheio de entusiasmo, fiz em uma folha de papelão, um calendário com os trinta dias que me
separavam da minha primeira fortuna. A cada dia que passava eu riscava um dia no calendário. Era
um dia a menos que faltava.
Logo na primeira semana de contratado, estávamos produzindo um volume enorme de trabalho que
era destinado ao 1º Salão da Mulher. Este foi o primeiro evento que aconteceu no Parque Britânia,
um pavilhão enorme que pertencia a um antigo Clube de futebol da cidade que tinha este nome.
Lembro que cinco dias e cinco noites eu fiquei dentro deste pavilhão. Somente percebia quando era
dia ou era noite ao olhar nas pequenas janelas na parte superior das altas paredes, ou quando ia até
a parte externa para lavar rolos e pinceis utilizados nas pinturas. Pensei então: “vou ficar rico
trabalhando desta forma.” Pensava assim porque ouvia outras pessoas falarem que horas extras
eram remuneradas com percentuais maiores que o valor pago pelas horas trabalhadas durante o
horário normal. Acreditando que assim seria, informei a minha mãe que já poderia sair de seu
emprego, porque o que eu ganharia já seria suficiente.
7
Fiquei decepcionado quando ao final dos 30 dias, após ter riscado um por um os dias que faltavam
para receber meu salário tão esperado, não saiu o pagamento. Apesar da frustração, continuei indo
trabalhar conforme era de costume, já sem tanta expectativa, pois não sabia exatamente quando iria
receber.
Até que este dia chegou. E novamente a frustração, pois as esperadas horas extras que iriam me
deixar rico, não estavam inclusas no valor recebido. Havia somente os 50% de um salário mínimo.
Não passou por minha mente, ou caso tenha passado, não alimentei a idéia de abandonar o emprego.
Estava aprendendo a fazer coisas que me empolgavam, tinham pessoas ao meu lado com grande
potencial e que por vezes me ensinavam cada um algo daquilo que sabia fazer. Não poderia deixar de
citar os nomes deles, alguns mais queridos que outros, mas todos amigos.
Em primeiro lugar cito seu Luiz aquele que ao longo dos cinco anos que estivemos juntos,
representou para mim o pai que me faltou nesta época. Sua esposa, que por vezes me auxiliava nas
minhas tarefas. Henrique, grande artista e profissional da serigrafia, Silk-screnn como era chamado
o processo na época, com quem eu aprendi aquilo que foi o que mais trabalhei durante os anos que
ali estive, foi nesta área que mesmo tendo pouca idade era bastante respeitado até por outros
profissionais mais velhos do que eu, graças à dedicação deste bom amigo. Nesta fase convivi e
conheci também vários profissionais que vinham ocasionalmente prestar seus serviços e ao terminar
iam embora.
Colegas e também amigos com quem convivi, foi o Dinho de nome José que logo saiu da empresa. O
Samuel, artista plástico a quem tive o privilégio de conhecer e de conviver por um tempo neste
emprego e mais tarde no futuro, já contratado por mim, para atender a serviços de minha empresa.
Convivi, não por muito tempo com outro grande artista plástico. Um chinês chamado Ling. Era
bastante difícil se comunicar com ele, mas era uma grande pessoa. Quem sabe se meus futuros
descendentes por obra de nosso Deus tenham em suas vidas contato com descendentes destes que
hoje, estou citando e que foram importantes em meu passado. Eu poderia contar detalhes que
ocupariam muitas folhas a respeito desta época. Mas resumindo conto que, após cinco anos nesta
atividade, estava eu já capacitado aos 16 anos a ser o responsável na ausência de meu patrão por
todos os trabalhos que produzíamos na empresa.
Neste momento paro de escrever este relato levado pela tristeza de uma conversa via MSN com meu
irmão mais novo o Iran que me deixa muito triste.
Continuo agora após ter feito uma oração por meu irmão pedindo a Deus que tenha misericórdia
para com meu irmão, para com ele e para com meu outro irmão que nesta data são adultos e tem
mais de quarenta anos de idade, mas infelizmente para a tristeza de todos que os amam, trilharam
pelo caminho das drogas e quanto sofrimento eles tem passado e submetido a todos por isso. Alerto a
você que esta lendo este relato, não se envolva nem deixe alguém se envolver nem se quer chegue
perto do mundo das drogas. Este é um caminho de tristezas e sofrimentos inimagináveis.
Volto então ao objetivo que estou considerando ter sido uma missão que Deus esta me dando.
Trabalhei com o Luiz por cinco anos.
Vivia mais tempo no meu local de trabalho que em minha casa. Estudava à noite, e o colégio era mais
próximo do emprego, como era comum trabalharmos a noite costumava não ir para casa, trabalhar
fora do horário normal é uma característica sempre constante no ramo da propaganda.
Após o expediente me arrumava no barracão da empresa ou na casa de meu patrão onde também
fazia as refeições. No final da tarde dirigia-me ao colégio e ao final das aulas, por varias vezes,
voltava a trabalhar parando para descansar um pouco em um colchão no chão do barracão que era
onde eu dormia.
E foi assim por vários anos até a minha saída. Cabe aqui explicar minha saída. Ela foi motivada por
uma queixa de minha patroa. Como era de costume, os pagamentos mensais durante todos estes anos
não aconteciam na data do vencimento. Não me incomodava com isso porque todos os dias me davam
8
o dinheiro para meu transporte e ocasionalmente me davam pequenas quantias como adiantamento
que chamavam de vale.
Outro motivo era que estávamos construindo uma “meia água” nome dado ao tipo de construção que
tem somente uma caída em seu telhado, ou seja, uma inclinação somente. Construíamos num terreno
que minha mãe havia comprado com as economias de todos e agora juntávamos dinheiro para pagar
a construção desta pequena casa.
Lembro com tristeza deste dia,
Estando então acumulado vários meses de pagamento de meu salário, chamaram minha mãe para
receber por mim. Um hábito que adquiriram desde o inicio quando eu tinha pouca idade. Acredito
que ficavam mais tranqüilos desta forma. Neste dia usaram um argumento que muito me entristeceu.
Não sei se para justificar um valor menor a ser pago ou por quais motivos, esta senhora disse à
minha mãe que estaria pagando um valor menor em função de um acontecimento do passado.
Vou relatar este acontecimento, pois Deus permite certos acontecimentos em nossas vidas que no
momento que acontecem, pensamos ser uma tragédia, mas entendemos mais tarde que Deus
transforma nossas tristezas em algo melhor, e talvez até permita acontecer, para evitar algo que
poderia ser ruim para nós em nosso futuro, seu Luiz meu patrão, tinha filhos pequenos, era do
costume deles deixar dinheiro por cima de moveis e até mesmo sua bolsa em locais ao alcance de
seus filhos. Vem aqui um alerta: se você perceber algo em qualquer ambiente que possa colocá-lo em
alguma situação embaraçosa, evite estar presente neste local.
Por vezes eles pegavam dinheiro, e iam até a mercearia comprar doces sem terem pedido este
dinheiro a seus pais. O fato a que havia se referido e dito a minha mãe como motivo, havia
acontecido em um inicio de ano quando estávamos todos numa cidade do Litoral do Paraná chamada
Guaratuba. Nesta cidade existia a casa de praia da família onde ficávamos todos hospedados e dali
partíamos para a cidade vizinha chamada Caiobá. Nesta cidade aconteciam eventos da sociedade
Curitibana e da região, durante a temporada de praias. Como era de costume as decorações dos
bailes eram por nossa conta. Os nomes dos bailes eram “Garota de Caiobá” onde era escolhida a
mais bela representante do litoral Paranaense daquele ano.
Estávamos próximos da nova temporada de praia por ocasião deste dia do acerto (pagamento).
Minha patroa disse à minha mãe que o espírito de um Índio que eles costumavam receber nas
reuniões de mesa branca, como eram chamadas as reuniões, havia contado a ela que uma nota
(cédula de dinheiro) de maior valor havia sumido, e que teria sido eu quem a pegou. Na minha
lembrança ficou gravado, eu ter presenciado não poucas vezes aquelas correrias procurando
dinheiro e perguntando a seus filhos se o tinham pegado.
Foi então que minha mãe me chamou até o lugar onde estava ela e minha patroa. E contando o que
acabara de ouvir, me perguntou se eu havia pegado o dinheiro, conforme ela havia dito.
Na minha pouca capacidade de lidar com emoções, diante deste choque que recebi pela pergunta
feita, pois para mim eram como minha própria família, lembro que não consegui pronunciar uma
palavra. Algo trancou minha garganta, um sentimento de tristeza tão grande que me fez sair naquele
momento daquele lugar, na condição em que me encontrava, com roupas de trabalho e sujo de tinta.
Nem minhas mãos eu limpei, simplesmente sai daquele lugar para nunca mais voltar nem para buscar
algo que me pertencesse e que ali ficou. Conto esta experiência por ter sido muito marcante em minha
vida e saber que estava sendo necessário um acontecimento de grande impacto para me tirar daquele
ambiente.
Digo isto por saber hoje, que entre o céu e a terra existem muito mais coisas do que nossa capacidade
de entendimento.
Meus patrões eram boas pessoas. Vivi bom momentos na companhia deles. Mas infelizmente os seres
humanos diante dos problemas que tem de enfrentar ao longo de suas vidas, e por não ter fé
suficiente em Deus, buscam soluções e orientação em todos os lugares onde isso é prometido. Nessa
busca encontraram uma família de médiuns. Há grande perigo nesta pratica, pois como poderiam
pessoas que em suas vidas cometeram tantos erros, como todos os demais, estarem preparados para
orientar e até mesmo curar outras pessoas? Não cabe a mim julgar. Sei que este é um assunto que
gera muita polemica. Lembro a vocês que hoje estão lendo estas memórias que também não se tem a
certeza de que realmente o espírito que esta sendo incorporado é de alguém enviado por Deus, mas
9
pode ser também, o espírito de um demônio se fazendo passar por algum ente querido ou pessoa, que
em sua vida tenha adquirido conhecimento e vivido uma vida santa que o capacitaria a se incorporar
com esta missão. Quando digo grande perigo há, é porque acredito não estar errado em dizer que
não se pode ter a certeza de que estamos diante de um espírito enviado por Deus. Se possível for ter
esta certeza, até o momento desconheço como.
Este então era o ambiente do lar de onde eu julgava fazer parte. Membro da família ao ponto de ser o
namorado, um tanto como a moda antiga, da filha do casal de médiuns. Vou explicar como era ser
um namorado a moda antiga, existiam as paqueras, mas dentro de limitações, primeiro vinha a faze
de um olhar para o outro e esta troca de olhares ia se acentuando permitindo ao outro perceber que
se estava interessado em ser seu (a) namorado (a) depois vinha a faze de recadinhos escritos em
papel quando feitos e mandados pelas meninas vinham com florzinhas ou detalhes com estes, depois
vinha a faze mais seria , quando era preciso pedir permissão aos pais, tendo a permissão daí então
estávamos autorizados a pegar na mão um do outro. Para chegar até aqui já havia transcorrido um
tempo não muito pequeno, assim era na época que eu tinha quatorze a quinze anos, alem de pegar
nas mãos, poderia ser esperado um beijo no rosto depois de transcorrido algum tempo também não
muito pequeno. Contato mais íntimo, somente após o casamento. Explico como era o namoro naquela
época porque hoje passados então mais de 30 anos, esta havendo uma liberalidade que esta por
acabar com a instituição do casamento, a qual determinada por Deus que assim fosse espero que não
venha a acabar.
Voltamos então como disse anteriormente de um salto do passado para o futuro ou vice e versa
continuar a narração. Percebam então que somente um grande choque, para que eu pudesse ser
retirado daquele convívio. Este acontecimento marcante me afastou até hoje com meus 49 anos de
buscar orientação ou o que quer que seja senão em Deus somente.
Começa então um novo período na minha existência,
Por ter adquirido conhecimento e me tornado um bom profissional em minha área, fui incentivado,
não posso deixar de dizer pelo Professor Osvaldo Portella diretor do colégio onde estudei, ele nos
disse em uma de suas palestras o seguint, todas as profissões são dignas, mas, com muita eloqüência
dizia sejam o que quiserem ser, escolham a profissão que quiserem escolher, mas façam isso com
amor e seja o melhor naquilo que escolherem fazer, seja a profissão de lixeiro a que vierem a
escolher, pois também é digna como todas as outras, mas seja o melhor lixeiro.
Assim me tornei um bom profissional naquilo que me propus e aplico este principio em tudo que me
proponho a fazer até esta data.
Sábio ensinamento este que recebi, pois abriu de imediato as portas para que eu pudesse conseguir
um emprego. Levei amostras de meus trabalhos a uma empresa de grande porte que tinha um
departamento interno para fazer a decoração de suas lojas. E logo fui admitido. Fiquei sabendo mais
adiante pelo próprio selecionador que me encaminhou para ser contratado, o comentário feito por
seu chefe imediato disse ele que eu poderia estar apresentando trabalhos executados por outra pessoa
e não feitos por mim mesmo. Não me recordo agora o nome de meu entrevistador, pois raros foram os
contatos que tivemos, mas lembro do nome do seu e depois meu chefe também que era Eloi Zanneti.
Tudo isso são detalhes que acredito são importantes para quem esta ainda iniciando sua vida
pequenos detalhes, mas não menos importantes que podem determinar o futuro de uma pessoa.
Estava eu agora com apenas 16 anos de idade, como
responsável pela serigrafia do Frischmann’s uma das maiores lojas de departamentos de Curitiba na
época. Por ironia este que era meu superior e que a principio não havia acreditado ter sido eu o
executor dos trabalhos apresentados na entrevista de emprego, tendo ele mais tarde adquirido
confiança em meu trabalho, encaminhava trabalhos extras para que eu fizesse para uma outra
empresa da qual ele também ocupava a direção de marketing. Era esta outra empresa o canal 6 uma
emissora de televisão. Estes trabalhos extras começaram a se tornar freqüentes e a ocupar as minhas
noites, pois eu usava o período da noite para produzi-los. Contava com a ajuda de meu irmão José lá
íamos nós ao local onde o Henrique aquele querido amigo que citei anteriormente, gentilmente cedia
seu espaço de trabalho para que eu pudesse fazer os meus. Foram varias noites sem dormir e dias de
trabalho que se seguiam até que conclui que o valor que eu ganhava como empregado estava sendo
10
menor que o valor que eu conseguia ganhar trabalhando por conta própria. Decidi então que iria
pedir demissão do emprego e me dedicar ao trabalho por conta própria. Nesta época estava
estudando no Colégio Estadual do Paraná, fazendo o curso profissionalizante de programador de
computador linguagem COBOL.
18 de agosto de 2.009 – 05 h 41min – A revisão de texto hoje demorou 1.20 h. Terei que continuar a
história em outra oportunidade.
Neste momento são 06 h 20 min. da manha do dia 27 de agosto de 2.009.
Neste dia minha esposa esta completando 50 anos de idade. Já me emocionei muito enquanto
pensava e escrevia pra ela uma mensagem através de um sistema chamado de MSN utilizado para
mantermos contato por internet. Meu coração me pede que registre aqui os meus votos destinados a
ela neste momento. Então esta foi a minha mensagem:
Luiz disse (06h04min):
Bom dia Regina!
Luiz disse (06h06min):
Que neste dia você possa estar sentindo toda a Paz que o Senhor nosso Deus possa te dar!
Luiz disse (06h07min):
Não existe nada maior ou melhor que a Paz da presença de nosso Deus em nossos corações.
Luiz disse (06h08min):
Que esta Paz seja sempre a nossa riqueza por todos os dias em que neste mundo estivermos.
Luiz disse (06h09min):
E, que você a esteja sentindo neste momento em que esta lendo e que ela perdure para sempre inundando
todo o teu ser por toda a tua vida.
Luiz disse (06h10min):
Deus te abençoe!
Luiz disse (06h11min):
E que o amor de Deus continue sempre nos unindo num amor puro.
Luiz disse (06h12min):
É neste Amor que desejo a você um feliz dia no qual você completa 50 anos de existência.
Luiz disse (06h14min):
Não estou aí ao seu lado, mas meu sentimento, meu coração e meu espírito neste momento não poderiam
estar mais próximos de vocês... Deus esteja conosco.
Estamos vivendo nesta ocasião, momentos onde se fez necessário que ficássemos afastados, para
nosso crescimento espiritual, não sabemos ou eu pelo menos não sei exatamente por qual motivo, mas
Deus sabe e nele confio, peço sempre que me permita estar preparado para tudo o que ele deseja ou
que eu possa vir a ser destinado.
Hoje novamente ao fazer minhas orações perguntando ao Senhor o que deseja que eu faça da minha
vida, sinto mais forte sua presença e o propósito de minha existência. Cada um dos seres que por aqui
passam vem para cumprir um desígnio, somente Deus sabe qual.
Voltarei então a narrar minhas memórias. Conforme dizia, estava estudando no “Colégio Estadual
do Paraná” e foi lá que conheci minha esposa, tinha 16 anos e ela também quando nos conhecemos.
Passados até esta data 34 anos deste o ano de nosso primeiro contato.
Imagino que todos gostem de saber alguns detalhes que deram inicio ou como começou um
relacionamento, que se estende por longo tempo. Então vou contar agora como conheci a Regina. Ela
estava aguardando na fila do ônibus, hoje quando digo fila do ônibus talvez muitos não estejam
habituados com a palavra e até penso que no futuro nem imaginem o que era, naquela época quem
chegava primeiro ao local onde o ônibus coletivo iria estacionar ou parar e receber passageiros
ocupava o primeiro lugar, ou seja, seria a primeira pessoa a entrar no veiculo, e assim por diante à
medida que mais pessoas chegavam cada um nesta ordem iria ocupar seu lugar na fila. Ao chegar ao
ponto onde iria aguardar a chegada do transporte, identifiquei uma pessoa conhecida, era um colega
que havia estudado no colégio anterior na mesma turma que meu irmão mais velho o José.
11
Me aproximei e cumprimentei o Morramede este era o seu nome. Ele então me apresentou a menina
que estava ao seu lado, conversamos por algum tempo e quando chegou o ônibus, para minha
surpresa ele não iria conosco, pediu então que eu tomasse conta da Regina para ele, então percebi
que ele estava ali somente fazendo companhia para ela, imaginei que na qualidade de seu namorado.
Como havia prometido a ele tomar conta dela, e como cavalheiro que sempre procurei ser, fomos
conversando durante o percurso. Estudávamos no período noturno e já era tarde da noite. Ao saber
que ela teria uma distancia grande para percorrer sozinha no escuro, isto me preocupou, não desci
então onde deveria descer e desci junto com ela e a acompanhei até sua casa. Continuei agindo desta
forma sempre que nos encontrávamos e estávamos a caminho de casa.
Então a companhia foi se tornando cada vez mais agradável e surgindo algo a mais que o desejo de
fazer companhia. Decidi ousar e descobrir se o sentimento era recíproco. Como cavalheiro num dia
ao me despedir, decidi ao contrario de dizer “tchau” e até amanha, pois já contava que estaríamos
juntos no dia seguinte, gentilmente arrisquei. Com toda gentileza e lentamente levei minha mão ao
encontro de seu queixo e me aproximando lentamente encostamos nossos lábios, foi nosso primeiro
beijo, com muita emoção e todo o respeito.
Como me senti feliz, ao retornar mesmo a pé e sozinho, grande parte do caminho, pois ela morava a
dois pontos alem do qual eu deveria descer do ônibus, mas feliz porque ela estava sentindo por mim o
mesmo que eu sentia por ela. Éramos então dois jovens que estavam namorando agora. Passado um
ano de namoro no dia 28 de outubro data de meu aniversario, ficamos noivos e aos 18 anos no dia 13
de maio de 1.978, na Igreja do Cabral na cidade de Curitiba foi registrado o nosso compromisso
perante Deus e os homens.
Voltemos a historia.
Ainda com 16 nos estava quando pedi demissão e sai do Frischmann’s e dividia um local de trabalho.
Chamávamos de ateliê, nome que foi dado pelo Luiz Polaco agora meu amigo, ele trabalhava com
decoração assim como eu e prestava serviço para outra rede de lojas próxima. Ficamos amigos e o
ajudei a entrar na mesma empresa onde eu trabalhava, fomos então colegas de serviço durante algum
tempo. Tendo ele saído primeiro também para trabalhar como autônomo. Espero que ele esteja muito
bem que esteja vivo e feliz seu nome é Luiz Vicente Terlecky. Ele foi muito importante em minha vida
não somente profissional, ele também estava iniciando sua atividade autônoma, por ele ser mais
velho e com grande facilidade de se relacionar era ele muitas vezes quem vendia nossos serviços.
Somávamos nossos conhecimentos e produzíamos em conjunto nossos trabalhos. Nosso ateliê ficava
no segundo andar de um antigo prédio na rua XV de Novembro calçadão e rua central de Curitiba.
Nesta época vivendo uma nova etapa em minha vida, tudo era expectativa, muitos sonhos, na verdade
quando estamos nesta idade esperamos do mundo e de nós mesmos muito mais do que realmente
iremos precisar ou muito mais do que é o necessário para qualquer ser humano. Para isso eu me
dedicava, fazer com que meus sonhos e expectativas se tornassem realidade. Meu desejo era ser bem
sucedido. Nas conquistas de toda natureza, emocional profissional, financeira, sempre tendo como
referencia os padrões que o mundo determina.
Quando digo padrões que o mundo determina, até repito a frase para que se tenha muito cuidado com
relação a estes padrões.
O mundo diz através dos meios de comunicação em seus apelos de venda de produtos que para
sermos felizes temos que possuir isto aquilo e mais uma serie de coisas que seremos felizes se
utilizarmos ou consumirmos. Ou nos mostram pessoas em ambientes luxuosos, consumindo produtos
que muitas vezes serão os responsáveis pela sua falta de saúde e até mesmo pela sua morte. Não
quero dizer que tudo que se tem veiculado nos meios de comunicação sejam prejudiciais, muita coisa
é útil e muito se pode aprender. Mas por estarmos ignorantes sobre muitas coisas acabamos sendo
influenciados e prejudicados por nosso comportamento. Sem muito pensar antes de agir, não temos o
cuidado e cometemos atitudes inadequadas diante do que deveríamos fazer, e que nos proporcionaria
boa saúde.
Sem muito pensar antes de agir, não temos o cuidado com os padrões de comportamento moral e
social aceitos perante o ser maior que nos criou.
12
Cuidado você que esta lendo, não é preciso que sofra durante sua vida para aprender as diferenças
entre certo e errado, entre o bem o mal. Agindo com sabedoria podemos nos espelhar na vida das
pessoas vendo como viveram, as escolhas que fizeram e qual foi à conseqüência destas escolhas em
suas vidas, lembrando sempre que cabe uma observação, viver realmente não é somente aparentar
aos outros que somos felizes e realizados, mas sentir isso realmente. Muitas pessoas vivem
preocupadas em demonstrar sua felicidade, mas como temos um exemplo na bíblia que diz “Olhe os
frutos e saberá se a arvore é boa” assim podemos observar e nos espelharmos.
Muita ilusão existe neste mundo, se um dia tiver a oportunidade de ler e estudar o maior manual de
instruções que existe ele se chama “Bíblia Sagrada” sagrada por ter sido escrita pela inspiração
dada a homens pelo Espírito Santo de Deus, neste que chamo manual de instruções existem relatos
muito valiosos de como foi à vida de pessoas comuns de reis, profetas, ou seja, a vida com
acontecimentos onde decisões foram tomadas, conseqüências sofridas ou bênçãos recebidas, tudo
isso decorrente de decisões e escolhas que fizeram e que também estaremos diante das mesmas
provas, porque tudo durante nossas vidas tanto de bom como de ruim “Provas são”.
Quando paro de narrar a historia, é porque tenho certeza que neste momento de minha vida o qual
estava vivendo na narrativa, teria sido muito mais feliz e melhor sucedido se tivesse o conhecimento
que estou tentando fazer despertar e que obtive sofrendo a conseqüência por erros e escolhas
erradas. Com certeza irei repetir estas interrupções até ao final da Historia com este objetivo.
Continuemos: E assim foi muito trabalho, a cada momento novos desafios surgiam e isso me
empolgava e motivava.
Sentia que teria o mundo todo ao meu alcance e todas as oportunidades de trabalho eu aceitei e me
empenhei em realizar.
Tudo estava caminhando, já com algumas pessoas trabalhando junto comigo e com a confiança que
depositaram em minha capacidade profissional, hoje penso como poderiam ter dado tanta
credibilidade a um jovem de tão pouca idade, digo isso devido à importância dos trabalhos que
assumia e de valores que isso representava. Não havia ainda em minha mente a consciência que hoje
tenho que Deus era o motivo da minha sorte da minha capacidade e da confiança das pessoas.
Quando estava a não muito tempo trabalhando por conta surgiu uma oportunidade de trabalho que
me deixou diante das primeiras provas, eu poderia comprar com o valor de um único trabalho para
loja chamada “Auto Paraná” o primeiro e sonhado carro, estava então com 17anos de idade não
tinha licença para dirigir, mas já sabia dirigir desde 11 anos de idade, ensinado pelo cunhado de meu
antigo patrão que se chamava João de apelido Joãozinho como era chamado e como me lembro dele.
Este trabalho alcançou um valor considerável para os valores que eu estava habituado. Confesso que
hoje percebo quantos erros cometi naquela ocasião, e o quanto fui egoísta pela maneira como agi.
Pensei em mim em realizar meu sonho de comprar meu primeiro carro e não fui justo com quem
trabalhou comigo naquele trabalho. Chamava-se Seu Boris este era o nome da pessoa que me ajudou
a comprar meu primeiro carro. Ele era um marceneiro, de poucas palavras, mas muita competência.
Hoje ainda e durante toda a minha vida irei carregar comigo o sentimento de que em meu objetivo em
realizar aquele sonho, deixei de retribuir com justiça ao trabalho feito pelo seu Boris. Confesso que
esta experiência a de carregar este sentimento de ter sido injusto naquela ocasião, por muitas outras
vezes me levou a relevar erros que cometeram para comigo, e buscar reconhecer, valorizar e
retribuir a quem comigo trabalhou de forma a não ter que sentir este sentimento novamente. Como é
bom termos nossa consciência tranqüila. Que Deus possa ter retribuído e estar retribuindo ao seu
Boris pela minha falta. Estava então, de posse de meu primeiro carro, ano 72 cor azul um “Fuscão”
assim era chamado um Volkswagem que existia naquela época, era a realização dos sonhos de
qualquer jovem, tinha rodas esportivas (tala larga) que avançavam para fora dos pára-lamas)
pareciam rodas de carros da formula1. O carro era rebaixado, ele tinha também um pequeno volante
esportivo, chamavam este tipo de carro de carro de “boy” expressão usada para dizer que a pessoa
que possuía este tipo de veiculo era filho de quem tinha um bom poder aquisitivo.
Tudo caminhava bem até que os serviços de decoração que fazia anteriormente foram gradativamente
diminuindo, em função das crises que abalaram o comercio. Sempre estaremos ouvindo esta palavra,
13
“CRISE” ao longo de toda a minha vida ouvi e tenho ouvido. E hoje a este respeito digo que sempre
existira crise, ora para alguns segmentos hora para outros, mas sempre vai estar melhor para alguém
ou alguns, e tive que me readaptar.
Meu pai reapareceu nesta época, desde á muito tempo tínhamos ficado sem contato, retornou após
anos de afastamento.
Eu havia aprendido varias técnicas e havia muitos tipos de serviço e opções de trabalho dentro das
coisas que sabia executar,
Nesta ocasião comecei a trabalhar tendo meu pai como vendedor, ele vendia adesivos feitos em
serigrafia para promoção de políticos durante a campanha eleitoral.
Morávamos ainda na meia água, e estávamos construindo aos poucos a outra parte da casa. Esta
agora era a casa era onde morávamos e produzia meus trabalhos e não mais no ateliê.
Não imagino que seja necessário descrever as técnicas de Serigrafia, pois já há vários anos estas
técnicas vêem se mantendo e acredito que por tantos anos mais, haverá de manter-se ainda que em
ambientes para informação e pesquisa, caso meus queridos desejem conhecer este processo mais
detalhadamente. Como este tipo de produção permite ser executado sem muito equipamento e em
pequenos espaços, por vezes para que estes adesivos que estávamos imprimindo secassem
espalhávamos por cima de nossos familiares que estavam dormindo em suas camas. Neste trabalho
não contava com a ajuda de muitas pessoas, mas com a ajuda de minha mãe e de meu irmão Josmar
ainda muito pequeno, era ela quem estava dividindo comigo todo o processo. Lembro que varias
noites trabalhamos para poder atender aos prazos sempre pequenos, na campanha política eleitoral.
Produzíamos também adesivos para lojas de veículos.
Estava satisfeito com a situação tinha trabalho para nos sustentar, tinha minha namorada a Regina
ao meu lado e estava feliz em ter conseguido ter o meu fusca. Então a pós ouvir varias vezes meu pai
dizer que meu carro não era adequado, por ser rebaixado e porque não permitia transportar muita
coisa ou pessoas no máximo quatro pessoas e carregar pouco peso. Então eu deveria trocar o carro
por um mais apropriado. Com pouca experiência sobre carros e respeitando o que eu imaginava ter
meu pai “experiência”, atendi a sua orientação e fiz um dos piores negócios do qual tenho lembrança
em minha vida. Por isso quero registrar aqui que conhecimento sobre cada assunto, deverá ser
buscado com muito zelo e desta forma evitar agir baseado somente na orientação que recebeu de uma
só pessoa, pois ela pode não possuir o conhecimento suficiente e seu aconselhamento pode não estar
correto. Decida somente após obter todas as informações para ter certeza de estar decidindo da
forma acertada. Assim foi embora meu fuscão que estava quitado (sem divida), e em seu lugar, um
carne de prestações para pagar de um carro que apesar de ser um ano mais novo, ao contrario do
fusca só me deu aborrecimentos, estava sempre apresentando problemas mecânicos e por vezes me
deixou em situações difíceis. Lembro de um final de ano que enquanto todos festejavam, eu estava na
rua tentando fazer com que o carro funcionasse. Varias foram às vezes que o tivemos que empurrar.
Não desejo que ninguém passe por isso.
Sábado: 29 de agosto 2.009 – 10h00min h. 06h43min h.
Estive registrando o inicio da escrita de cada etapa e até as 14h30min h deste dia estive (com alguns
intervalos) inserindo conteúdo ao texto já escrito anteriormente.
Minha vida era baseada na atividade de trabalho e estudo, e na companhia de minha namorada e
atividades que nos ocupavam aos dois. As coisas caminhavam, havíamos aberto uma conta na
agencia bancaria onde trabalhava a Regina, nesta conta era depositado o dinheiro que recebíamos
ali então deveria ficar até que fosse necessário para nossa despesa, fazer algum pagamento ou
compra de matéria prima.
Por um período não muito longo, como sempre, em minha lembrança, não foram muitos longos os
períodos que meu pai esteve conosco, esteve tudo dentro da normalidade, como diria meu amigo o
poeta Afonso Pimenta, estava eu justificando a minha existência.
Num belo dia, costumam usar esta frase, mas para mim não foi nada belo, mas, sim muito triste.
Quando fui procurar meu pai, encontro um bilhete onde ele dizia que, estava indo embora para não
14
causar mais danos ou prejuízos a todos nós. Então não demorei muito tempo para descobrir a que ele
se referia. Ele havia sido levado por sua fraqueza que tanto destruiu sua vida, bebidas, jogos e
hábitos que já citei anteriormente, havia retirado todo o dinheiro que deveria estar guardado no
banco.
30 de agosto de 2.009 – mais ou menos 09h20min. Esqueci de marcar quando comecei a escrever e
agora já é 09h51min.
Estava agora diante de uma situação delicada em vários aspectos, meu trabalho era direcionado a
clientes de um segmento que eu não estava habituado a atender, era meu pai quem fazia as vendas e
tinha contato com os políticos, eram os candidatos que compravam este tipo de material.
Fiquei então sem ter trabalhos para produzir. Voltei a buscar trabalho novamente nas campanhas
para o comércio, já não havia trabalho como anteriormente, mas ainda havia trabalhos a serem
produzidos. Nas boas fazes que existiam anteriormente fazíamos varias campanhas durante o ano,
uma para cada estação do ano. Fazíamos campanhas de primavera, verão, outono, inverno tínhamos
também trabalhos para as datas comemorativas, dia dos pais, dia das mães, dia dos namorados, e
Natal somados ainda com os apelos mais fortes que eram as liquidações que aconteciam em varias
épocas do ano. Nesta nova faze os trabalhos ficaram resumidos nas campanhas que davam mais
retorno financeiro aos lojistas. Por este motivo estariam sendo abandonadas varias destas
campanhas diminuindo muito o volume de serviço. Mesmo assim as coisas estavam caminhando, aos
poucos construímos um barracão nos fundos do terreno de onde morávamos, agora já com a outra
parte da casa construída e com muito mais conforto que anteriormente.
Lembro quando no passado ao irmos morar em nossa pequena meia água, não tínhamos um sanitário
nem chuveiro nem água instalada dentro de casa, somente uma torneira no tanque que ficava ao lado
da porta.
Situação que confesso ao lembrar foi meio engraçada, pois me conscientizei desta deficiência de
nossa casa ao chegar o momento em que todos sentiram vontade de ir ao banheiro, então como fazer?
A casa não tinha banheiro. Improvisei, peguei uns pedaços de madeira restos da construção, uma pá
e fui providenciar o banheiro, quero dizer a privada, pois poderia atender somente esta finalidade.
Cavei um buraco no chão, não muito grande, pois estava com certa urgência,
Construí paredes e com alguns pedaços de plástico que eram sobras das decorações. E não me
lembro por quanto tempo esta foi à solução.
Conto um detalhe como este porque, normalmente quando temos tudo e todo o conforto não damos
valor a coisas que julgamos serem tão comuns como um vaso sanitário, por exemplo, mas estando
sem termos estas coisas é que podemos perceber o quanto nos faria falta. Creiam vocês, em varias
partes do mundo quem sabe até ai bem próximo de você que esta lendo existe pessoas sem estas
condições mínimas de higiene e vários outros itens também simples, (simples somente quando as
temos).
Continuando, minha memória nunca foi muito prodigiosa e às vezes fico meio perdido na seqüência
dos acontecimentos, e fazes onde as recordações eram não muito agradáveis, não havia percebido até
então, mas me parece que meu subconsciente não fez questão de armazenar.
Lembro com mais precisão das boas fazes.
Surgiu então meu pai novamente como se nada de ruim tivesse feito ou acontecido, agora estava de
posse de um escritório de contabilidade na cidade de São Paulo. Já não era a primeira vez que ele
aparecia desta forma, quando ele estava com algum recurso fazia umas aparições relâmpago em
nossas vidas, às vezes por um dia somente e sumia.
Nesta oportunidade, meu irmão Jose trabalhava como auxiliar de escritório meu pai então o
convidou para ir trabalhar com ele em São Paulo.
Estávamos novamente dentro da normalidade, como diria meu querido amigo Pimenta.
Eu agora já era casado com a Regina os trabalhos estavam sendo suficientes para suprir as
necessidades, chegando até a sobrar não muito, mas o suficiente para eu cometer erros com o
dinheiro que sobrava.
15
Era eu agora um exímio jogador de bilhar arte que aprendi com meu funcionário, que se tornou meu
amigo, ele era pintor letrista e se chamava Celso. Celso estava morando no mesmo terreno que nos
morávamos em uma pequena casa de madeira que havia sido construída por meu irmão mais velho o
José e que agora estava disponível. Então morávamos e também trabalhava-mos no mesmo endereço.
Este meu amigo e eu começamos a nos ocupar com este passatempo que agora compreendo, é um
vicio e pode ser perigoso.
Estávamos nos distraindo e ficávamos por horas às vezes até tarde da noite envolvidos com este
habito, nisso tínhamos a companhia de outras pessoas amigas e familiares também. Mas foi ai que
sem ter consciência de uma promessa feita por minha mãe, digo “sem consciência” porque sabia e
fazia conforme determinado, mas não de forma consciente, mas sim como uma pratica ou habito sem
tanta importância. Minha mãe havia feito uma promessa, como diz ela, um voto, que se eu tivesse
saúde, capacidade e trabalho para executar, em agradecimento a Deus eu não iria fazer estes
trabalhos no Sábado.
Minha mãe teve como podem ter percebido nas linhas anteriores, uma vida bastante difícil e foi em
Deus que ela encontrou forças e conseguiu suportar e vencer suas provas. Foi na Bíblia que minha
mãe com freqüência buscava a Deus e recebia conforto e orientação. Foi também na Bíblia que ao
estudá-la minha mãe encontrou nos “DEZ MANDAMENTOS” e também em varias outras partes, a
recomendação de Deus pedindo que fosse guardado o dia de Sábado, pois o Senhor diz. Que em seis
dias tudo foi feito e ao final de sua obra Deus guardou o Sétimo dia e o Santificou. Por isso então
minha mãe fez este voto, pedindo que Deus me abençoasse. Então fez este compromisso, que eu
guardaria o dia do Sábado em agradecimento a Deus.
Pois bem, como contei anteriormente tudo pra mim foi abençoado, lembrem da pouca idade que tinha
e como tudo se tornou possível em minha vida.
Desde a compra do primeiro carro os trabalhos e valores que eu movimentava. Teria sido meus bons
resultados alcançados por causa do compromisso feito por minha mãe com Deus?
Se eu tive momentos de dificuldade, sim, tive como todos têm em suas vidas, mas por vezes estes
momentos difíceis devem ter sido conseqüência de erros que cometemos sem mesmo nos dar conta,
agimos muitas vezes como agem todos os demais seres humanos nossos contemporâneos, mas pense!
Todos agem dentro do que é correto?
Pode ser entendido como habitual ou comum, mas muito do comportamento que todos temos esta
longe de estar correto.
Por este motivo sofremos.
Penso hoje que uma “simples desobediência” cometida por Adão e Eva nos privou de já estarmos
vivendo no paraíso e já termos recebido desde o inicio este privilégio eternamente.
Quando fomos criados desde então este era o propósito de nosso criador. Mas será que podemos
chamar de “simples desobediência” a cometida por Adão e Eva já que seu preço foi tão elevado.
Pois bem quantos erros cometemos em nosso dia a dia?
Por agimos como agem todos os nossos contemporâneos, praticantes de erros semelhantes nem os
percebemos.
Então digo a vocês meus queridos se não estivesse-mos constantemente nos afastando de Deus nem
doença existiria neste mundo.
Como poderão encontrar na Bilblia o pagamento da desobediência, e de tudo que se resume com este
nome “PECADO” é qual senão a morte? Sendo também qual a recompensa se agirmos corretamente
senão as bênçãos de termos a presença de Deus em nossas vidas, presença esta que de todo mal nos
livra e de Paz e tudo que e bom nos agracia.
Então, estava praticando hábitos que seriam comuns para a maioria, foi então que quando me dei
conta, havia negligenciado meu tempo com jogos de bilhar e um chopinho ou outro, ao invés de
dedicar este tempo ao trabalho, e acabei sendo pela força do compromisso obrigado a trabalhar
algumas horas de um dia de Sábado para concluir minha parte dentro do cronograma da campanha
que iria ao ar na segunda feira em rede nacional.
Minha responsabilidade era muito grande perante o compromisso que tinha com o meu maior cliente
uma loja de tecidos chamada HUDDERSFIELD TECIDOS. Acabei de consultar na internet e fico
feliz em saber que ainda existe.
16
Não poderia deixar de cumprir meu compromisso com o Sr. Ari diretor desta empresa que confiava
no meu trabalho e na minha responsabilidade. Grande exemplo foi para mim o senhor Ari pela
maneira que conduzia tudo e a todos como diretor, sendo por isso muito respeitado.
Trabalhávamos dentro de um cronograma, a agência de propaganda, programava as ações conjuntas
onde todos os envolvidos no processo teriam que cumprir sua parte, tudo deveria estar pronto no dia
programado.
Assim foi, cumpri minha parte com o compromisso de trabalho.
Mas havia deixado de cumprir minha parte com o compromisso feito com Deus através de minha
mãe.
Mais tarde vim a descobrir a conseqüência deste descumprimento.
Agora já estava casado e após terem passado por volta de seis meses deste Sábado que havia
trabalhado estava me perguntando por que estavam as coisas indo tão mal?
Não tinha mais trabalho algum, agora tempo me sobrava para negligenciá-lo à vontade, mas nem aos
meus vícios e hábitos eu podia atender, para isso teria que ter dinheiro. Imaginem, estava nesta
época habituado a fumar e minha condição financeira estava tão pouco favorável que me obrigava a
comprar o tipo mais barato possível de fumo e fazer eu mesmo os cigarros que iria fumar enrolando o
fumo em pedaços de folhas de caderno.
Isto somente serve como comparativo para citar a dificuldade financeira em que me encontrava, pois
fumar não era uma coisa que estaria sendo necessária.
Até mesmo não teria sido castigo algum se nem este tipo de cigarro pudesse comprar. Habito este tão
prejudicial que a tantos traz malefícios e até a morte. Ma infelizmente percebemos que mesmo em
situações de grande dificuldade pessoas abrem mão de comprar a comida que é necessária para sua
sobrevivência e fazem até pior, abrindo mão em prejuízo até mesmo da comida destinada a seus filhos
e filhas por vezes crianças, que ficam sem o leite seu único alimento para que seus pais não fiquem
sem este tão inútil e ilusório prazer que é o habito de fumar.
Quando digo inútil é porque nenhum beneficio traz pelo contrario.
É ilusório porque, pensem comigo, eu próprio já fumei e então posso falar com conhecimento de
causa. Estive por vezes como expectador mesmo na época que ainda fumava, observando esta pratica
em momentos que fumavam ao meu lado.
Quando se faz uma analise do que se esta observando, experimente fazer.
Olhem cada passo, desde quando a pessoa começa a ficar agoniada pela vontade de fumar, se ela
não estiver de posse do cigarro, uma reação se desencadeia de imediato, surgem então
comportamentos diversos de acordo com cada pessoa, irritação mau humor, inquietação, podendo
até assumir proporções inimagináveis e acarretar em atos de violência.
Tudo para fazer uma coisa que para o observador que não tem este vicio, chega a ser ridículo, ver
uma pessoa pegar um tubo de papel,
por em sua boca, acender em uma das pontas.
Às vezes até se afogando com a fumaça, digo por experiência, própria nos deixa por vezes tonto e
com a boca amarga, nos faz tossir e afogar e nem noção temos exatamente de quanto dano esta
causando em nosso organismo sem falar no cheiro de fumaça que fica impregnado em nossas roupas.
Fico feliz em saber que nos dias de hoje, mais e mais pessoas estão abandonando este perigoso
habito. Percebemos que os próprios fumantes se auto discriminam, pois ao sentirem o desejo de
fumar eles próprios se afastam das pessoas que estão ao seu lado buscando um lugar para acenderem
sua poluição pessoal. Perdoem-me meus queridos, mas se por acaso for um destes que ainda não
conseguiram abandonar este habito, ao conseguir faze-lo, o que com certeza irão conseguir,
perceberão o quando isso é ridículo assistido pelos não adeptos ao habito. Costumava dizer a mim
mesmo quando desejei abandonar este habito “Comparando o tamanho de um cigarro e o de meu
corpo por menor que possa ser a pessoa, sempre o tamanho do cigarro será menor“, portanto quem
deverá ser o controlador, o maior ou o menor, quem é o dotado de raciocínio e tantas outras
faculdades seria o menor ou o maior, este pensamento para mim sempre foi conclusivo.
17
Assim penso sobre todos os vícios e hábitos errados aos quais os seres humanos se apegam. E que eu
próprio por vezes me apeguei, e que com a graça de Deus pude abandonar.
Perdão queridos por ter saído da narrativa novamente e estar passando um “sabão” expressão que
ouvi recentemente minha esposa falar para referir-se a uma repreensão. Se assim faço é por desejar o
bem a todos.
Eu me perguntava e me cobrava encontrar onde foi que eu havia me desviado do caminho da bem
aventurança?
O que teria feito eu, para estar vivendo momentos tão difíceis.
Foi então que minha mente me apontou ao compromisso antes feito por minha mãe em meu beneficio.
Tomei conhecimento naquele momento do quanto havia alcançado, teria sido pela promessa da
minha mãe o motivo das vitórias?
Eu ter descumprido e trabalhado naquele dia de sábado?
Teria sido o motivo da atual situação difícil em que me encontrava?
O que você que esta lendo esta historia neste momento pensa a este respeito?
Como eu poderia saber a resposta? Não teria como saber senão na pratica.
Pensei ser esta a resposta, voltar ao ponto onde me afastei, e recomeçar agora tendo eu mesmo
assumido este compromisso.
Desta forma agindo, tudo começou a se encaminhar novamente.
Hoje procuro me manter atento, buscando quando depender de mim a escolha ou decisão não fazer
coisas ou trabalhos objetivando resultado financeiro no dia de Sábado.
Estava agora buscando novas alternativas, pois mesmo tendo trabalhos para garantir nossa
sobrevivência, estes estavam diminuindo em função de reduções de custo pelo comercio como havia
comentado anteriormente. Percebia que este era um processo ao qual que teria que me adaptar
novamente. Profissionalmente, por este ou aquele motivo precisamos sempre estar buscando nos
adaptar. Novas soluções vão surgindo assim acontece em todo segmento.
Temos o exemplo das maquinas fotográficas que utilizavam filmes, hoje muito menos comuns devido
ao surgimento das maquinas digitais. Assim aconteceu também nas agencias de propaganda com os
arte finalistas com seus pincéis e guaches, foram substituídos em grande parte pelos computadores.
Na área da decoração comercial, maquinas substituíram artistas e assim vão surgindo e substituindo
a mão de obra humana em vários setores.
Então precisamos estar sempre atentos e buscando novas alternativas.
Faço isso hoje e contarei varias experiências vividas ao longo dos anos que estarei aqui registrando.
Pesquisas e mais pesquisas, pensei em voltar meus esforços para a área da agricultura no que fui
influenciado por um serralheiro que havia contratado.
Ele tinha experiência com agricultura e queria retornar a esta atividade, mas não tinha recursos para
fazê-lo combinamos fazer uma sociedade e tentei a venda da casa para levantar recursos e
possibilitar a outra atividade.
Imaginando que sempre será necessária a produção de alimentos eu estaria de posse de um produto
de primeira necessidade.
Empenhei-me até conseguir comprar uma chácara como era chamada uma porção de terra não muito
grande.
Para que isso fosse possível, fiz um malabarismo tremendo, pois ao encontrar a chácara que nos
serviria, não tínhamos o dinheiro para comprar, pois não havia ainda conseguido fazer a venda da
casa. Consegui convencer o proprietário da chácara a se tornar sócio na posse da casa. Ficaria ele
então de posse de 50% do que valia a casa como pagamento pela venda da chácara. Fizemos os
documentos necessários e ele fez a transferência da chácara pra meu nome e também constava já
nesta escritura o nome deste que seria meu sócio na chácara. Confiei em esperar que ele conseguisse
sua parte correspondente ao valor na sociedade. Esta parte iria nos dar os recursos financeiros
necessários para os investimentos, pois já possuíamos a chácara, tendo utilizado a casa para
comprar.
18
Tempo se passou e meu sócio não conseguia o dinheiro de sua parte, existia boa possibilidade de
sucesso, eu já havia feito todo o cronograma de como iríamos trabalhar o que teríamos que comprar
e tudo em detalhes. Mas cadê os recursos? Meu sócio do projeto não conseguia.
Não tendo ele conseguido sua parte no acordo não pude dar continuidade no projeto que seria em
primeiro a fabricação de formos para queimar a lenha resultante do desmatamento, o carvão depois
de vendido iria pagar o custo de dois pequenos caminhões que iríamos utilizar no transporte do
carvão e ainda sobraria dinheiro para dar inicio ao cultivo de chuchu para a fabricação de doces e
plantar cacau que estava contando na época com incentivos do governo.
Meu pai estava agora em São Paulo e meu irmão José trabalhando com ele depois de algum tempo
meu pai veio a Curitiba.
Como eu estava sem condições de dar continuidade a projeto da chácara. Ele me convidou para ir
também para São Paulo. Lá iríamos novamente trabalhar como sócios. Ele como vendedor e eu
produzindo os materiais. Estamos agora no ano de 1.980.
Chegando a São Paulo, fomos morar eu e a Regina junto com meu pai e com a mulher que morava
com ele. Chamava-se ela Maria como minha mãe e tinha com meu pai duas filhas uma chamava-se
Odete e a outra se chamava Roseli.
Não tinha nenhum sentimento contrario ao relacionamento deles, pois ela entrou na vida de meu pai
depois que já fazia muito tempo que ele havia nos abandonado, portanto não era responsável e não
tinha culpa por esta separação. A Maria era uma pessoa humilde e fazia o possível para viver bem
conosco. Éramos então oito pessoas dividindo a mesma casa.
Uma casa pequena na frente onde morava meu pai e sua família e uma edícula nos fundos com uma
lavanderia que serviria de local de trabalho e mais um peça onde eu e a Regina iríamos morar.
Abrimos então a firma que se chamou SERIQ adesivos Placas e cartazes. Nosso produto voltaria a
ser adesivos feitos em serigrafia como no passado. Decorrido algum tempo eu estava ficando
preocupado, pois meu pai não se mobilizava para fazer a venda dos adesivos para que eu pudesse
produzir. Havia construído eu mesmo uma maquina de impressão, baseada em modelos fabricados
para empresas do ramo e que serviam para produzir adesivos e impressões em materiais planos. Não
havia muita sofisticação, consistia em uma mesa com um sistema de sucção pelo qual os materiais
ficariam presos a mesa durante o processo de aplicação da tinta. Para mim não foi muito difícil
entender o principio de funcionamento e copiar adaptando peças que fariam a mesma função.
Teria que ter um motor que acoplei a uma ventoinha utilizada em motores a ar dos carros da VW. E
ai estava nossa maquina. Tecnologia de ponta, ponta de tudo que pôde ser aproveitado em sua
construção. Mas não importa, cumpria seu papel e estava faltando agora somente os serviços.
Tudo transcorreu normalmente por um tempo, meu pai não dependia somente da renda desta
atividade da serigrafia, pois tinha alguma renda através do escritório de contabilidade. Vendeu então
meu pai uma parte do escritório para uma pessoa chamada Nelson Moraes.
Foi vendida ao Nelson pelo meu pai sua carteira de clientes de onde, provinha sua renda através do
valor recebido mensalmente pelo serviço de contabilidade que meu pai prestava.
Agora estaria esta prestação de serviço sob a responsabilidade do Nelson e também o recebimento
das mensalidades.
Deixava então de existir a renda do escritório que matinha parte das despesas de meu pai e do meu
irmão. Havia também funcionando no mesmo endereço em uma das salas um escritório de
despachante, pertencia a meu pai e a meu irmão mais velho o José. Eu não tinha muito conhecimento
sobre a atividade deles, ou como tudo funcionava nesta área que eles atuavam em parceria.
Como o tempo passava e nada era vendido por meu pai, decide eu mesmo ir à luta para vender.
Então descobri que minha maquina de tecnologia de ponta, não faria frente às maquinas
moderníssimas de nossos concorrentes, que também por trabalharem com grandes volumes
compravam sua matéria prima com custos muito mais baixos que os nossos.
Vai então por água a baixo querer competir neste segmento.
Recomeçar então é preciso, mas com qual produto?
19
Em minhas idas para centro da cidade percebi que existia comercio de adesivos com emblemas de
times de futebol e decidi apostar nesta idéia, preparei então os materiais e espalhei adesivos de times
de futebol em varias bancas e distribuidoras de jornais e revistas.
Aos finais de semana íamos aos estádios para vender os adesivos. Já estávamos colhendo algum
resultado, por algum tempo fiquei apostando somente neste produto.
Regina já há algum tempo desejava ter um filho, estávamos ainda em Curitiba e com cerca de um ano
e meio de casados quando surgiu nela este desejo. Parou então de tomar anticoncepcionais, mas não
ficava grávida. Isso começou a criar certa frustração em sua mente, daí o pensamento, seria ela ou
serei eu quem não conseguia fazer com que ficasse grávida Naquela ocasião minha mãe a levou a um
médico no qual minha mãe confiava muito, eu havia sido paciente dele, teria ele me atendido quando
eu ainda era de pouca idade. Chamava-se ele Dr. Ito Carias de Oliveira, muito competente disse o
“Doutor Ito” como minha mãe o chamava, que a Regina teria que fazer um tratamento e depois de
aproximadamente um ano e meio ficaria grávida. Era então agora decorrido este período e como
havia ele previsto a Regina ficou grávida estava com 21 anos e iria agora me tornar o pai de uma
moreninha, muito querida com uma carinha meio “enfarruscada” pra quem não conhece a expressão
quer dizer brava. Assim era a carinha da Denize quando pequena, sentadinha no sofá vendo
televisão. Hoje para mim. É ainda uma menina para nós apesar de estar com 28 anos e ter nos dado
um Netinho chamado Vinícius que esta agora com dois anos e cinco meses. Sempre seremos meninos
e meninas para nossos pais e nossos filhos para nós não importando a idade.
Voltemos a historia.
Surgiu então uma pessoa interessada na compra da chácara que eu havia trocado por parte da casa
de Curitiba. Acertado então o preço fomos eu e meu pai para fazer o fechamento do negocio.
Outro detalhe, eu havia colocado como sócio o serralheiro e assim estava até o momento como sócio
e dono de 50% no documentado de escritura da chácara.
Mas então e agora como fazer? Teria que ir atrás desta pessoa para assinar a escritura. Imaginem se
for capaz o que foi que aconteceu?
Encontrei a pessoa, mas, exigiu que eu pagasse a ela um valor para ela assinar a escritura e permitir
a venda da chácara. Você que esta lendo, será que serve isso para aprender alguma coisa? Espero
que sim.
Este dinheiro da venda da chácara não durou muito tempo. Grande parte do dinheiro ou quase todo,
emprestei ao meu pai para sanear uma situação, que ele estava tendo dificuldade em resolver,
segundo dizia meu pai, ele havia assumido dividas de impostos do antigo proprietário do escritório e
foi desta forma que no passado ele havia feito a compra do escritório.
Novamente continuei buscando uma área para atuar. Identifiquei então outro produto, seria a
produção de placas de “Vende-se” e “Aluga-se” para serem utilizados pelas imobiliárias e também
outros materiais com esta finalidade, faixas cavaletes placas de chapa metálica etc.. Convidei então
meu pai há dedicar seu tempo a vender estes materiais.
Não percebendo seu interesse, vou eu mesmo a luta novamente. Preparei umas amostras e coloquei
em baixo do braço e fui de porta em porta oferecer. Que maravilha pensei, diante da receptividade
encontrada, achei finalmente o produto ideal para trabalhar. Não havia conseguido vender nada
ainda, mas estava empolgado com a boa receptividade do produto, em face da qualidade que estava
apresentando e a real necessidade deste segmento na utilização do produto.
Para completar minha satisfação, meu produto se destacava em qualidade dos demais e permitia
ainda uma boa margem de lucro.
Acabaram-se os problemas pensei eu, e fui à luta. E Realmente este foi o segmento que atuei durante
os quatro anos que morei em São Paulo.
Possibilitou meu pai mudar para uma casa melhor e eu ficaria então agora morando e trabalhando
na mesma casa onde moramos juntos, mas morando sozinho. Morei na casa da frente tendo a edícula
agora somente para o trabalho.
Na Seriq as coisas caminhavam porem no escritório comecei a perceber que algo estava fora do
normal, Começaram a surgir reclamações dos clientes do escritório de despachante em relação a
atrasos nas entregas dos documentos. Até ai, eu não sabia os motivos.
20
De repente a situação financeira começou a apertar, com a venda de parte do escritório agora todos
estavam dependendo praticamente da renda dos trabalhos do despachante e da serigrafia.
As dificuldades estavam ficando cada vez maiores e já estava precisando recorrer ao Nelson, que
agora se tornara um grande amigo, Ficamos amigos devido termos convivido já por algum tempo
dividindo o andar onde funcionavam todas as atividades, pois tinha três salas no segundo piso, uma
delas era ocupada pelo Nelson e o escritório da Seriq ocupava em conjuntos com o despachante as
demais salas e dividíamos o salário da recepcionista. Existia ainda mais uma sala na cobertura do
prédio que era situado no largo do Campo Limpo em SP.
Normalmente procurávamos pegar um adiantamento do serviço vendido, mas como era grande a
despesa por vezes quem “salvava a pátria” era o Nelson que emprestava quando não em dinheiro,
folhas de cheque para que eu pudesse comprar com cheques pré-datados a matéria prima necessária,
pois a esta altura a minha conta bancaria já havia ido para o “espaço” somo se dizia.
Querido Nelson me emociono ainda a escrever o seu nome e lembrar o quanto ele me ajudou, Deus
na sua misericórdia, coloca em nossas vidas pessoas que são para nós uma benção, e nos ajudam nos
momentos em que sem esta ajuda não teríamos conseguido superar a dificuldades enfrentadas. Meu
pai
tentando de alguma forma me compensar pelo empréstimo e sem ter condições de me devolver o
dinheiro, fez um acordo com uma pessoa que devia também dinheiro a ele, esta pessoa não estava em
condições de pagar ao meu pai, mas era proprietária de uma casa de campo localizada numa
cidadezinha bem próxima chamada de Embu Guaçu. Seria uma oportunidade para morar com mais
conforto, estava para nascer a Denize e a casa era muito confortável, tinha piscina e ainda local para
continuarmos produzindo nossos materiais. Mudamos então e estando pago adiantado por um ano o
aluguel em troca do credito de meu pai seria uma alternativa para diminuirmos nossa despesa fixa.
Foi nesta casa que nós morávamos quando nasceu a Denize. Em seu nascimento passamos por um
susto muito grande. Estava aguardando a noticia se o nenê já havia nascido quando fui chamado pela
administração do hospital.
Pediram que sentasse, e percebi que a noticia não era boa.
Informaram-me que minha filha havia nascido, mas que havia tido complicações, e que já havia sido
dado todo o atendimento possível e agora estaria dependendo de que ela reagisse segundo os médicos
as primeiras 24 horas seriam decisivas. Havia 50% de possibilidade de ela sobreviver.
Imaginem como foi para mim receber esta noticia.
Tiraram-me o chão de debaixo dos pés naquele momento com esta noticia.
Para piorar eu não poderia deixar que minha esposa percebe-se o que estava acontecendo, pois ela
também não estava em condições satisfatórias e poderia não suportar.
Fui então ao berçário para ver minha esperada menininha.
Estava ela numa incubadora especial, identifiquei facilmente que era ela, mesmo sem tê-la vista
ainda, pois era uma miniatura da Regina minha esposa.
A Denize estava respirando com muita dificuldade, como uma pessoa estaria se tivesse percorrido
uma longa distancia correndo até chegar ao ponto de lhe faltar o fôlego.
Eu havia tomado as providencias em relação aos dias que a Regina teria que ficar no hospital até
receber alta com é normal quando esta se recuperando de um parto.
Graças a Deus que me deu condições para fazê-lo, pois estávamos morando no Embu-Guaçu e ficaria
distante para poder estar acompanhando a recuperação das duas.
Eu havia reservado um apartamento com três camas, uma para a Regina, uma para mim e outra para
minha mãe que já estava a algum tempo em nossa casa, tinha vindo para ajudar a Regina, pois sabia
que seria muito importante que estivesse presente. E realmente foi muito importante naquele momento
estaria mais difícil ainda para mim se estivesse sem a sua companhia. Minha mãe foi mãe de cinco
filhos e sua experiência me tranqüilizava.
Mas como me disseram, não restava senão esperar.
Então fui ver a Regina pela primeira vez após ela ter ido para a sala de parto. Ao chegar ao quarto
ela estava bastante abatida, mas consciente.
Com uma expressão no rosto de quem sabia que algo estava acontecendo de incomum. E agora, como
me portar, não poderia deixar saber que havia algo errado muito menos contar o que estava
21
acontecendo com nossa filha. Acho que ela deve ter percebido em minha expressão, minha fisionomia
sempre me trai se pretender esconder algum sentimento ou qualquer emoção.
Mas ela não perguntou e eu somente perguntei como ela estava, disse a ela que logo estaria se
recuperando e que era assim mesmo. Minha mãe junto comigo dava também apoio ao que eu dizia a
ela.
Quando perguntou de nossa filha... E agora? O que vou dizer.
Tive que disfarçar o máximo que pude engolir um caroço que me impedia de pronunciar qualquer
palavra, com muito custo consegui dizer a ela que estava tudo bem com a Denize.
Lembro que foi graças a Deus e por ele estar sempre comigo que encontrei forças para suportar
aquelas horas tão criticas, porque da forma que nossa filha estivesse reagindo é que estaria
dependendo a sua sobrevivência. Contava os minutos impacientemente acompanhando pelo vidro se
estava reagindo. Então muito pedi a Deus que tivesse misericórdia perdoasse nossos pecados e
permitisse que nossa filha conseguisse se recuperar. E graças a Deus isto aconteceu, ela foi vencendo
a dificuldade de respirar e respirando um pouco mais compassadamente até ficar normal sua
respiração.
Agora eu estava mais aliviado, apesar de que cinco dias ficamos no hospital com a Regina até que ela
recebesse alta, mais a Denize ainda continuava no centro de terapia intensiva, permanecendo lá
ainda por mais alguns dias. Que sufoco foi aquela experiência. Voltamos a nossa casa e depois que já
tínhamos a Denize conosco, procuramos voltar à normalidade de nossas vidas.
Agora preocupado com a distância, resolvi voltar a morar em São Paulo, mesmo abrindo mão de dois
meses de aluguel que haviam sido pagos adiantado, para não correr o risco de estar distante de
atendimento médico caso surgisse alguma necessidade por parte da nossa filha ou de minha esposa.
Voltamos a morar novamente em São Paulo, a situação financeira do despachante e de meu pai
estava ainda complicada
Novamente surgem outros daqueles chamados de “belo dia” e novamente de belo não havia nada,
meu pai se mandava novamente. Diante da situação caótica, ele optou em ir embora para Montes
Claros onde a Maria tinha seus familiares. Fiquei eu e meu irmão José com o “abacaxi para
descascar” que bom se a solução fosse tão fácil quanto descascar um abacaxi.
Daí começou a surgirem como pipoca os problemas, impostos atrasados sendo cobrados pelos
clientes que agora eram do Nelson pressão dos clientes do despachante cobrando documentos que
teriam que ter sido entregues, não havia o dinheiro para pagar os documentos nem para devolver os
valores que já tinham sido recebidos adiantados. Então ficou a pergunta onde estava este dinheiro?
Não sei até hoje onde foi parar.
Mas sei que varias situações muito desagradáveis meu irmão teve que encarar por este motivo. Houve
até situações que de tão difícil estava para ele administrar que eu também tive que me envolver
assumindo o compromisso da devolução dos valores recebidos.
Tive até que assinar promissórias para poder acalmar a situação que estava ao ponto da agressão
física.
Vejam como a vida e cheia de surpresas, num momento pensamos estarmos tranqüilos e seguros e em
seguida somos surpreendidos pelos erros que cometemos e infelizmente até pelos erros de outras
pessoas ao nosso redor e que acabam respingando em nós também.
Fico pensando hoje viver é uma arte. Pena que nem todos somos artistas.
Mas como diz o ditado não podemos deixar a “peteca cair”.
Nesta ocasião foi o Nelson quem me socorreu, chegando às vezes a se apertar financeiramente por
este motivo. Graças a Deus que deu a ele o bom coração que possuía e por isso Deus por ser
misericordioso amparava a nós dois.
O Nelson era como eu, outro lutador, nascido no interior do Paraná em uma cidade chamada de
Santo Antonio da Platina, veio na raça para a cidade grande. Ele já estava em São Paulo há alguns
anos e muito havia trabalhado até que conseguiu comprar parte do escritório do meu pai. Ele era
técnico em contabilidade e estava ainda fazendo sua faculdade de direito na cidade vizinha de
22
Bragança Paulista. Por vezes pedia carona para caminhoneiros para ir à faculdade. O que ele havia
conquistado tinha sido com muito esforço. E me emocionou muito não só naquela ocasião, mas agora
novamente ao contar esta sua atitude para comigo.
Em algumas situações futuras que irei contar, estará ainda presente este meu grande amigo.
Espero que esteja bem, ele sua família e também todos os que lhe são queridos.
Como tudo na vida, diz o ditado “não há mal que não se acabe” depois de algum tempo as coisas
foram se ajeitando novamente.
Agora estava à frente de tudo, com Deus me ajudando em todos os momentos como sempre. Tudo
transcorreu dentro da normalidade novamente. Estavam já há algum tempo morando e trabalhando
comigo meus irmãos mais novos, o Josmar e o Iran. Trabalhávamos no quintal da casa onde
moramos e ate mesmo sobre a laje.
Tendo ficado pequeno o espaço, aluguei um barracão com mais espaço e melhores condições de
trabalho. Sendo assim em busca de crescimento fui buscar uma pessoa que pudesse somar comigo na
área de vendas. Conheci então o Adriano Prado que Deus o tenha, pois há muito tempo soube de seu
falecimento. Era o Adriano uma pessoa muito dinâmica, tinha o perfil do vendedor ideal. Estaria
então completada a parceria perfeita, em minha opinião. Logo que conheci o Adriano pensei comigo,
“este é o cara”. Projetos pra lá projetos pra cá somados com muita empolgação de ambos os lados
começamos trabalhar. Estávamos preocupados em crescer, ele com as vendas e eu responsável pela
produção. Tudo estava indo bastante rápido e rápido teriam que ser nossas providências. Estávamos
próximos do final de ano, então comentei com o Adriano o seguinte, em SP nosso custo operacional
vai ficar bastante elevado para termos a estrutura que estamos pretendendo possuir, sem falar na
dificuldade de mão de obra. Então como já estava na época que costumava ir para Curitiba para
passar as festas de final de ano, na companhia dos familiares, tomei as providências para
transferirmos a produção para Curitiba. Isto teria sido uma boa alternativa, pois a distancia não era
muito grande nem o tempo de viagem. E desta forma ficaríamos melhor estruturados, para a
demanda que estávamos buscando alcançar. Já Estava tudo providenciado quando fui informado, não
me lembro se através do Nelson ou eu mesmo que ficaria sabendo ao retornar para São Paulo, o
Adriano havia sumido. O Adriano com a lábia que tinha, envolveu-se com uma menina menor de
idade, e fugiu temendo a reação dos familiares dela. Ninguém sabia de seu paradeiro. Estava agora
novamente com outra situação complicada para administrar, havia me transferido para Curitiba a
família residindo em Curitiba e eu sem nenhum vendedor no escritório em São Paulo.
Pensei então agora estou num mato e sem cachorro.
Fiquei durante aproximadamente seis a sete meses residindo em Curitiba, ou seja, a família em
Curitiba e eu em São Paulo.
Pensando melhor, nesta época eu residi mais dentro dos ônibus da Itapemirim do que em casa
propriamente. Passava a semana fazendo o papel de vendedor e na sexta feira passava a noite num
ônibus a caminho de casa, dormia uma noite a do sábado e novamente a noite de domingo no ônibus
retornando. Por algumas vezes fazia o percurso de carro, mas era muito oneroso e iniciava a semana
de trabalho sem dormir ou ficava sem dormir a caminho de casa. Ao menos no ônibus eu podia
dormir.
Este período de trabalho foi bastante complicado, sem ter um vendedor em SP tendo que acumular as
duas funções, de vendedor e também produzir os materiais.
Não estava desempenhando de forma satisfatória nenhuma das duas funções. Quanto mais
insatisfatório isto se tornava agravado pela distancia.
Demorei um longo tempo até me reequilibrar ao ponto de trazer novamente a família para S. P. e
poder voltar a trabalhar como anteriormente. Voltei então a produzir os trabalhos em meu próprio
quintal.
Retornei mas, agora com menos condições do que possuía quando busquei no Adriano e na equipe de
vendas que ele iria formar a possibilidade de um grande crescimento.
Sabia que ficar me lamentando não era a solução, restava arregaçar as mangas e ir à luta como de
costume.
23
Como se pode perceber, as coisas nunca foram muito fáceis, me dou conta disso agora ao recordar o
passado para escrever esta Historia. Na época e mesmo hoje dou o crédito a Deus pelo animo que
encontrava sempre que tinha que recomeçar.
Morávamos agora no Taboão da Serra, meus irmãos foram crescendo morando conosco, O Josmar e
o Iran, o Josmar um pouco mais velho que o Iran.
O Josmar me ajudava já há algum tempo nos trabalhos e agora com ele já tinha grande capacidade
de trabalho. O Iran por ser mais novo ajudava também, mas ainda conciliava o trabalho com suas
brincadeiras de soltar pipa e outras brincadeiras como jogar bola, ou outras coisas que faziam parte
das atividades da gurizada.
Estes dois irmãos foram muito importantes em minha vida, como havíamos crescido sem a presença
de nosso pai, eles procuravam em mim por ser mais velho o apoio que eu pudesse lhes proporcionar.
Com eles me ajudando, nossa capacidade de trabalho foi aumentando até que o Josmar, passado
mais algum tempo conseguia produzir com a ajuda do Iran os trabalhos que eu vendia.
Acabei sendo eu então o vendedor que sempre busquei e nunca conseguira encontrar. Já adolescente
o Josmar começa a namorar nossa vizinha que se chama Guilhermina. Ela era filha de um casal de
portugueses, o senhor Armindo, e sua esposa não sei se era também portuguesa, mas chamava-se
Olinda. Este casal de vizinhos eram muito simpáticos e permitiram o namoro entre os dois.
Agora estamos no ano de 1.982 minha esposa estava grávida de nossa segunda filha, e
continuávamos morando em São Paulo, nossa casa apesar de não muito grande era bastante
confortável e a vida caminhava, dentro do normal.
Às vezes com bastante serviço e uma condição financeira mais favorável outras vezes menos
favorável. Veio então outra instabilidade econômica no país, isso não era muito incomum que
acontecesse, vez por outra mesmo já com nossos próprios problemas, tínhamos ainda que administrar
os reflexos das crises econômicas.
Estávamos “tocando o barco”. Muita correria como era normal em São Paulo e acho que sempre vai
ser assim.
Nesta época houve um momento da economia que estava ficando insuportável, juros que chegavam à
altura das estrelas. Vendia um produto por um valor e até que conseguisse produzir e entregar a
matéria prima quase dobrava de preço. O valor que recebíamos pelo serviço prestado iria comprar a
metade do que compraria na data em que havia feito a venda.
Começava então as operações tapa buracos, cheques pré-datados pra todo lado. Não sendo suficiente
o que conseguíamos ganhar através de nosso trabalho, o dinheiro não estava sendo suficiente para
suprir as necessidades da casa, pagar alugueis e todos os custos existentes. Todas as pessoas viviam
como se dizia na época penduradas no limite do cheque especial, por algum tempo consegui ir
tapando um buraco aqui e outro ali, até que aconteceu um grande estouro na minha conta.
Novamente tive que recorrer ao Nelson.
Como já não tinha mais conta bancaria, passava os cheques que recebia de meus clientes para o
Nelson que os depositava em sua conta bancaria.
O Nelson já tinha um limite de credito razoável, quando eu precisava, ele me emprestava, sacava de
seu limite do cheque especial e assim que eu recebia pagava o valor emprestado e posteriormente os
juros quando o banco enviava o extrato cobrando.
Sendo o seu movimento bancário somado ao que eu depositava em sua conta, o banco percebendo um
saldo médio maior, elevava seu limite de crédito e isso beneficiava a ele e a mim, pois sempre estava
precisando da ajuda dele.
Lembro de um dia, como era de costume depois de esperar por um tempo até que o Nelson pudesse
me atender, precisava pedir uma folha de cheques emprestada, então depois de me cumprimentar e
conversarmos um pouco, ele pegou em sua pasta um talão de cheques inteiro, assinou todas as folhas
e estendeu a mão para me entregar. Disse a ele, esta ficando louco Nelson.
Apesar da confiança que sabia que ele tinha em mim, me preocupava muito ficar devendo, não
somente por ser a ele, mas estava ciente que para me servir eu estaria usando seu limite do cheque
especial e algumas vezes até papagaios precisamos fazer para poder administrar o momento
econômico que o pais atravessava. Foi ai que conheci tudo que é tipo de operação de crédito possível,
hot-money etc..
24
Fui contornando da forma que fosse possível, mas esta época não foi nada fácil não só para mim, mas
muita gente sofreu com esta crise financeira.
Porem sem que eu me desse conta, meu organismo não estava suportando aquela situação. Comecei a
sentir uma pressão no peito como se fosse a pressão que um dedo exerceria se estivesse sendo
pressionado contra meu peito. Isso foi se estendendo por alguns dias. Não receava por mim me
preocupava muito com o bem estar de minha filha pequena, de minha esposa agora esperando minha
segunda filha, meus irmãos e todos que sofreriam se algo me acontecesse. Alguns teriam grande
dificuldade em se sustentar, seria o caso de minha esposa e as duas filhas.
Tinha esta preocupação, já desde antes do nascimento de minha primeira filha, estando minha esposa
ainda durante sua gravidez, eu já havia providenciado um seguro de vida para que se algo me
acontecesse ela não passasse nenhuma dificuldade.
Percebendo que aquela dor não era normal, fui a uma clinica.
Havia feito um plano de saúde e chegando lá mediram minha pressão estava 18 por 16, pra mim não
significava muito, mas o medico ficou muito preocupado, me fez deitar em uma maca, me deu um
medicamento e fez com que ali ficasse por algum tempo. Após o inicio do efeito do medicamento,
mediu novamente minha pressão, e fui liberado. Deu-me uma lista enorme de exames para fazer. Ao
tentar agora recordar os detalhes, estou me lembrando dos resultados dos vários exames, um dele
apontou um problema que poderia surgir no futuro em minha coluna. Os demais exames apontaram
colesterol alto e algumas disfunções cardíacas.
O medico disse eu estava hipertenso e que teria que tomar medicamentos por todo o restante de
minha vida, para controlar minha pressão.
Por algum tempo tomei os medicamentos, mas disse a Regina minha esposa que já sabia qual era o
problema, que estava afetando a minha saúde.
O problema chamava-se “São Paulo”. Não me referi a cidade em si, mas a tudo que estava
relacionado e decorrente da situação que estávamos vivendo nesta cidade.
Gostava muito de São Paulo, oferecia a oportunidade que tanto havia buscado no âmbito
profissional.
Esta cidade é um tanto quando desfavorável em segurança, mas mesmo assim gostava muito de ali
residir.
Porem não poderia deixar que algo pudesse acontecer a minha saúde e pudesse refletir em minha
família.
Estava nos dias que nasceria nossa segunda filha.
Já havia tomado as providências necessárias, o medico com quem tínhamos convenio e acompanhou
o pré-natal de minha esposa já estava de sobre aviso.
Tudo preparado, mas quando chegou o momento de nossa filha nascer,
cadê o médico? não foi localizado, lá vai eu correr, mas para onde?
Pensei comigo, com certeza, vamos ao hospital onde nasceu nossa primeira filha a Denize.
Lá estávamos e como era esperado, enquanto se ocupavam com o atendimento de minha esposa, eu
estava vendo as questões que envolviam o apto etc..
Já não era mais o mesmo prédio.
Estávamos agora em um moderno hospital, os apartamentos eram luxuosos, não que isso tenha
importado anteriormente, pois fomos no passado e também agora muito feliz em termos escolhido
aquele hospital,“Hospital Nossa Senhora de Abadia”. Providências tomadas, estava esperando
noticias da chegada da Gizele. Desta vez tudo correu bem, esperado o tempo normal que parece uma
eternidade não importa quão pequeno seja este tempo, nasceu nossa segunda filha.
Lembro que não pude vê-la antes de a levarem ao quarto, este era o procedimento padrão do
hospital. Estávamos eu e sua mãe ansiosa para conhecer nossa pequenina.
Então percebo uma agitação nos corredores, um barulho de rodas e passos que vinha se
aproximando, o barulho ficando cada vez mais alto até que a porta do quarto se abre. Olhei surpreso
em direção ao veiculo que eles estavam usando para trazer a nenê. Era uma espécie de carrinho com
duas plataformas uma na parte superior e outra no meio mais uma terceira que era a base. Ambas as
plataformas estavam completamente lotadas com bebes, todos enrolados em um tecido de flanela em
formato cônico.
25
Um detalhe, que não esqueço, alguns bebes estavam com a “boca no trombone” que quer dizer
chorando, pra quem não sabe o que significa.
Nossa filha era uma dos músicos daquela sinfônica.
Então lá estava ela, uma polaquinha, muito vermelha e com cabelo clarinho e bem fino. Que alivio
senti naquele momento.
Tudo havia corrido bem graças a Deus e agora ela estava nos braços de sua mãe.
Ficamos desta vez somente eu e minha esposa no apartamento. As instalações apesar de serem mais
modernas e também mais caras, não ofereciam muito espaço. Ficamos também menos dias e quando
fomos para casa nossa filha nos acompanhava.
Graças a Deus novamente, estava agradecendo a Deus por tudo que nos havia proporcionado.
Por algum tempo ainda continuamos morando em São Paulo meu pai que agora residia com sua
família em Montes Claros havia voltado há algum tempo. Estavamos novamente produzindo alguns
materiais que ele vendia para que ele tivesse também alguma renda. Mas passava algum tempo e
assim que conseguia certa quantia, ele voltava novamente para Minas Gerais.
A situação estava fugindo do controle e eu estava me empenhando para voltar para minha cidade de
origem.
Para quitar minha divida com o Nelson que já acumulava um valor não muito pequeno, entreguei a
ele o restante do escritório, que para mim havia sido entregue por meu pai como pagamento pelo
dinheiro que havia lhe emprestado. Entreguei também meu carro perguntando ao Nelson se o
aceitaria como pagamento pelo restante da divida. O Nelson ficou aborrecido, a princípio não queria
aceitar meu carro sabia o quanto eu havia trabalhado para poder comprá-lo e que significava uma
conquista para mim. Era ele um Ford Maverick com bancos especiais e que eu havia comprado
diretamente de um funcionário que trabalhava na Ford. Mas argumentei que não teria outra forma de
pagar o que lhe devia, e percebendo ele que saldar minha divida para com ele era uma questão de
honra, aceitou.
Não poderia deixar de fazer este acerto com ele que tanto acreditou e confiou em mim.
Decidi que iríamos voltar a morar em Curitiba pelos motivos que citei anteriormente.
Mudaríamos mesmo sem dinheiro.
Para que a volta fosse feita, teríamos que alugar uma casa.
Não havendo condições para que fosse desta forma, fomos todos morar em uma pequena casa da
“COHAB” assim era chamado o sistema habitacional criado pelo governo. Construíam grandes
conjuntos com pequenas casas que eram destinadas as pessoas de pouco poder aquisitivo Após se
cadastrar esperava por um período em uma fila até que fosse feita a entrega das chaves da casa,
assim se tornava possível possuir uma casa própria com pagamentos mensais de valores não muito
altos.
Foi para esta pequena casa que nos mudamos, agora residíamos ali eu minha esposa, minhas duas
filhas e meus dois irmãos.
Existia uma meia água de madeira que havia sido construído por meu irmão nos fundos da casa que
eu havia trocado pela chácara, antes de minha ida para São Paulo. Esta meia água havia sido
novamente montada neste novo endereço que minha mãe estava agora residindo.
Ali ficamos nós, um tanto apertados, mas tínhamos um lugar para morar era modesto, mas as
pressões de aluguel os outros compromissos que nos tiravam o sossego ali não mais existiam.
O resultado para minha saúde foi como o esperado. Nunca mais tive problema de pressão alta não
sendo mais preciso tomar nenhum medicamento para controlar minha pressão, ao contrario do que
havia sido diagnosticado.
Trabalhávamos agora na meia água de madeira, como ainda não tinha uma clientela na cidade, meu
retorno a Curitiba teve que ser gradativo, viajava a São Paulo para vender nosso produto, e
permanecia na cidade de Curitiba durante o período que este material era produzido. Agora
produzido, parte por mim e parte pelos meus irmãos e um ajudante que chamávamos quando era
necessário. Quando ficavam prontos os materiais eu levava para São Paulo. E assim, repetidas vezes.
Como já citei anteriormente detalhes costumo guardar das melhores épocas, e meu subconsciente não
guarda os momentos mais difíceis com muitos detalhes.
26
Lembro então, que já estávamos conseguindo sobreviver com os trabalhos feitos para clientes de
Curitiba e não precisava mais voltar a vender em São Paulo.
Meu foco inicial foi o segmento que atuávamos anteriormente o imobiliário, mas em Curitiba o
mercado local não se igualava aos antigos clientes da outra cidade.
Busquei me readaptar novamente buscando onde haveria espaço no mercado para nós trabalharmos.
Tentei novamente a decorações para as lojas do comercio, mas consumiam muito pouco.
Nestas viagens de Curitiba X São Paulo e vice e versa, não era raro encontrar nos ônibus pessoas
que tinham a mesma rotina, pode parecer que ninguém se sujeitaria a viver assim, mas existem muitas
pessoas vivendo desta forma.
Uma destas pessoas que conhecia viria a se tornar meu sócio.
Ele era um engenheiro mecânico que trabalhava como controlador de qualidade de uma grande
empresa viajava por todo o Brasil fazendo testes em produtos que esta empresa comprava ou vendia.
Ele morava em Curitiba onde tinha sua família, mas era em São Paulo que ficava o escritório onde
era sua base de atendimento.
Nestas varias idas e vindas depois de conversarmos algumas vezes sobre os afazeres que tínhamos e o
que produzíamos.
Ele me surpreendeu com um convite, sabendo que eu estava retornando para Curitiba e ainda não
tinha recursos financeiros satisfatórios, ele por haver conseguido guardar algum dinheiro teria o
recurso para fazermos os investimentos necessários. Por isso então seu convite. Novamente muita
empolgação de ambos os lados, ele desejava uma condição de poder sair da sua atual atividade, não
era fácil residir a 400 km de distancia de onde estará a todo, durante a semana, e passar somente 4
noites por mês em nossa casa na companhia de nossa esposa e filhos. Ele já estava nesta rotina há
mais tempo que eu e não tinha ainda surgido nada em sua trajetória que pudesse mudar esta
situação. Até que ele me conheceu.
E o que poderíamos conseguir juntos foi o que ele procurava a tempo. Eu sabia que somando com ele
minhas possibilidades seriam maiores, então prontamente aceitei o convite. Como nos intervalos de
produção eu me dedicava a conquistar clientes em Curitiba para poder voltar definitivamente.
Comecei agora junto com o meu sócio tomar as providencias para abrirmos em Curitiba o que seria
uma filial da empresa “Seriq” de São Paulo, encontramos o lugar ideal.
Era um prédio de dois pavimentos, na parte superior um belo e confortável apartamento que seria a
residência do meu sócio e na parte de baixo um barracão bastante espaçoso onde montamos a
empresa.
Na nova constituição esta empresa recebia o nome de “Seriq – indústria e comércio de materiais
para propaganda Ltda.
Estava caminhando conforme esperado. Meu sócio depois de algum tempo que estávamos convivendo
tornou-se meu “compadre” ele na companhia de minha irmã foram padrinhos de nossa filha Gizele.
Agora já com trabalhos, meu sócio também ajudava a prospectar novos clientes, e também havia os
clientes que vinham ao escritório que ficava em nosso barracão para nos contratar.
Nosso endereço havia sido escolhido minuciosamente, estávamos em uma das principais vias da
cidade de Curitiba, na Avenida Marechal Floriano Peixoto, no Bairro Alto Boqueirão. Quando
escolhi o local já havia feito esta escolha baseado em que se colocassemos um painel com grande
apelo visual, isso iria nos trazer clientes a nossa porta. Tendo então meu sócio o recurso financeiro
necessário, assim fizemos. Lá estava então instalado, um belo e enorme painel medindo 9.00m de
altura por 4.00m de largura, com grandes letras pintadas em cores fluorescentes variadas e grandes
letras que informavam o que produzíamos. Na parte superior a logomarca criada por mim quando na
abertura da empresa em São Paulo.
Tendo sido esta nossa identidade durante os quatro anos trabalhados em São Paulo.
Consigo lembrar com detalhes ao descrever como era este painel, pois havia criado a logomarca e
agora também havia sido eu que fizera a pintura deste enorme painel.
Trabalhamos por algum tempo e treinei um funcionário para que ele tivesse condições de me
substituir caso necessário eu me ausentar. Minha falta então não prejudicaria a produção em
Curitiba, pois estávamos novamente diante da antiga possibilidade se trabalhar para as duas capitais
a do Paraná e a capital de SP. Assim eram meus planos.
27
Surge então um comportamento estranho da parte da parte de meu sócio. Ele não tinha o
conhecimento que eu havia obtido durante os 14 anos de trabalho que já havia atuado neste
segmento. Mais tarde pude compreender qual era sua intenção.
Sua ambição estava conduzindo sua mente, ou talvez estivesse com dificuldades em se relacionar
comigo, até então não me recordo de havermos tido nenhum momento de confrontação. Entendo que
não sendo o único proprietário ele teria que dividir isso com o sócio.
Ficando sujeito à opinião do outro sócio que neste caso era eu. Principalmente porque ele pouco
conhecia da atividade.
Começa a surgir um clima desagradável em nosso ambiente de trabalho. Meu sócio acreditando que
o funcionário que eu havia treinado poderia me substituir, porque tudo já caminhava dentro da
empresa, sem minha presença, pensou estar podendo dar continuidade sozinho como único
proprietário sem ter que dividir nada com ninguém. Quando me dei conta disso, percebi que não
restaria alternativa. Até me passou pela mente que ele havia se arrependido e talvez estivesse
querendo sair da sociedade, perguntei a ele então, indo direto ao assunto, o que ele pretendia diante
das situações que vinha criando para que nossa convivência se tornasse desagradável.
Perguntei se gostaria de sair? Se assim fosse disse a ele que poderíamos fazer um levantamento de
quanto caberia para cada um em valores o que já possuíamos e eu pagaria a ele pela sua parte.
Então como já suspeitava, não posso dizer que foi uma surpresa quando ouvi usar as minhas palavras
para me propor a mesma coisa. O que fazer diante desta situação senão aceitar o mesmo que havia
proposto a ele.
De qualquer forma seria difícil convivermos sem harmonia.
Feitos os levantamentos o valor que ele teria que me pagar o que não era muito, pois ele era o sócio
que tinha entrado com o capital, eu havia participado com meu conhecimento e mão de obra pessoal,
mas sem recurso financeiro então ele não teria muito dinheiro a me devolver.
Os documentos de alteração de contrato social foram encaminhados e ao estarem prontos, ele me
procurou para assinar.
Percebi um detalhe do qual não poderia concordar.
Meu sócio havia mantido o nome “Seriq Indústria e comercio de materiais para propaganda”
desconsiderando que esta era uma marca que já existia anteriormente e me pertencia, pois vinha
construindo este nome ao longo dos anos, com trabalhos de qualidade e compromissos cumpridos.
Ele não demonstrou surpresa por minha recusa em assinar aquele documento, se prontificou a
refazer retirando este nome “Seriq” que me pertencia. Simplesmente figurava então no novo
documento que me apresentou para assinar o mesmo nome, porem sem o “Seriq” ficando somente
“Indústria e Comercio de Materiais de Propaganda”
Achei estranho e perguntei por que não havia colocado outro nome.
Respondeu-me que era porque tinha pressa e queria escolher outro nome com calma.
Para minha surpresa o ele já havia arranjado outra pessoa que estaria entrando em meu lugar
ficando com minhas cotas da sociedade, mas por estas cotas ele estava recendo um valor
considerável de dinheiro.
Concordei e assinei
Estava confirmado então o que ele pretendia.
Agora já são 00h10min do dia 01/09 /2.009. Fiquei surpreso ao ver que horas é agora.
Iniciei pela manha e nos momentos disponíveis dei continuidade, fazendo revisões e correções no
conteúdo que já havia escrito.
Estava escrito até a pagina nº 29 parte deste dia foi dedicado a idas e vindas dentro do espaço de
tempo da historia, até que conclui estar tudo em conformidade com o que acontecera no passado.
Neste momento que encerro para descanso, consegui ocupar mais 09 paginas contando sobre nosso
passado, estou feliz por ter conseguido esta marca, mesmo tendo que sair para cuidar de outros
compromissos.
Esta quantidade de conteúdo escrito se igualou ao do dia anterior quando entre revisões, consegui
também as mesmas 09 paginas. Porem no dia anterior me dediquei desde o inicio da manha até, bem
tarde parando poucas vezes.
28
Estou agora em 1.985.
Havia até fechado este arquivo, mas me senti no dever de registrar aqui, estar escrevendo desta
forma, tão rapidamente, esta sendo possível, não por outro motivo senão pela vontade de meu Deus
que para tudo me capacita. Deus seja louvado.
Vamos lá então, começar novamente. Agora voltando a trabalhar na meia água dos fundos da casa de
minha mãe.
Como sempre apesar das provas Deus estava me ajudando.
Até que encontrei novamente o “filão” que seria a “mina de bênçãos” que nos daria o que
precisávamos. Chamava-se “Hermes Macedo” nosso maior cliente, conquistado aos poucos, com
muito capricho e seriedade, e a benção de Deus que sempre presente colocava pessoas em nosso
caminho, como O Sr. Raul Jans um dos diretores responsáveis pela DITEC, setor que era responsável
pela área que eu prestava serviço. Muito importante foi para nós a credibilidade que estas pessoas
depositaram não digo somente em mim, pois apesar de ser comigo os contados que faziam, eu
contava também com meus irmãos e posteriormente já numa segunda faze após ter crescido nosso
volume de trabalho com mais pessoas envolvidas.
Atendia agora a este que foi um grande grupo no estado do Paraná e tinha filiais em grande parte do
Brasil.
Estavamos novamente focados na serigrafia.
Não demorando muito eu estava me equilibrando novamente.
Minha esposa estava grávida de nosso terceiro filho.
Estávamos fazendo planos de irmos ao Mato Grosso para visitar minha sogra, sogro e cunhados.
Tinha conseguido comprar outro carro.
Pretendia usar o carro para dar como entrada em uma casa para não voltarmos mais a pagar
aluguel.
A experiência em São Paulo onde em quatro anos tivemos que morar em cinco casas me fazia desejar
não mais voltar a pagar aluguel.
Mudavamos tantas vezes por motivos na maioria das vezes alheios a nossa vontade. Lembro que, ou o
proprietário pedia o imóvel para seu uso ou não conseguíamos continuar pagando devido aos
aumentos que sofriam os alugueis em cada renovação por causa da inflação que estavamos vivendo.
Por um tempo já estava à procura de uma casa que eu pudesse comprar. Aproveitando um trabalho
de grande porte que recebemos deste nosso maior cliente, fiz o possível para economizar.
Encontramos então uma casa, era também dentro de um conjunto da COHAB chamado “Salgueiros”
próximo da onde morávamos com minha mãe.
Porem esta casa era de um padrão um pouco mais elevado, era uma casa maior.
Feita a negociação com uma entrada substancial em dinheiro compramos então novamente nossa
casa, digo novamente porque após termos vendido a que possuímos anteriormente, ficamos vários
anos peregrinando pelas casas alugadas.
Imaginava em meu pensamento, já tive minha casa e não dei o devido valor, será que Deus tornará
um dia a permitir que tenhamos nossa casa novamente?
Graças a Deus que é misericordioso e nos deu esta benção novamente.
Eu tinha um prazo para pagar o saldo que devia da casa e continuaria a pagar as prestações da
COHAB.
Pensava em vender o carro para saldar meu compromisso,
mas, Deus novamente derrama uma benção enorme, mais serviços e consigo saldar meu compromisso
e manter o carro.
Possuíamos um pouco de dinheiro guardado, estávamos juntando para comprar um vídeo cassete
G21 era a sensação do momento.
Então perguntei para Regina, o que você prefere comprar o vídeo cassete ou irmos ao Mato Grosso
visitar seus pais?
Não demorou sua resposta, imediatamente escolheu ir visitar seus pais.
Que maravilha, tínhamos agora nossa casa novamente.
29
E ainda tínhamos planos de viajar a passeio.
Como meu carro era uma VW modelo variante ano 1.980, estando já com cinco anos de uso fiquei
algum tempo fazendo reparos para que pudéssemos viajar com segurança.
Nasce então no dia 07 de fevereiro de 1.985 nosso filho.
Na data esperada assim que começaram os sinais levei minha esposa para a maternidade, foi o meu
maior tempo de espera em uma recepção aguardando noticias. Havia levado minha esposa no inicio
da noite e lembro que varias outras gestantes chegavam junto com seus maridos, iam para a sala de
parto, voltavam às enfermeiras informando aos maridos e eu lá continuava, por vezes se repetiram as
idas em busca de noticias. Esta foi talvez a mais longa noite de minha vida.
Graças a Deus a noticia sempre que perguntava para as enfermeiras, apesar de não ser a que eu
estava esperando ouvir, me acalmava um pouco, pois diziam que estava tudo bem. Sugeriram que
fosse para casa para descansar e voltasse no dia seguinte dizendo que ficasse tranqüilo, mas nenhum
argumento do mundo teria me arrancado dali até que meu filho tivesse nascido e eu tivesse certeza
que estava tudo bem com ele e com minha esposa. Passei então toda a noite andando de um lado para
o outro sentava, mas não conseguia permanecer sentado então pra lá e pra cá andando, sentando e
novamente levantando foi que aquela noite passou e o dia amanheceu. Mas enfim veio a tão esperada
noticia. Havia nascido meu filho, estava tudo bem com ele e com a mãe dele. Pude então descansar.
Começo a escrever neste dia 01/09/2. 009. Revisto alguns escritos do dia anterior. Agora são
09h04min. Do período da manha.
Antes de entrar novamente na historia, desejo registrar alguns esclarecimentos recebidos, Ao me
recolher ao local onde num colchão no chão estou dormindo já há algum tempo.
Novamente fiz uma oração agradecendo a Deus por tudo.
Apesar de já ser madrugada resolvi ligar a televisão em um canal de uma emissora onde
constantemente se poderiam ouvir mensagens de Fé.
Este pregador estava falando sobre assuntos que há algum tempo estavam em minha cabeça. Já há
muito no passado me perguntava, porque morrem pessoas que aparentemente, vivem uma vida
correta?
Sabemos que a morte é a conseqüência do pecado.
Então qual teria sido o pecado destas pessoas? Que aos nossos olhos não eram percebidos, o que as
teria levado a morrer?
Este pensamento sempre me intrigou, e recentemente voltara a minha mente, pelo motivo de há
poucas semanas termos perdido em de nossos sobrinhos.
Josmar de Quadros Junior se chamava este sobrinho, filho do meu irmão Josmar, que já citei nas
paginas anteriores.
Não estávamos convivendo mais na mesma cidade já por vários anos, estava agora meu irmão,
residindo na casa de nossa antiga vizinha da época, que moramos no Taboão da Serra cidade que
fica ligada a capital de São Paulo.
Esta antiga vizinha chamada Guilhermina que citei anteriormente agora é a esposa de meu irmão,
casaram-se já há muitos anos. Desta união entre os dois nasceram três filhos, a mais velha chamada
de Daniela a Priscila e Juninho, como era chamado meu sobrinho.
Juninho era um jovem muito carinhoso com sua família, desde sua infância como tivemos a
oportunidade de presenciar durante os anos que convivemos.
Até então nada havia que pudesse ser dito a respeito dele que não fossem senão elogios. Era ele um
jovem exemplar.
Então volta a mim este questionamento, porque morre pessoas como o Juninho?
Este pregador falava sobre este tema repetindo algumas conclusões que eu próprio já havia chegado
ao passado e agora se reafirmara.
30
Dizia ele que Deus estaria levando estas pessoas por que estariam próximas, caso permanecessem
neste mundo, de se afastarem do caminho da Luz e estariam entrando em caminho de escuridão.
Então nosso Deus como sabe todas as coisas, passado, presente e futuro, para ele nada esta oculto.
Por este motivo então levado pelo amor que existe da parte de nosso Senhor por nos, que somos seus
filhos, leva estes queridos de volta à sua presença, pois embora estejam perdendo a vida aqui neste
mundo não estarão perdendo a maior benção que Deus promete a seus filhos. Esta benção e a meta
que todos devemos almejar conseguir, que ao terminar nosso período de provas, tendo sido
aprovados aqui neste mundo poderemos então receber o que Deus deseja nos dar, que é a vida eterna
na companhia de nosso criador em seu mundo de Luz.
Fiquei muito triste com a perda de meu sobrinho, não somente por ele, mas por me colocar no lugar
deste meu querido irmão o Josmar.
Estarei contando sobre o Josmar durante a narração desta historia.
Este pensamento tem me entristecido muito nestes dias porque meu filho que também é chamado de
Juninho por ter o mesmo nome que o meu.
Meu filho tem apresentando alguns problemas de saúde.
E me assusta o pensamento que possa acontecer com ele uma partida prematura assim com a de meu
sobrinho filho de meu irmão Josmar.
Peço a Deus em sua misericórdia que mantenha aqui este meu filho tão querido ainda por muitos
anos e seja eu a partir antes que ele.
Antes que ele e também antes que minhas duas outras filhas, mãe, neto e esposa, e tantos outros que
tremo em pensar ter que suportar a dor.
Mas quem é o vaso feito do barro para questionar aquele que o fez?
Dai-nos Senhor tua presença para em tudo e a todo o momento, fortalecidos por seu Espírito Santo
possamos estar aptos a suportar, cumprir e viver, de acordo com seus desígnios.
Como estava dizendo o pregador, Deus sempre nos dá um alerta.
Quando por algum motivo nos afastamos, às vezes mesmo sem perceber, deste caminho de Luz, algo
acontece para nos chamar à atenção.
Fiquemos então atentos e vigiando a todo o momento para não nos afastarmos deste caminho, para
que Deus nos permita uma vida cheia de bênçãos e por grande tempo possamos aqui permanecer
vivendo segundo a vontade do criador do vaso que nos somos cada qual para uma finalidade.
Vivamos para as boas obras, que trarão para nós e a todos nossos queridos e também para quem
mesmo por instantes nos aproximarmos que possamos trazer também a esta pessoa este caminho de
luz, que é a presença de Deus, e que esta Luz possa o caminho de todos iluminar.
Glórias ao Deus criador dos Céus e da terra e de tudo que nele há.
Como citei anteriormente meu desejo ao iniciar esta historia era somente registrar as informações
que havia recebido através de minha mãe sobre o passado de nossa família, para que estas
informações não se perdessem ao longo do tempo.
A cada momento em que reinicio a contar sobre minha vida me vem o desejo de escrever o que estou
sentindo o que estou pensando e o que estou vivendo.
Voltemos a historia.
Estava ainda trabalhando nos fundos da casa de minha mãe.
Passado algum tempo ampliamos nosso espaço de trabalho construímos um telhado maior e, desta
forma quase dobramos a área de trabalho que tínhamos.
Seguiram-se tempos de tranqüilidade, toda família com saúde, não nos faltava dinheiro nem trabalho.
Eu havia durante os anos de serviço prestado para a empresa HM demonstramos muita versatilidade.
Recebia agora um desafio do Sr. Raul.
Nesta ocasião um diretor superior ao Raul em viagem pela Europa encontrou numa revista de bordo
uma fotografia de um coqueiro estilizado. Esta fotografia mostrava que ele era feito com um tronco
de bambu e folhas de metal cor dourado.
Trazendo ao Brasil a revista entregou ao “Ditec’ departamento técnico da HM para que tentassem
conseguir alguém que produzisse os coqueiros que estava na revista.
31
Tendo o Raul me mostrado a foto aceitei o desafio e consegui produzir as peças.
Ao estarem prontos os dois coqueiros, recebiamos para avaliar o trabalho a visita do Diretor que
havia feito a encomenda.
Alem de diretor ele era também um dos proprietários do grupo de empresas HM.
Recebemos sua visita em nosso “Barracão”, pois para quem em São Paulo já havia trabalhado até
em cima da laje da cobertura de casa, estava ótimo nosso “Barracão”, ele vendo o que havíamos
produzido ficou bastante satisfeito nos parabenizou, um tapinha nas costas e foi embora. Resultado
pediu que ao invés de dois coqueiros fizéssemos quatro unidades.
Fiquei orgulhoso pelo reconhecimento, pois não havia sido nada fácil produzir aquela peça, se fosse
entrar em detalhes aqui teria que ocupar muitas páginas.
Isto se somou ao conceito que já havíamos obtido durante o tempo que éramos seu fornecedor.
Raul lança um novo desafio a alguns fornecedores.
Esta empresa a HM tinha na época departamento de confecções para todas as idades. Utilizava em
suas lojas manequins que vestidos com as roupas ficavam expostos.
Estes manequins quando por um motivo de quebra de alguma de suas partes era descartado e
substituído por outro novo.
O momento não estava propicio a desperdício e o Sr. Raul decide convocar seus fornecedores a
desenvolver um processo de recuperação destes manequins.
Teríamos então que pegar alguns destes manequins que estavam quebrados e reformá-los para
mostramos o resultado.
Sendo satisfatório, seria viável a contratação deste serviço.
Pois bem, vamos correr atrás, pensei comigo nunca fui de fugir a nenhum desafio ou deixar de
aproveitar a todas as oportunidades de trabalho quando estas surgiam.
Pesquisamos as formas e técnicas possíveis para realizar o trabalho, conseguimos fazer os reparos
nas partes quebradas.
Faltava agora a parte de acabamento, para que ficassem com o aspecto semelhante ao de uma
pessoa. Parece simples quando olhamos um manequim em uma vitrine, mas não é. Tudo dentro da
área artística requer muito talento e conhecimento técnico para chegar a um resultado satisfatório.
Então como fazer a maquiagem dando a cor certa ao rosto, olhos e até cabelos, pois alguns tinham
seu cabelo pintado. Em todo o meu tempo de trabalho neste segmento conheci somente o Samuel
Bitencourt que seria capaz de fazer esta maquiagem. Fui à busca deste que era meu amigo de vários
anos, pois havíamos sido colegas de trabalho em minha infância, e posteriormente já trabalhando por
conta própria recorria a ele quando era necessário o trabalho de um artista. Samuel topou o desafio,
compramos um aerógrafo e fizemos testes com varias tintas até que chegamos ao resultado esperado.
Estavamos prontos para apresentar ao Sr. Raul o resultado da reforma.
Como era de se esperar ele aprovou nosso trabalho, sempre trabalhei da seguinte forma “Se
estivermos insatisfeitos com o resultado de nosso trabalho, não devemos esperar que outros fiquem
satisfeitos” usando isto como meta em tudo poderemos esperar a aprovação de outras pessoas.
Ganhamos então um grande volume de trabalho.
No primeiro lote seriam 150 manequins para reformarmos.
Nosso barracão ficou como um necrotério. Caixas de pernas e braços para todos os lados. Cabeças e
demais partes do corpo.
À noite quando apagávamos a luz ficava uma cena meio assustadora ao olharmos para traz.
Por bastante tempo trabalhamos neste tipo de serviço.
A repercussão no meio deste segmento foi tão significativa que até mesmo os fabricantes começaram
a aceitar serviços de reforma. Sendo que anteriormente não prestavam este tipo de serviço.
Seguia a vida normalmente até que um fato aconteceu bastante desagradável, recebi uma intimação
da policia federal, uai pensei comigo, como diz o mineiro, o que será isso nunca me envolvi com nada
nem dei motivos para receber uma intimação deste tipo.
Ao ver do que se tratava, quão surpreso eu fiquei. Tratava-se de uma intimação por uso de marca que
pertencia à outra empresa.
Adivinhem que marca era e a quem pertencia. Era minha antiga marca a “Seriq” que eu havia criado
em São Paulo em 1.980 e vinha com ela identificando meu trabalho até aquele ano.
32
Faziam mais de seis anos que eu usava como identidade a marca “Seriq”
Minha reação imediata com esta descoberta foi procurar meu antigo sócio. Ele havia agido de má fé.
Voltando as paginas anteriores eu conto que não havia concordado em assinar minha saída da
sociedade sem que retirasse a marca que eu já vinha usando desde a sua criação em São Paulo no
ano de 1.980. Estavamos agora á dois anos de minha saída da sociedade e há seis anos depois de ter
criado a marca e estava sendo obrigado a abrir mão de minha identidade.
Meu sócio havia após eu ter assinado, digitado novamente a marca “Seriq” no contrato social no
espaço que havia deixado sem nenhum nome sobre o pretexto que iria escolher com calma, outro
nome.
Mas colocou minha marca e solicitou seu registro no registro de marcas e patentes. Com a maior
cara de sínico me recebeu e fez de conta que não estava entendendo.
Fazer o que, não teria como voltar atrás. Meu sócio imaginava que usando a marca conseguiria ficar
com os clientes, grande engano o seu. Disse a ele o seguinte, posso por como nome da empresa o
nome de “Abobrinha Serigrafia” e continuarei com os clientes que havia conquistado. Abri então
uma nova empresa que se chamaria “Seriquadros” fácil de perceber a origem do nome tanto na
marca anterior como na nova marca que estava criando. Tratava-se de serigrafia abreviado somado
ao meu sobrenome.
Continuei com meus clientes e vamos ao que interessa.
Estava crescendo, não importava com qual nome minha empresa estivesse.
Nosso volume de trabalho vinha aumentando e mesmo após a ampliação nosso barracão já estava se
tornando pequeno.
Foi motivado por um novo volume de trabalho que estaria a surgir que busquei um espaço maior.
Encontrei um novo barracão e transferimos a empresa. Agora já não mais trabalhávamos no fundo
do quintal e tínhamos um barracão não tão grande quanto ao barracão que possuíra anteriormente,
nem tão bem localizado, mas estava de bom tamanho e dentro das minhas possibilidades.
Agora precisava de uma equipe maior e diversificar nossa área de atuação, buscando mais produtos
que pudéssemos fabricar.
Este pensamento já era presente em minha mente desde a oportunidade que havia tido de conhecer
um amigo de meus irmãos, chamava-se “Paulo Seco” o apelido era por que ele era muito alto e por
ser magro ganhou este apelido. Paulo Cezar Teles é o seu nome.
Paulo trabalhava com peças em acrílico em uma empresa da cidade.
Esta empresa fazia a gravação de placas para identificação em acrílico. E outras peças sob
encomenda.
Paulo, sempre vinha nos visitando, em busca da companhia de meus irmãos, o Iran e o Josmar. Os
trabalhos que fazíamos atraiam sua curiosidade e conversávamos sobre nossos trabalhos e
trocávamos idéia sobre com fazer uma coisa ou outra, tanto dos seus como dos nossos afazeres.
Percebi que o Paulo seria um grande parceiro.
Meus irmãos já eram bons profissionais, haviam crescido comigo e tudo que eu sabia procurava
ensinar a eles.
Surgia agora o momento propicio para que o Paulo viesse a somar conosco. Acreditei em seu
potencial e comecei a prospectar trabalhos que ele pudesse produzir. Novamente a HM seria nosso
parceiro que nos levaria a um estagio mais elevado. O grupo Hm havia comprado um antigo prédio
do patrimônio histórico da cidade. Tinham como objetivo inaugurar ali um grande e luxuoso
Shopping Center não o maior, mas com certeza o mais luxuoso. A “Ditec” era um departamento que
reunia profissionais muito competentes, e seu trabalho era projetar as novas lojas a serem
inauguradas coisa que era freqüente e também as reformas das que já existiam. Faziam também todo
o planejamento de marketing, por isso para nós era sempre uma fonte de trabalho.
Com a recuperação e restauração do antigo prédio central onde seria seu futuro Shopping que seria
chamado de “Garcez”, ao estarem próximos do final das obras de estruturação e alvenaria a Ditec já
estava com os projetos prontos da decoração interna.
33
Os quatro coqueiros que haviamos produzido seriam utilizados na Hal de entrada dos elevadores
deste shopping. Como dizia o Raul brincando comigo, quando queria algo fora do convencional “já
que você é pau para toda obra” lá vai mais um desafio.
Já havíamos produzido uma grande variedade de produtos indo desde os cartazes feitos em serigrafia
até arcos de natal que posteriormente eram montados pela equipe interna da HM nas diversas
cidades onde tinham filiais. Estes arcos de Natal eram projetados pela ditec e cabia a nós sua
fabricação. Tratava-se de peças que na época do Natal eram colocadas em frente às principais lojas
do grupo, e atravessavam de um lado ao outro das ruas ou avenidas da cidade. Sempre que
recebíamos trabalhos deste porte trabalhávamos como loucos para vencer os prazos. Surgia agora
para o “Garcez” uma nova avalanche de trabalhos, contávamos agora alem de meus dois irmãos o
Josmar e o Iran com a participação do Paulo e do Ivan seu irmão e também meu cunhado o
Esmelino. Nosso desafio era produzir um lustre feito de acrílico que media o comprimento de todos os
andares do Shopping, iniciava na cobertura e vinha até próximo ao chão do piso inferior.
Era algo digno de respeito, a quem idealizou e seria da mesma forma para quem o produzisse.
Cotações sempre foram feitas em todos os trabalhos que prestamos para o HM, mas como eu estava
ciente da importância de manter este cliente não poderia correr o risco de perdê-lo. Portanto sempre
que orçava qualquer material solicitado procurava manter uma margem de lucro não muito grande,
mas que nos cobrisse os custos sem muita ambição de ficarmos ricos com um só trabalho, mas
teríamos sempre o necessário para nossa manutenção se não ambicionassemos mais que uma
margem razoável de lucro.
Ganhamos então novamente este novo desafio.
Foi uma agitação geral, um misto de empolgação com um pouco de medo, era “serviço pra burro”
como dízimos para nos referir a muito trabalho. E para não fugir a regra o prazo não era tão grande
como gostaríamos. Então foi aquela loucura. Eu o Paulo que seria o responsável, pois era seu
departamento que estaria mais envolvido no projeto, pois seriam peças em acrílico. Corremos em
busca de até fabricarmos ferramenta para executar o trabalho, vou descrever um pouco de que se
tratava este projeto. Era um lustre conforme citei confeccionado com 3.300 peças dupla face de
acrílico em forma de estrelas estilizadas. Dentro teríamos que colocar 6.600 lâmpadas que depois
iriam piscar em seqüência, envolvia muito acabamento e passava por vários tipos de maquinas
durante o processo. Estávamos já num ritmo frenético de trabalho e percebíamos que o prazo não
seria suficiente.
Eu e o Paulo quando nos conscientizamos disso decidimos fazer o seguinte.
Todos os envolvidos neste trabalho não iram mais dormir em casa.
Até me lembrei de minha infância antes dos 16 anos.
Combinamos então que todos trariam seus colchões e iram dormir no barracão mesmo para
tentarmos ganhar tempo.
Correria pra todo lado eu havia contratado para as refeições serem entregues na empresa. No
domingo comprava uma comida diferenciada, para não deixar diminuir o animo da equipe,
e mãos a obra. Lembro de que um dia o Paulo me chamou para conversar em particular, pensei
então, tomara que não esteja desanimando com este ritmo. Perguntei a ele o que foi e ele respondeu,
falando baixinho para que eu escutasse. “estou precisando ir para casa, estou fedendo” Ele não tinha
mais roupa limpa para trocar e estava agoniado para tomar banho e trocar de roupa.
Tal era o comprometimento dele com o trabalho e por saber de nosso compromisso e sua
importância.
Todos trabalharam muito, mas conseguimos cumprir mais esta etapa.
Assim foi, cresciamos em volume de trabalho.
Comecei a viver como dizem todos, ou pensando melhor eu queria agora viver a vida que tanto ouvia
falar, e eu até aqui somente havia trabalhado na maior parte do tempo.
Meus irmãos, e o Paulo somado a eles formavam uma equipe que não necessitava da minha presença
na empresa.
Eu estava com 28 anos aproximadamente, carro novo dinheiro disponível para fazer o que quisesse.
Então decidi que queria aproveitar a vida, como contei no passado havia conhecido minha esposa
aos 16 anos ficara noivo aos 17 e havia casado já aos 18 anos, durante muitos anos escutei o
34
comentário das pessoas que ficavam sabendo a idade que eu havia me casado a seguinte frase,
“nossa como casou cedo... coitado... não aproveitou nada da vida e já está casado”.
Não somente eu, mas minha esposa também ouviu muitas vezes este comentário. Pois bem, vamos
então aproveitar a vida. Então por aonde eu começo come se faz pra aproveitar a vida? Será que
você que esta lendo saberia me responder? Como se aproveita a vida?
Se você não sabe também, eu até aquele momento imaginava que sabia.
Comecei a ocupar meu tempo tentando descobrir como deveria eu aproveitar a vida de que forma
seria como faria, comecei a observar o que as outras pessoas da minha idade e mesma condição
financeira faziam já que elas diziam que eu não tinha aproveitado a vida por ter me casado tão cedo,
estas pessoas que tinham e estavam aproveitando a vida seriam meus exemplos, aprenderia com a
experiência delas agora. Vamos lá então como se faz, tempo não me faltava nem dinheiro.
Eu observei pessoas que gostavam muito de esportes, futebol etc.. Parecia-me um tanto estranho,
viver falando e respirando futebol e esportes o tempo todo, corridas disso ou daquilo. Na maioria das
vezes, não falavam de outra coisa. Estavam em casa raramente, era mais comum estarem fora de
casa num estádio, a caminho dele ou nos bares comentando o jogo atual o jogo futuro, onde iria ser
contra quem seria e assim por diante. Não estava ali o “Aproveitar a vida“ que eu havia perdido.
Não tenho nada contra os esportes gosto também e até acho uma ocupação saudável o esporte.
Mas não conseguia perceber onde estariam aproveitando algo que eu não teria aproveitado se assim
desejasse, mesmo tendo casado tão novo. Não estava ali o “Aproveitar a vida“ que eu havia perdido.
Convivi com pessoas que viviam em bares entre chopinhos e outros drinks.
Passavam dias nesta rotina, muita conversa fiada, não raro mentiras no meio das conversas, uns
dizendo ser mais, ou melhor, que fulano ou cicrano, era comum estarem ocupados mais com a vida
dos outros que com a sua própria.
Mas não conseguia perceber onde estariam aproveitando algo que eu não teria aproveitado se assim
desejasse, mesmo tendo casado tão novo. Não estava ali o “Aproveitar a vida“ que eu havia perdido
Conquistadores, os machões do momento, tudo girava em torno de ser o “O bom” conhece fulana, eu
já, cicrana também, esta vendo aquela, vais ser a próxima e assim vai.
Fiquei um tanto frustrado. Durante tanto tempo estive pensando que havia perdido de aproveitar
minha vida, seriam já perto de dez anos perdidos, segundo ouvia com freqüência.
Como meu propósito era “aproveitar a vida” teria que me enquadrar onde mais me agradasse.
Vivi por um período seguindo os exemplos, um pouco de cada um deles.
Mas aonde esta a felicidade esperada, não a encontrava estar “vivendo e aproveitando a vida’ mas
não estava mais feliz que antes, por que será? Dos exemplos observados, muitos nem sequer posso
citar como exemplo, eram as pessoas que eram viciadas em algum tipo de droga.
Este nunca foi meu desejo, nem de experimentar tais maneiras de ser feliz. Como se pode ser feliz
num mundo de imaginação e ilusões que desaparecem junto com o efeito do que consumiam.
Estava então cansado de procurar a felicidade, mas começava a perceber que estava me tornando
mais infeliz do que me sentia antes.
Numa tentativa de conseguir “viver a vida” aproveitando ao extremo para ver se me realizava. Não
encontrando nada diferente que me atraísse ou trouxesse a promessa da felicidade, pensei comigo de
tudo que havia presenciado entre as praticas ou hábitos o que mais gostei foi onde estive envolvido
com mulheres. Comecei então a me dedicar a ser feliz desta forma. Talvez cada um tivesse sua forma
particular de “aproveitar a vida” e poderia então ter descoberto a minha forma pessoal de fazê-lo.
Não foi preciso muito empenho e estava contabilizando uma porção de experiências. Mas cadê a
felicidade?
Pelo contrario, mais infeliz eu ficava a cada momento, estava sendo em tudo muito bem sucedido,
mas cada vez mais infeliz.
Este pensamento começou a me inquietar, seria eu um eterno infeliz?
Não importava quando mais condição financeira tinha, troquei vários carros mesmo sendo novos
somente porque buscava neles uma felicidade que não encontrava. Estava ciente que muitas outras
pessoas me invejavam pelas coisas que eu simplesmente não dava o mínimo valor porque não me
faziam feliz. Cheguei a trocar alguns carros por ter enjoado do painel ou da cor das luzes do painel
35
de carros seminovos que representavam o sonho de consumo de tanta gente. Cheguei a contar, até
que estava já próximo de cem o numero de carros que havia possuído. Entre eles até caminhões e
motos.
Percebi que estava rumando para uma infelicidade tão grande que poderia se tornar perigosa.
Imaginei comigo, “posso ser dono de uma ilha e continuar infeliz” isso já estava me preocupando e
mais preocupado me sentia com o passar do tempo diante de minha insatisfação. Vez por outra
pensava estar com vontade de fumar um cigarro, mas logo depois que ascendia não tinha prazer em
fumar.
Pensava então estar com vontade de tomar uma ou outra bebida, ao chegar a minha casa olhava para
o barzinho que havia feito na sala lá estava nas prateleiras de vidro todo o tipo de bebidas que eu
gostava ou que davam status para quem as tivesse ao seu deleite, existia ali varias garrafas de todas
as cores e formatos. Na parede o bar tinha como fundo, espelhos aplicados em pequenos retângulos
colados em placas, que davam o charme ao bar. Na parte inferior possuía um balcão em forma de
“L” onde havia mais bebidas estocadas. E uma estação de radio amador que era a sensação do
momento. Não era pra qualquer um ter uma estação como aquela, deveria deixar seu dono muito
feliz. Pegava uma das bebidas colocava em um copo com gelo e levava a boca com muita esperança
de ser o que iria satisfazer aquela vontade que eu estava sentindo, mas não conseguia encontrar o
que a satisfizesse. Uma noite acordamos assustados com um barulho enorme que vinha de cima e
parecia que vinha do telhado, Levantei olhando para cima procurando onde o telhado teria caído,
não encontrava nada de errado com o telhado, minha esposa também procurando me perguntou que
cheiro forte é este? Então senti um cheiro forte de álcool, e olhei na direção do barzinho que tinha na
parede de nossa sala. Haviam caído todas as prateleiras sem que nada pudesse explicar os vidros se
quebraram, e caíram todas as garrafas que ali estavam formando um enorme amontoado de cacos de
vidro, não era possível dizer facilmente da qual garrafa era cada pedaço de vidro tão pequenos que
haviam ficado não entendi o que havia acontecido e passou mais algum tempo. Comecei a tentar
lembrar como me sentia feliz na época quando as coisas eram difíceis e lutava com grande
dificuldade como perceberem no passado. Então lembrava que coisas simples me satisfaziam e agora
nem coisas requintadas conseguiam, lembrava de quando com certa dificuldade comprava um pouco
de carne de segunda e assava sobre quatro tijolos colocados no chão e usava a grelha do forno do
fogãozinho de quatro bocas para assar aquela carne. Nossa recordava, como era gostoso aquele
churrasquinho de pobre, que sempre estava acompanhado pela maionese e arroz que minha esposa
fazia. Porque agora com aquela enorme churrasqueira que tinha em casa onde cada vez que me
dispunha a assar uma carne para tentar sentir novamente aquele prazer que antes sentia com o
churrasquinho de pobre porque isso não acontecia mais?
Porque mais nada me satisfazia?
Cheguei então à conclusão. Teria que relembrar tudo que eu fazia na época que eu era feliz e não
sabia.
Comecei então a lembrar dos sábados de jejum que fazia em busca da orientação de Deus diante de
algum problema, para que me mostrasse como deveria agir para estar preparado para administrar as
bênçãos que o senhor desejasse para mim, e também às destinadas a outros para quem eu estaria
sendo o intermediário.
Então comecei a perceber que nem orações eu estava mais fazendo quanto mais jejum.
Tentando voltar a sentir a Paz que eu sentia antes, a satisfação e o prazer que antes sentia mesmo nas
coisas mais simples.
Percebi o quanto havia me afastado de Deus.
Entendi então porque estava tão infeliz. Mas e agora? Será que teria como voltar a me sentir como
me sentia antes? Como faria para que isso acontecesse?
Tomei uma decisão. Iria buscar agora com todo o meu coração com todas as minhas ações, com toda
a minha capacidade e inteligência encontrar o ponto na estrada onde eu havia me desviado e tentar
encontrar novamente o caminho certo.
Meus queridos, quando tomei esta decisão tudo começou a desmoronar em minha vida, dificuldade
surgia em tudo que eu tentava fazer, no trabalho as coisas não iam nada bem.
36
Comecei a vender coisas e até o carro que possuía era obrigado a ir trocando por carros mais
baratos para cobrir dividas. Mas estava decidido que não desistiria de voltar a me sentir como antes
quando sentia a presença de Deus em minha vida. Não mais me importava se iria chegar a andar nu
se preciso fosse, mas queria desesperadamente sentir que Deus estava novamente comigo. Assim foi
por longo tempo, acho que não caí mais pela misericórdia que Deus teve de minha esposa e de meus
filhos. Restou-nos nossa casa. Vivia eu já há algum tempo com este pensamento fixo em minha mente
“tenho que voltar a sentir a presença de Deus em minha vida, Deus me mostre o caminho” Assim
passou o tempo não sei quanto tempo passou.
Um dia estando nossos filhos em férias escolares cheguei em minha casa e pedi a minha esposa que
arrumasse as coisas que estaríamos em seguida indo para o litoral, havia pegado com minha tia as
chaves de sua casa na praia e disse a ela preciso espairecer um pouco ou vou explodir.
Minha esposa preparou as crianças e rumamos para o litoral.
Lá chegando descarreguei o carro e enquanto minha esposa preparava o almoço eu enxerguei uma
pequena vara de pesca enroscada na parede da casa. Lembrei então que sempre gostara de pescar e
o quanto isso me satisfazia. Peguei um copo com bastante gelo, uma garrafa de bebida, minha
carteira de cigarros e estava já na beira do rio que não ficava muito distante. Havia estacionado as
margens do rio sob a sombra de uma arvore. Descera ao pé do barranco e ali estava. Tentando
aliviar a tensão causada pela avalanche de problemas que estava sobre mim, lembro que uma musica
tocava no toca fitas do carro e ao perceber que ela havia acabado, subi o barranco e fui em direção
ao carro para trocar a fita. Mas quando me dirigia ao carro percebo vindo em minha direção um
homem de grande musculatura
Confesso que naquele instante fiquei apreensivo, pois não sabia de sua intenção. Era um dia de
semana, portanto não seria normal que alguém estivesse por ali de passagem. Lembrei que havia
deixado dentro do carro o revolver 38 que há alguns anos estava autorizado a portar, todos os anos
eu renovava meu porte de arma. Estava já tão afastado de Deus que procurei em uma arma a
proteção que antes nunca havia sido necessária. Não daria tempo de ir até o carro pensei comigo,
fiquei então prestando atenção aos gestos do homem que vinha e já estava próximo. Foi quando ele
estendeu sua mão em minha direção sorriu e me cumprimentou. Respirei mais aliviado, não parecia
tratar-se de um agressor, talvez fosse então um pedinte pensei comigo e estava me preparando para
ouvir ele me pedir alguma coisa, dinheiro provavelmente pensei.
Mas para minha grande surpresa e maior tranqüilidade vinha em sua direção uma criança, estava ele
ainda terminado de me cumprimentar e dizer seu nome muito prazer me chamo Odair, Odair José
Cucha. Pronunciou-o com um sotaque acentuado, olhando ele na direção da menina chamou-a
dizendo algumas palavras que não entendi direito não sei se devido ao sotaque ou seria uma língua
que me parecia indígena. Lembro que naquele momento em reposta ao que seu pai lhe havia dito, a
pequenina menina olhou em minha direção e disse,
“Deus fez o céu a terra e tudo que neles há” percebo agora ao escrever que a frases contem poucas
palavras, mas ao ouvir ela pronunciando estas palavras, senti tanta paz naquele momento que me
pareceu durar por muito tempo sua pronuncia. Emociono-me novamente, ao lembrar aquele
momento. Seu pai a observava ela havia me cumprimentado e caminhava em direção a uma pequena
casinha que estava à beira do rio, mais parecia um deposito para guardar algum tipo de material de
construção do que uma casa.
Ele não me pediu nada então pensei, não há perigo algum, nesta pessoa estar por perto, conclui que
uma pessoa que ensinava a filha o que ela havia dito para mim não poderia ser má pessoa.
Voltei então ao que estava fazendo. Não havia fisgado nenhum peixe e estava ali sozinho olhando
para o rio, estava pensando em minha vida, como tudo tinha acontecido tentando entender, o que
deveria fazer dali por diante. Subi novamente o barranco em direção ao carro agora para pegar
mais bebida. Novamente vem ao meu encontro aquele homem, não estava mais tão apreensivo com
ele e senti que deveria o respeitar pela demonstração dos ensinamentos que dava a sua filha.
Novamente veio me cumprimentar e estendeu novamente sua mão em minha direção. Então em
respeito com educação aceitei seu cumprimento novamente. Pronunciava meu nome como que
querendo ter certeza, como se não houvesse entendido meu nome ainda.
37
Então ele me disse Luiz você é uma pessoa que tem tudo na vida, mas te falta uma coisa, me convidou
para acompanhá-lo e caminhou em direção daquilo que mais parecia um pequeno deposito, abrindo
a porta me convidou a entrar. Disse-me então, Luiz aqui eu resido, nesta “manjedoura”, é porque é
necessário que eu me encontre assim neste momento.
Disse que já havia possuído condições de vida com maior conforto, mas que era necessário que desta
forma ali estivesse.
Disse-me então já ter me ouvido em agonia na madrugada, ter me ouvido em oração. Mostrou-me um
dos cantos da pequenina casinha, ele disse que ali passava noites de vigília em oração. Disse isso
mostrando para mim os seus joelhos onde eu podia perceber calos, como podemos ver nos pés de
pessoas que costumam andar descalço.
Na pequena casa olhei ao redor e percebi que mal cabia um fogão e mais alguns utensílios, imaginei
que para caber o colchão para dormirem não poderiam andar ali dentro ou não haveria espaço para
caminhar ali dentro. Como então conseguiam morar ali, ele e sua esposa e sua filha. Saímos e
voltamos para onde debaixo da sombra de uma arvore ele continuou, disse para mim. Luiz, você tem
duas pessoas que te amam uma esposa e sua mãe. Não te falta nada na vida, mas te falta uma coisa.
“Fez um gesto com seu corpo, afastou-se um pouco e olhando em direção de meu lado esquerdo com
um semblante de quem estava olhando algo assustador disse” peguei novamente em sua mão e
perguntei novamente o seu nome para ter certeza que era você e não este Luiz que vejo ai do seu lado
esquerdo.
Luiz não te falta nada você é uma pessoa bem sucedida em tudo, mas te falta uma coisa. Olhou para
mim e disse Luiz você não é homem. Respiração funda a cada momento que olhava para mim antes de
me dizer alguma coisa e por vezes pronunciava uma palavra em uma língua que eu não conhecia,
nunca havia ouvido até aquele momento, dizia a palavra “Candalamaxurican” o pronunciava com
um tom bastante alto de voz no inicio da palavra e terminava em um tom mais baixo.
Estava prestando a atenção e com muito respeito até aquele momento.
Pensei então, o que seria, por que estava me dizendo aquilo, estaria ele pretendendo me ofender? .
Por um instante pensei que atitude tomar, percebia que apesar de eu ter um físico considerado ser de
uma pessoa forte, ele tinha superioridade em tamanho e deveria ser superior em força física, pois
seus braços assemelhavam a parte inferior de minha perna em proporção a espessura. Medidas de
auto defesa me passaram pela mente naquele momento. Mas respirando fundo novamente ele olhando
para mim me disse, eu também não sou, explicando, eu também não sou homem diante do que
representa ser homem no mundo de hoje. Ser homem no mundo de hoje não é ser homem perante
Deus.
Para ser homem no ambiente de relacionamento onde as pessoas praticam todo tipo de coisas
erradas. não é ser homem perante Deus. Para ser homem para estas pessoas teríamos que praticar os
mesmos atos errados que elas praticam ou então superá-las nestes atos, isso nos daria o conceito de
que somos homens para estas pessoas. Mas e perante Deus? O que seriamos então. Compreendi que
ele estava me dando uma orientação que me serviria para a minha vida. Durante todo o momento que
falava comigo, respirava de forma que mais parecia um exercício de respiração.
Estava me sentindo bem e estava sentindo uma paz que há muito tempo vinha buscando e pedindo a
Deus em minhas orações.
Ele repetia aquela palavra estranha, aspirava o ar como que se quisesse encher seus pulmões ao
extremo, posicionava seu corpo como fosse se preparar para um luta. Eu já havia visto aquela
postura nas apresentações de artes marciais. Disse-me então, Luiz você nasceu fumando? Pois eu
estava com um cigarro acesso em minha mão e aguardava ele terminar de conversar comigo pra
fumar. Então pensei o que responderia? Eu não nasci fumando. Estava na minha outra mão meu copo
com gelo e bebida, e novamente ele olhando para mim disse, Luiz você nasceu bebendo? Eu que já
estava meio desconcertado pela primeira pergunta o que responderia agora ou como responderia
aquela pergunta, pois eu não havia nascido bebendo. Luiz pare com isso, isso faz mal a você.
Então ao contrario da expressão assustadora na qual havia me dito que via algo do meu lado
esquerdo, olhou para mim com uma expressão de alivio e serenidade no olhar respirou mais aliviado,
ou seja, com uma respiração, mas tranqüila me disse, “você já aceitou”.
Não te falta nada na vida, mas te faltava uma coisa e você já aceitou.
38
Chamou a menina que estava próxima e disse a ela, vá buscar minha espada! Num tom bastante
determinado. Por um instante não entendi fiquei meio confuso, de que se tratava uma espada?
Perguntava-me, seria uma arma, porque estaria pedindo uma espada para aquela pequena criança. A
menina com serenidade caminhou em direção a sua pequena casa e veio com um livro nas mãos. Até
então eu não estava entendo, o que estava acontecendo? Ao se aproximar a menina entregou a ele o
livro e então pude perceber que se tratava de uma bíblia. Novamente com aquela postura de arte
marcial e respiração diferenciada ele disse, isto é que esta faltando em sua vida.
Você tem tudo, mas te faltava uma coisa, aceitar a Jesus em sua vida.
Parei agora por um instante de escrever para louvar e dar graças a Deus, e me emocionei
novamente, por lembrar aquele momento.
Glórias a ti Senhor.
Neste momento, estou em 2.009, dia 5 de setembro de 2.009 às 13h29min horas. Momento em que
passo de minha memória para este computador esta experiência de minha vida.
Pergunto-me neste momento, porque temos que passar por tantas coisas, tantos sofrimentos e buscas.
Recentemente ouvi meu filho me dizendo, pare com isso pai, você vive como se a vida fosse uma
grande charada e que você tem que descobrir e desvendar, encontrando respostas, para tudo, fica
buscando respostas. Deixe que as coisas aconteçam por si próprias.
Pare de ficar imaginando que se as coisas não se encaminham é por que isso representa um sinal de
Deus e você precisa buscar outro caminho.
Meu filho disse estas palavras para mim, porque estamos atravessando um faze em nossa vida de
muito questionamento, o que fazer para alcançarmos a tão sonhada estabilidade para todos os
aspectos de nossas vidas.
Costumo usar um exemplo para comparar minhas ações em busca a obter o que precisamos para
suprir nossas necessidades e garantirmos à sobrevivência. Li na bíblia que era para que nós
observarmos os pássaros que não plantam nem colhem, mas Deus dá a eles o que precisam para sua
sobrevivência.
Já refleti a respeito deste exemplo e obtive vários ensinamentos conclui que se observarmos os
pássaros, poderemos perceber que eles não permanecem parados por todo tempo, mesmo sabendo
que é Deus que prove para eles o que precisam.
Podemos ao observar os pássaros ver que eles estão em constante busca, jamais iremos passar por
um caminho e ao olharmos para determinado galho de uma arvore encontrar ali sempre o mesmo
passarinho. Esta o passarinho fazendo a sua parte, se ele vai encontrar o que precisa, ele não sabe,
mas Deus então prove a ele o que necessita.
O passarinho sempre procura e eu também, procuro fazer a minha parte, “a parte do passarinho”,
por isso fico diante de perguntas, fiz tudo para que as coisas acontecessem porque não deu certo?
São 13h53min. -interrompi - /- retorno agora às 17h26min.
Entendo que se tudo fiz de minha parte então foi Deus que não quis que acontecesse. Por vezes sou
criticado por pensar desta forma.
Mas esta é minha maneira de perceber se estou no caminho que Deus quer que eu caminhe,
procurando sentir a condução de Deus em tudo porque se ele estiver sendo o condutor tudo irá fluir e
se encaminhará. Li em certa vez que “Viver pelo espírito é como ser um barco sem leme” seria então
o espírito, que sendo o leme iria determinar a direção. Assim procuro viver e somente assim sentindo
a presença de Deus me conduzindo é que pretendo continuar vivendo, somente desta forma
sentiremos a Paz, está é maior riqueza para mim, a Paz de sentir que Deus esta na condução de
minha vida. Amem.
Hoje é dia 06/09/2009. Aprox.10; 00 h.
39
Continuo agora a contar a experiência da qual fez parte aquele índio o Sr. Odair José Cucha.
Escrevo o seu nome lembrando-se da pronuncia, mas não sei ao certo como deveria ser escrito
Ao perceber que já estava avançado o horário para o almoço e que estavam me esperando em minha
casa, ele também percebeu que eu desejava ir embora, então me disse que estaria sempre do meu
lado, e que eu estaria sempre firme na minha perna direita. Disse-me que eu tinha uma espada em
minha casa e que nela havia uma mensagem para mim para minha esposa e minha mãe. Entregou-me
algumas folhas de caderno escritas com uma caligrafia bastante ruim, quase não conseguia ou pouco
se conseguia entender do que ali estava escrito, me pediu que enviasse aquelas paginas para o então
presidente da republica Fernando Color de Melo. Despedi-me e fui para casa onde minha família me
aguardava para o almoço. Almoçamos e aquele dia transcorreu com muita Paz.
Eu continuava determinado a voltar a sentir a presença de Deus como sentia anteriormente, através
da Paz que sua presença nos proporciona.
Meu pensamento continuava fixo “Deus me mostre o que devo fazer para voltar a sentir a Paz que
sentia anteriormente”
O tempo foi passando minha situação financeira, bastante difícil até que repentinamente surgiu uma
possibilidade de trocar meu carro que nesta época já não era como aqueles carrões que havia
possuído anteriormente. Este negócio era como diriam “negocio imperdível”
Estava eu novamente com um carro melhor que me permitiria viajar com conforto e segurança para
São Paulo.
Eu há algum tempo estava pensando em prospectar mercado em São Paulo, devido à situação que
estávamos atravessando. Decidi então pela ida e convidei minha mãe para ir comigo, pois minha
esposa não poderia me acompanhar porque nossos filhos estavam em época de aulas. Meu irmão o
Josmar estava casado e morando em São Paulo e foi para sua casa que nos dirigimos. Estava
habituado a fazer esta viagem à noite e já havíamos percorrido quase a metade da viagem quando
conversando com minha mãe lembrei-me de contar a ela sobre o encontro com o índio Sr. Odair.
Ela me ouvia contar e então me perguntou curiosa qual era a mensagem que estava na bíblia, se eu
havia lido a mensagem. Pois dizia respeito a ela e a minha esposa.
Comecei a contar que havia lido sim, e que havia ficado surpreso em ter encontrado uma bíblia, em
casa, como ele poderia saber quando disse que eu ao chegar pegasse a espada que se encontrava em
minha casa se nem mesmo eu sabia de sua existência? Então comecei a contar o que eu havia lido,
dizia na primeira parte que se vivêssemos segundo as coisas que Deus determina que devêssemos
viver, ele derramaria sua bênçãos, e tudo seria abençoado em nossas vidas. Então o que dizia na
segunda parte que era para nós uma mensagem que deveríamos ler perguntou minha mãe.
Ao começar a contar eu dizia que na segunda parte estava escrito que se não... Neste momento,
percebo que a luz do farol de um veiculo que vinha em minha direção havia se deslocado
bruscamente de um lado para o outro, fiquei atento e logo percebi um ônibus de viagem estacionado
no acostamento com o pisca de alerta ligado.
Era próximo de três a quatro horas da madrugada, instintivamente reduzi a velocidade e fiquei
observando com atenção se estaria alguma pessoa atravessando a pista para entrar no ônibus e por
haver descido.
Neste momento percebo uma vaca no meio do asfalto. Ela estava meio apavorada, reduzi ao máximo
a velocidade pisando no freio, e fiz o possível para não colidir com aquela vaca. Percebo que algo
havia quebrado devido ao barulho de vidro se quebrando.
Olhei para o lado estava tudo em ordem com minha mãe, olho para o pára-brisa e estava intacto.
Numa fração de segundo pensei devo para ou não. Decidi imediatamente parar, e parei no
acostamento quase uns 100 metros de distancia alem do ônibus.
Foi então que desci e olhando para frente do veiculo percebi que o estrago havia sido muito grande.
Fiquei surpreso que eu e minha mãe não havíamos sentido nada dentro do veiculo. Eu havia
arrastado as rodas ao frear por uma longa distancia, pude perceber pelas marcas dos pneus que
ficaram no asfalto. Dei graças a Deus no mesmo instante, pois percebia o prejuízo material, mas nós
nada havíamos sofrido. Pensei graças a Deus que não nos machucamos, o carro é um prejuízo
financeiro que se pode recuperar. Logo após verificar tudo ao redor olhei em direção ao ônibus
40
estacionado, então pude perceber porque aquela vaca estava em pânico, o ônibus havia batido em
cheio em seu filhote. O impacto contra o ônibus havia sido tão violento que partiu a barriga do
bezerro. Olhei então o que estariam àquelas pessoas fazendo com o bezerro e fiquei até chocado com
a cena que vi. Estavam cortando o animal em pedaços e carregando para o compartimento de
bagagem do ônibus, me pareceu uma grande frieza da parte daquelas pessoas, estavam cortando e
dividindo aquele pequeno animal. Também nem me recordo de terem vindo nos perguntar se
estávamos bem. Ate que fui ao encontro deles.
Eu havia percebido a vaca, mas apesar de ter freado e arrastado as rodas na pista eu ainda havia
batido nas pernas traseiras do animal.
Tendo ficado a vaca desequilibrada pelo impacto em suas pernas ela havia projetado sua traseira
sobre o motor de meu carro tendo amassado e afundado toda a frente e o capo do veiculo contra o
motor.
O barulho de vidro quebrado havia sido pelo coice que ela deu na lateral do veiculo ao se levantar.
Uma coisa impressionante este acontecimento não somente por estarmos ilesos, caso raro em
acidentes desta natureza e também devido ao estrago no veiculo.
Impressionante ainda mais foi o fato de que a vaca não quebrou suas pernas e correu fugindo
daquele local. Podia ver um pouco de pelo que havia ficado prezo a lataria do veiculo, mas cadê a
vaca? Perguntei para as pessoas do ônibus e como estavam preocupadas em cortar os pedaços do
bezerro não me deram muita atenção.
Havia chegado então ao local uma viatura da policia rodoviária.
Liberaram o ônibus que seguiu seu destino e eu e minha mãe ali estávamos sem saber ao certo o que
eu iria fazer. Pedi então ao policial rodoviário que me auxiliasse a localizar o dono dos animais, pois
desejava pedir que me ajudassem a resolver o problema e me ressarcir do prejuízo. Procuramos nas
redondezas e para minha surpresa todos diziam que ali ninguém criava gado. Fiquei irritado e
comentei com o policial, já que ninguém cria gado aqui, me dá vontade de contratar um caminhão e
carregar estes que estão aqui soltos pela região, tenho certeza que se fizer isso quando vir que
estamos carregando os animais devera aparecer o dono, comentei com o policial. Falei isso levado
pela irritação que aquela situação me causou. Mas na realidade não iria agir desta forma.
Procuramos das quase quatro horas da madrugada até as dez horas da manha e nada encontramos,
acreditem nem a vaca ferida nós encontramos.
Disse-me o guarda rodoviário que não poderia trafegar com o veiculo naquelas condições. Eu já
havia puxado parte das latas empurrando o pé num sentido e puxando com as mãos no sentido oposto
até que consegui afastar as latas do motor. Percebi que a água estava ainda escorrendo do radiador
portando ele havia rachado em algum lugar, instintivamente, peguei uma goma de mascar que estava
em minha boca e colei na parte rachada do radiador, pude perceber que havia parado o vazamento,
então completei a água e liguei o motor,
Fiquei feliz ao ver que o motor funcionou, mas logo que começou a esquentar a água, começou
novamente o vazamento.
Pensei comigo isso poderia ser reparado se eu tivesse um produto adequado. Fui então bater palmas
na porteira do sitio mais próximo.
Expliquei a pessoa que me atendeu o que havia acontecido e o problema do vazamento do radiador, e
como pretendia fazer o reparo perguntei se por acaso esta pessoa teria algo que eu pudesse aplicar
na rachadura que parasse o vazamento, esta pessoa pediu que esperasse, entrou em sua casa e
retornou com uma caixa de papelão nas mãos, era um produto de dois componentes, muito comum
nos supermercados e tinha varias finalidades de aplicação. Nem me recordo agora se eu paguei por
aquele produto ou se a pessoa me deu, sensibilizada pela situação.
Apliquei o produto nas rachaduras prendi as latas que estavam soltas e enquanto esperava o produto
secar, pedi ao policial que agora retornara informando que não havia localizado a vaca, sua
orientação sobre como poderia proceder naquele momento pois, estava praticamente na metade do
caminho. Ele me disse que poderia me dar uma autorização para trafegar com o veiculo naquelas
condições desde que o veiculo funcionasse e estivesse em condições de andar mesmo que
precariamente, para que eu pudesse ir à oficina mais próxima.
41
Estava já em condições de testar o concerto do radiador, completei novamente o reservatório de água
e então, que maravilha havia parado o vazamento. Demorei não o que seria normal para percorrer o
restante que faltava, mas cheguei ao destino que era São Paulo.
Não tive duvidas chegando lá fui direto ao local onde estava o escritório que antigamente me
pertenceu e ali encontraria o Nelson Moraes, meu antigo amigo. Assim foi chegando encontrei o
Nelson ele me cumprimentou e contei a ele o que havia acontecido. Combinamos que assim que ele
pudesse sair me acompanharia até uma oficina de um conhecido seu. Fui até a casa de meu irmão
Josmar nos cumprimentamos e descarreguei as bagagens. Mais tarde o Nelson me acompanhou até a
oficina, feito a lista de peças, ele me ajudou a comprar as peças e para este problema à solução
estava encaminhada.
Vou interromper agora para ajudar minha esposa a preparar nosso almoço. Agora são 12h14min. Do
dia 06/09/2009.
Estou Recomeçando dia 06/09/2009 às 15h58min.
Neste dia encontrei um ambiente de Paz na casa de meu irmão. Uma era uma pequena, mas meu
irmão nesta ocasião era evangélico e podia ser sentido que naquele ambiente Deus estava presente.
Fui dormir num colchão no chão e como já por alguns meses com o mesmo pensamento fixo em
minha mente. “Meu Deus me mostre como devo fazer para voltar a sentir a tua presença em minha
vida” com este pensamento estava ali deitado e em minha oração senti que esta oração havia passado
acima do telhado, ou seja, senti que Deus havia ouvido minha oração. Ao amanhecer estava ainda um
pouco escuro quando acordei e ouvi minha mãe e meu irmão conversando na cozinha. O assunto era
sobre a bíblia, a bíblia era sempre presente nas conversas de minha mãe. Levantei e fui a banheiro
para tomar banho, ainda como o mesmo pensamento fixo na mente, “Meu Deus me mostre como devo
fazer para voltar a sentir a tua presença em minha vida” Estava ali já há algum tempo quando algo
aconteceu. Houve um escurecimento em minha vista, formou em minha mente uma visão como numa
tela de cinema, eu via minha vida passando como se fosse um filme, as coisas erradas que eu havia
feito. Quando me dei conta, estava olhando no espelho eu estava tampando minha boca para conter
um choro compulsivo, coisa que nunca me permitira, pois chorar nunca fez parte de minha vida.
Minha fisionomia esta assustadora meus olhos vermelhos ao extremo. Então após estas visões uma
enorme sensação de Paz tomou conta de mim. Sai do banheiro me dirigi para a cozinha, estava minha
mãe e meu irmão, em pé na pequena cozinha passei perto deles em direção a geladeira. Quando me
dei conta eu estava pegando uma garrafa de cerveja que meu irmão Josmar havia comprado para me
agradar, na outra mão estava minha carteira de cigarros e um anel “pirâmide” este era o nome
daquele anel, este anel servia para esconder a marca deixada pela aliança em meu dedo, quando eu
estava anteriormente na minha faze de “aproveitar a vida”. Num momento ao perceber o que estava
fazendo não conseguindo entender minha atitude, disfarcei, coloquei a garrafa novamente na
geladeira e voltei para a sala, me perguntando se estava ficando biruta, sem entender voltei
novamente para a cozinha e sem que pudesse conter aquele impulso, eu estava novamente com a
garrafa o anel e o cigarro em minhas mãos, me virei para meu irmão Josmar, meu irmão olhou para
mim naquele momento e sem que eu pronunciasse uma palavra, seus olhos se encheram de lagrimas,
estendi os braços em sua direção e ele pegou o que eu estava entregando a ele sem nem mesmo fazer
uma pergunta. Minha mãe que estava ao nosso lado não perguntou nada naquele momento, sobre o
que eu estaria fazendo com aquele gesto ou o que eu pretendia, nem meu irmão perguntou até hoje,
passados já quase vinte anos.
Aquela experiência foi o que considero um Batismo Espiritual.
Louvado seja o Senhor criador do céu e da terra e de tudo que neles há! Amem.
Eu havia entendido o que deveria fazer para voltar a sentir a Paz de ter Deus em minha vida como
sentia anteriormente.
42
A imagem do bar de minha casa que havia quebrado e que novamente surgiu na visão que tive
naquele momento, significava que eu deveria parar de beber. A imagem do anel que via em minha
mão significava que deveria abandonar aquele comportamento, de estar buscando outras mulheres
que não a minha, a visão do cigarro me vinha à mente juntamente com o dialogo que havia tido no
passado com aquele senhor na beira do rio, quando me perguntou se eu havia nascido fumando.
Então foi naquele momento que eu deixei estes hábitos que estavam me afastando de Deus e
impedindo que eu sentisse sua presença e sua Paz em minha vida.
Naquele dia queria contar para todo mundo a Paz que eu estava sentindo. Chequei a ir à busca de um
antigo amigo que não via há muito tempo somente para contar a ele a experiência que tinha vivido
naquele dia. Para mim era como se eu já não fizesse parte deste mundo, olhava para tudo como se
estivesse envolvido por uma redoma transparente que me isolava de tudo que era material e que
pertencia ao mundo. Naquele momento não existiam problemas em minha vida, pois os problemas
faziam parte do mundo e eu não mais fazia parte deste mundo. Era uma sensação inexplicável por
mais que possa tentar não encontro agora como também não encontrei naquele momento palavras
para expressar o que eu sentia.
Por este sentimento tão inexplicável eu acredito ter recebido a presença do Espírito Santo de Deus
naquele momento.
Foi naquele momento que eu abandonei o cigarro as bebidas e a busca por outras mulheres.
Passado algum tempo Deus derramava sua bênção novamente em nossas vidas estávamos
estabilizados, por anos não nos preocupamos mais, nossa preocupação era somente com a rotina
normal do dia a dia, como em toda empresa.
Eu já havia comprado e trocado de carro novamente, mas agora sem sentir necessidade de trocar a
todo o momento.
Resolvi então ampliar nossa casa. Construiu nos fundos um sobrado para que ali estivessesmos
enquanto durassem as obras na casa da frente.
Depois construi na frente também outro sobrado. Nossa casa havia se transformado. Era
anteriormente uma casa confortável, mas de tamanho médio e padrão simples e agora seu padrão era
médio alto e bastante grande tinha 250 metros quadrados de área construída.
Vou contar por agora somente até esta etapa de minha existência.
Se Deus permitir estarei contando alem desta etapa em outro momento. Finalizo esta etapa em
10/09/2009 – 14:42h.
Desejo a todos a Paz.